Archive for the ‘Pitacos’ Category

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De volta para casa, sempre as coisas boas de estar no meu lugar: ouvir todo mundo conversando comigo na língua que eu não preciso prestar atenção para entender, ver minha mulher, toda grávida do meu filho, meu PS3, minha cama, enfim, coisas que todo mundo sente falta quando está longe de casa.

Aí pego o carro para vir trabalhar, ligo o rádio e tomo o tal tapa na cara, o tal choque de realidade. Parece que as notícias pioram depois de um tempo de descanso. Ou a gente desacostuma com elas. Sei lá, mas o fato é que as notícias parecem ter piorado na minha volta.

Uma das coisas que em deixou mais puto foi o papo de um juiz proibir de mostrar os caras que bateram na puta no Rio de Janeiro cumprindo a pena alternativa deles. O que é errado pode mostrar. Agora, quando finalmente alguém resolve dar um corretivo que é realmente um exemplo, é proibido de mostrar. É impressionante. A impressão que eu tenho, de vez em quando, é que todo mundo acha que é legal a gente ter essa sensação de impunidade o tempo todo. Porque assim a gente vai ter a sensação de que a gente pode fazer coisas erradas e se safar. Porque se a gente pode fazer coisa errada, todo mundo pode. E se todo mundo pode, todo mundo é igual, prá que punir exemplarmente quem fez alguma coisa errada. Afinal, a gente só não faz a mesma coisa porque não tem a oportunidade. E se começam a punir, mais hora, menos hora, vão punir você! Ou eu. Por isso, viva a impunidade. Viva quem rouba milhões impunemente, porque são eles que garantem que eu posso dar os meus migués sem acontecer nada.

É uma merda isso. O pior é que quem tenta ser certinho, honesto e tal, ainda é taxado de otário. Ser certo é errado no Brasil.

E se a gente reclama, que nem eu agora, nego vira na maior calma e te fala: aqui é assim mesmo. Não gostou, vai embora. Seu paga pau de gringo e coisas afins. Ou seja, vamos ser sempre um povinho de merda.

Ou como diria o Millor, melhor na palavra que no desenho: ô povinho bunda!

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Tem três coisas que todo mundo sabe sobre os “Centers” da Paulista:

1 – Tem de tudo baratinho. Vídeo game, jogos, DVDs, iPods, MP3, MP4, câmeras fotográficas, óculos, relógios, bolsas, carteiras, canetas, qualquer porcaria. Tudo vindo sabe-se lá de onde, sabe-se lá como e quando ou como vai pifar. Mas que tem de tudo, tem. E só para comparar, as coisas lá custam tipo metade do que custam em lojas “normais”. É tudo pirata ou contrabando e todo mundo sabe, o ano inteiro.

2 – É cheio de chinês, coreano e orientais de uma maneira geral. É amontoado gente, se der merda lá dentro é difícil de sair. Muitos dos caras que tem as birosquinhas lá dentro, mal falam português. E isso é o ano todo.

3 – Todo mundo sabe que, perto do Natal, vai ser fechado pela PF, pela prefeitura, por qualquer um que não tenha recebido o “seguro” dos caras. Falar que foi por falta de segurança, irregularidades, qualquer coisa, só na época do Natal, é uma cara de pau sem tamanho.

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Sabe quando tá tudo bem, mas parece que tem alguma coisa que não está bem? Então. Eu ando meio assim. Mas eu sei porquê.

Eu ando meio com o saco cheio do mundo. Parece que toda bizarrice que acontece é pouca, e nego tenta se superar. Já dizia a Lilica, para pior não tem limite.

Não chega tudo que a gente ouve no dia a dia, de assaltos, furtos, sequestros, muitas vezes com alguém morto ou machucado, as bandalheiras dos caras em Brasília, na CBF, da CBT, ou qualquer outra CB da vida e, infelizmente encarar essas coisas como “normais”, tem dia que o melhor humor pode ser estragado por uma notícia que, em tese, não tem nada a ver com você.

Tava vindo para o trabalho um dia desses e ouço a notícia no rádio: dois irmão se juntaram e mataram o irmão mais novo. Já não fosse uma notícia horrível, vem o detalhe mais bizarro: os irmãos (na verdade meio-irmãos), um cara e uma menina, eram amantes e mataram o menor para ele não contar para ninguém. Ah, vá para o inferno. Tá faltando pena de morte e prisão perpétua nesse país, mesmo, e foda-se quem acha que isso é desumano. Desumano é uma história dessas. Desumano é um filho da puta bêbado abusar da filha, ou do filho, de 3, 4 anos. Desumano sou eu ter que conviver uma notícia dessas e ter que me conformar que antes de um filho da puta desses ter a minha idade, já tá circulando por aí de novo.

Desumano é eu saber que eu ando na linha, trabalho de 8 a 11 horas todo santo dia para pagar as minhas contas e ter as minhas coisas, para um belo dia chegar um cara e em cinco minutos levar o que eu levei dias, semanas, meses e até anos para conseguir. E saber que eu nunca vou ter as minhas coisas de volta e que nada vai acontecer com o cara que me roubou.

A saída? Na verdade, as saídas:

1 – Me conformar, achar que a vida é assim mesmo e estar preparado para lidar com as perdas, materiais e sentimentais, que essa vida pode nos causar.

2 – Resolver virar o Capitão Nascimento, armar até os dentes e fazer justiça com as próprias mãos. Reagir com a mesma violência com que somos atacados.

3 – Mudar de país. Ir para um lugar mais civilizado onde, mesmo quando aconteçam essas coisas, sejam punidas.

Eu sei… Tem quem vá dizer que a gente tem que fazer a nossa parte, que temos que acreditar no sistema, que se a gente for bonzinho o mundo vai se inspirar e ser bonzinho também. Mas eu já sou bonzinho. Eu ajudo velhinhas, eu dou informações no trânsito, eu deixo pessoas mais velhas passarem na minha frente, eu não roubo, e minha empresa não sonega os impostos… Mas não tenho visto o mundo melhorar pelas minhas ações.

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Cara, chamar de polêmica o lance do Estadão e os blogs é ridículo. A campanha do Estadão é ridícula, para variar. Não sei as agências que atendem ou atenderam o Estadão, mas a verdade é que o Estadão nunca foi bom de publicidade. As campanhas da Folha sempre foram melhores.

Credibilidade de blogs? Nem no meu eu acredito. Aliás, também não acredito em jornais. Por mim, blogueiros profissionais e jornalistas podem dar a mão e sair pulando.

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São Paