Eu enjôo da minha cara. Já não gosto muito dela, na real, e de vez em quando eu tento dar uma mudada. Nada radical, porque eu não gosto da minha cara mas gosto menos ainda de entrar na faca para qualquer coisa.

O que eu sempre acho bizarro disso é que eu sempre acho que ninguém tá nem aí com a minha cara, mas o pior é que tem gente que repara. E não falo de ninguém conhecido, não. Falo de gente que eu nunca conversei e que, dependendo do que eu faço, gera algum comentário.

Eu sempre tenho isso. Agora, por exemplo, estou deixando a barba crescer. Eu gosto de fazer isso por dois motivos. Bizarramente eu gosto mesmo de usar barba. E porque quando eu tiro a barba, parece que eu fiquei uns 10 anos mais novo. inclusive do que eu era antes de deixar a barba crescer. E nessas eu já usei cavanhaque, costeletas, barba e o campeão de todos, um tufo de barba só no queixo que deixei crescer até dar para fazer tranças. Sim, foi na época áurea do grunge. Eu adorava, mas era feio que só a porra, não vou mentir.

Mas o que eu lembrei, sabe-se Deus por quê, e que ilustra o lance de gente que você nunca viu mas tá de olho, é de uma passagem dos meus tempos cabeludos. Durante alguns anos, quando eu achava que minha carreira musical era promissora, eu usei os cabelos compridos. Nada no mundo indicava que eu cortaria o cabelo, era rock’n'roll e tal, era a minha marca registrada ser cabeludo. Só que, como sempre, enjoei da minha cara. E rapei a cabeça.

Um dia, tava no interior, na baladinha de sempre que vão sempre as mesmas pessoas, e ouvi uma menina que nunca tinha visto na minha vida comentar com a amiga: “Nossa!!!! Ele cortou o cabelo!!!”

Eu acho que lembrei dessa história toda porque hoje um cara me disse que, de barba, eu fico com cara de árabe. Aí fui lembrar que a galera tá de olho no visual direto.

Pode ter sido isso, mas sei lá.

Como seu sempre digo, tem horas que são ótimas para ter idéias e pensamentos malucos. A hora de dirigir é uma delas. E hoje, a caminho do trabalho, vi uma árvore na rua que me lembrou Kinkans.

Se você não sabe o que é Kinkan, é uma fruta que parece uma mini-laranja, que dá prá comer que nem pipoca. E eu adoro. Meu avô tinha um vizinho lá em Aguaí que tinha um pé de kinkan na casa dele (mas a gente chamava de laranjinha) e ele sabia que eu gostava, então sempre me dava um monte. Só que o bizarro é que o pé de kinkan, que parece uma laranja mas é muito menor, é muito maior que uma laranjeira.

E eu, que adoraria um pé de kinkan em casa, pensei em fazer um pé de kinkan bonsai. Uma árvore pequenina que daria frutas pequeninas.

Aí, só para demonstrar como funciona o pensamento lógico: as árvores, pelo que me lembro das aulas de ciências da 6ª série, produzem seu próprio alimento, que é a seiva. E a seiva é produzida num processo em que as raízes capturam água e sais minerais do solo, as folhas capturam a luz do sol e através da mistura de tudo isso com a clorofila das folhas, bam!, a árvore cozinha sua própria comida.

O bonsai (que em japonês significa árvore do vaso, eu acho) é feito com uma árvore normal que tem as raízes podadas para não crescer e ficar do tamanho, bem, de uma árvore. Podar as raízes, então, é limitar uma parte importante do sistema alimentar da árvore, para que ela não cresça, certo?

Logo, um bonsai é uma árvora que fez a cirurgia de diminuição do estômago.

Se tem uma coisa que eu tenho me divertido ultimamente, são as frases de efeito do Pedro. Parece que ele passou por mais um daqueles “saltos evolutivos” que as crianças dão de vez em quando, e agora destampou a falar.

Outro dia ele acordou, olhou bem para a minha cara e disse: “Não posso andar sozinho na rua. Tenho que estar de mãos dadas porque senão o carro me pega”. Aí eu respondi que é isso mesmo, e que no shopping também tem que andar de mãos dadas. E ele, pensativo: “É, senão o bombeiro coloca de castigo”.

Mas a melhor foi esses dias e eu, infelizmente, não presenciei. A Dé tava vendo o jornal em casa na TV e disse que ele ficou paralisado na frente da TV. Aí ela foi prestar atenção e era uma reportagem sobre o carnaval. Disse que tinha uma mulata sambando e tal. Aí, a hora que o Pedro viu que ela estava olhando virou prá ela louco: “A MOÇA TÁ MEXENDO A BUNDA!!!! A MOÇA! A BUNDA! ASSIM!!!”, e começou a dar uma chacoalhada, olhando prá ela com cara de “que porra é essa??”.

Aí quando cheguei em casa perguntei prá ele se ele tinha visto alguma coisa legal na TV. E ele respondeu que tinha visto “uma moça”. Perguntei o que ela tava fazendo e ele disse que ela tava “mexendo a bunda”. Mas não deu muito assunto, não.

Aí no dia seguinte ele resolveu desenvolver sobre o carnaval. Atenção poetas: olha que definição.

“Carnaval é música, papai!”
Pedro Garcia – 2 anos

Rá!

Não é novidade nenhuma que eu gosto de rock. E isso não é de hoje. Coisa de moleque, desde sempre. E a grande maioria das músicas que eu ouvi na minha vida são cantadas em inglês. Algumas vezes, o encarte dos discos (sim, os de vinil, que é o que tinha na minha época) trazia as letras das músicas. Ainda não existia o Google Translator (nem o Google, nem a internet), mas um dicionário Michaelis ajudava a descobrir o que os caras estavam cantando.

Mas isso não era regra. A grande maioria das vezes não tinha encarte nenhum, nem letra, nem nada. Aí o que rolava era o bom e velho embromation. Aqui parece que o cara disse alguma coisa parecida com Ai uil sãrvai ona plein e tá legal. Tá bonito. Praticamente um americano.

E por conta disso, é engraçado ouvir, depois de aprender a falar inglês, uma música que fazia tempo que não ouvia, desde quando ainda rolava o embromation. Hoje, no rádio, por exemplo, ouvi o clássico rock’a'billy Summertime Blues, do Eddie Cockhran. Fazia anos que não ouvia essa música. Eu tava lá batucando no volante e pensando no trânsito quando o Eddie cantou:

I called up my congressman
And he said
“I’d like to help you Sonny
But you’re too young to vote”

Sei lá porque, mas achei de rolar de rir! Eu devia ter aprendido antes. :D

Depois de muito tempo sem escrever por aqui, apareci para o tradicional post de final de ano. E aí, claro, sumi de novo. Como sempre, tinha alguma coisa acontecendo. E que estava tomando muito da minha atenção. Prá resumir, troquei de emprego.  A história sem resumir é meio grandinha, o post também, mas tem que ser. Se você trabalhou comigo no último ano, eu leria.  Então, prá quem quiser, acaba aqui. Prá quem quiser continuar… Read the rest of this entry »

Desde setembro que não escrevo nada no blog. Vergonha total. Mas a anarquia é marca registrada do Esblogo, então está tudo certo. Mas não podia deixar de passar por aqui para a minha tradicional mensagem de final de ano.

Começo dizendo o de sempre: o que mais gosto no Ano Novo, é que tudo que era velho, fica novo! Tudo é a primeira vez. O primeiro banho do ano, o primeiro rango, a primeira coca, a primeira cerveja, o primeiro abraço, o primeiro beijo… Tudo que era comum fica especial de novo, num passe de mágica. Isso tem nome e é RENOVAÇÃO. É a chance que temos a cada 365 dias de pensar na vida, de recomeçar, de melhorar. De ter, de novo, primeiras vezes. E, como sempre me pergunta o Leo, qual foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?

É nossa hora de pensar na vida. E se 2009 foi um ano de muitas perdas, 2010 foi um ano de estabilização. Muito trabalho, também, acho que o ano que mais trabalhei, mas sempre procurando manter as coisas boas. E nesse aspecto, foi um bom ano. Começou e termina igual. Espero que isso seja a indicação de que 201o tenha sido o ano em que a base foi construída, para que 2011 seja um ano de crescimento.

De tudo que aconteceu em 2010, o mais bacana foram as novas amizades. Gente que eu adoro ter por perto, gente do jeito que todo mundo deveria ser. Bem humorados, certos, competentes e companheiros. Gente que espero ter por perto por muito tempo.

De ruim, fica a distância que cresceu entre alguns bons amigos, que amo, mas que estamos em caminhos diferentes. E por mais longe que estejamos, sem bater papo, sem tomar umas e dar risdas, nunca deixei de gostar e desejar o bem.

E claro, a família, que fica cada dia mais bonita. Falo isso sempre, e vou falar de novo: se eu soubesse que era tão bom ter filho, já teria tido antes. E se eu soubesse que o meu filho seria o Pedro, então… Fora os sobrinhos. A alegria da molecada quando está aprontando comigo vale qualquer coisa.

Os também tradicionais comentários nominais de final de ano:

Pedro e Dé – sem vocês, não tenho vida.
Pai e mãe – também, por motivos óbvios! Como diria a poetisa, obrigado por terem me tido! ;o)
Dê, Pelvin, Caio e Theo – como sempre, tudo porco-mamão!
Sogro, sogra, cunhados, agregados e aderentes – a família Buscapé.
Mocorongos, Sip, Alê, Lilica, Lumaria – saudades demais. Que 2011 a gente se veja sempre.
Leozito e Rubones – os irmãos que achei perdidos mundo afora.
Yabu e Gica – Cumpadi e cumádi, que vão me dar uma sobrinha nipo-tedesca de cabelo colorido!
Joanets, Anacris, Tiks, Ana Lentilha, Beto, Claudiones – talvez nem saibam o tanto que eu gosto de vocês. Mas sejam bem vindos à listinha de final de ano. :o )

É isso. Tchau, 2010.

Oi 2011! Daqui a pouco a gente toma uma juntos. Pela memória de quem se foi, pela saúde de quem ficou, pela alegria de quem chega com você.

Feliz Ano Novo, mundo!

Quem tem criança em casa tem que estar preparado para tudo. Tombo, machucado, gripe, catapora, sono em horas bizarras, fome, fraldas, sujeiras em geral e por aí vai. Mas acho que tem uma coisa que não tem como se preparar. É quando a criança está começando a falar e solta várias pérolas. Pode ser desde a coisa mais trivial do mundo, que fica engraçado quando é uma criança que fala, até aquelas coisas que você fica pensando onde foi que aprendeu a falar isso…

Agora que o Pedro está total falador, já tem algumas boas dele.

“Cadê o cocô?”
Depois da Dé jogar uma fralda suja fora

“Que música chata, papai!”
Depois de ficar gritando que era prá ligar o rádio

“Que cocozera, credo!”
Chegando em casa e vendo a “obra” dos cachorros

“Eu quero pipoca.”
Depois de jantar, tomar suco, um danoninho, comer um pedaço de maçã e uma banana

“PAPAAAAI!!!!! PÃÃÃÃÃOOO!!!!”
Do lado da cama, aos berros, para eu acordar

“Eu quero um ovinho!”
Pedindo um Tic Tac

Corre para a festa!

Nada na vida prepara a gente para a paternidade. Nem para a parte boa e nem para as poucas coisas que são ruins.

No segundo ano de vida do Pedro, algumas coisas foram ruins. Ele teve gripe suína, a alergia é um pé e ele pegou um pneumonia.

Mas foi pouco, perto do tanto de coisa boa que ele proporciona. Ele é extremamente bem humorado, disposto, engraçado, carinhoso, é o maior barato. E uma coisa que eu sentia muita falta era de me comunicar com ele e saber se ele estava entendendo, além de, claro, entender o que ele queria. Mas esse ano ele desandou a falar. E está um barato.

Desde o começo, quando falava só papai, mamãe, Bã (que é o Buster), papá, mamá e coisas que tais, até agora, que ele já começa formular algumas sentenças, eu me divirto que só com ele. Qualquer coisa que ele fala eu adoro. Coisas óbvias, como “esse é o carro do papai” ganham uma nova dimensão quando é ele que fala. E as sacadas, coisas que ninguém nunca ensinou e ele fala, que me fazem rolar de rir. Como o dia que liguei o rádio porque ele estava pedindo para ouvir música e ele me sai com “que música chata, papai!”, todo cheio de razão.

Às vezes, humano e errado (pleonasmo, ja que todo humano é errado), reclamo de coisas que sou um privilegiado em ter. Hoje, no dia do aniversário dele, estava olhando para a decoração da festinha dele, pensando em quanto dinheiro eu gastei hoje, que não devia ter gasto, coisas mundanas desse tipo. Ele tava dormindo, o soninho da tarde. Acordou, a Dé trocou a roupa dele e ele saiu de dentro de casa para o quintal, onde eu estava com os pensamentos errados. Ele olhou para a decoração, apontou para as coisas que via, virou para mim e, cheio de surpresa e com uma felicidade tão pura e legítima que só uma criança de dois anos pode ter no dia do seu aniversário, falou:

Olha, papai! Óoooooolha… A Festa!

Perguntei prá ele se ele sabia de quem era a festa. E ele falou: “Do Pepê”.

Foda-se o dinheiro. É só um número em algum computador do planeta. Para ver a carinha dele, admirado com a decoração, feliz e sabendo que era para ele, vale qualquer sacrifício.

Se eu soubesse que ser pai era tão bom, não teria demorado tanto. E se eu soubesse que seria o Pedro, então…

São dois anos de duas pessoas. O Pedro e eu. O que tinha antes dele não existe e não importa mais.

Feliz aniversário, filho. Seu pai te ama demais.

Domingo de emoção na Maison du Paul.

Eu estava arrumando algumas coisas em casa, coisas típicas de se fazer domingão. Colocando uma lâmpado no corredor do quintal, trocando uma torneira na cozinha, essas coisas. E como sempre, para esses momentos de lazer, chamo alguém com capacidade manual para tais afazeres maior que a minha. Que pode ser qualquer um, na verdade, já que sou um zero à esquerda para essas coisas, mas meu alvo predileto é o meu pai.

Depois de sofrer por mais de hora para descobrirmos como está funfando a instalação elétrica de casa para conseguir ligar a tal da lâmpada, ele (o pai) estava parafusando os fios no interruptor e eu sentei na rede para observar. Sentei, não deitei. Ainda bem. Senti alguma coisa cair na rede. Era pesado demais para ser uma folha, mas ainda não tem nenhuma fruta nas árvores de casa. Olhei para o lado e lá estava ele. Um rato. Olhando prá mim. Se eu estivesse deitado, teria caído na minha cabeça. Levantei da rede tão rápido que nem eu sabia que era possível.

Enquanto o rato voava, fruto do tranco que dei na rede para levantar, corri prá pegar uma vassoura. A Dé, de dentro de casa, correu para fechar as portar. Voltei com a vassoura procurando o danado e meu pai me avisou que ele estava escondido atrás de uns enfeites do jardim. Cutucou os enfeites e o rato saiu. Primeira tentativa de vassourada e ele desviou. Correu para o corredor que vai para a rua, onde estávamos instalando a lâmpada.

E eu, vassoura em punho, correndo atrás dele. A hora que ele viu, lá na frente, os dois cachorros, mudou de rumo e voltou correndo para cima de mim. Errei outra vassourada, pulei o rato que vinha em minha direção. Esquema Matrix, Jet Lee, Kung Fu Panda. Virei e pimba, outra vassourada. Essa foi certeira. E o rato, tadinho, morreu.

Meu pai, que até o momento só ria, me falou: dá outra, que ele tá só fingindo. Fingindo nada. O bicho tava até com tremilique, já. Recolhemos o corpo do danado e voltamos à vida normal.

Antes de voltar para a rede, me certifiquei que a chuva de ratos tinha acabado.

Alegria e desespero no PS3. Depois que o Persio usurpou o meu FFXIII, eu roubei o GoWIII dele. E vou te falar. É muito foda.

Não acho que seja o melhor jogo do PS3, mas chega perto. Como todos os outros jogos da série, ele esbarra num problema: é muito curto. Um jogador acostumado com a série não leva mais de 6 horas para terminar o jogo. E esse, aqui entre nós, merece mais do que 6 horas.

Começa pela história. GoWIII consegue juntar as duas primeiras partes da trilogia em um final avassalador, totalmente digno da série. Depois de ter a família morta, matar o Deus da Guerra e tomar o lugar dele, ser sacaneado pelos Deuses do Olimpo e tudo mais, Kratos resolveu radicalizar. Quer matar o responsável por tudo que rolou com ele. O chefão. O Rei dos Deuses. Zeus himself.

E para issso, conta com ajudas inusitadas, que deixam a história mais recheada. No começo, um dos aliados é Gaia, líder dos Titans que também tentam matar Zeus, que pelo jeito, adora fazer inimigos. Claro que essa aliança dura pouco e logo os Titans entram na lista de inimigos também de Kratos. E matar os maiores inimigos que já apareceram em um vídeo game é muito divertido. Essa diferença absurda de tamanho entre os Titans e o resto das coisas seria um delírio em qualquer outro jogo, mas em God of War é totalmente aceitável, no contexto da história, do jogo, de tudo, enfim. E torna o jogo visualmente matador.

Como disse, o grande problema do jogo é que, mesmo com tudo que tem para fazer e com todos os inimigos que Kratos encontra em seu caminho, o jogo é bem curto. Se por um lado torna a experiência ainda mais intensa, por outro é um pouco decepcionante, fica aquela sensação de que podia ter durado um pouco mais.

Ah, mas pode durar um pouco mais. Faltam 3 troféus para ganhar todos no jogo, então estou jogando na dificuldade Titan, a mais punk do jogo. E aí, meu amigo, o que levariam 6 horas, está tomando umas 12, já. E foi depois de encalacrar em um lugar e não conseguir sair dali que fiquei com tanta raiva que fiz uma cagada.

Entrei na PSN, Playstation Store e, como tinha uma graninha de crédito lá dando sopa, comprei Marvel x Capcom.

Esse é mais fácil de falar a respeito: É ruim. Não sei o que a Capcom fez, mas o jogo ficou uma bosta. Se tivesse como, devolvia o jogo para a PSN e comprava um clássico de PS1. Muito provavelmente, FFIV.

Ou seja, God of War III = alegria. Marvel x Capcom = desespero.

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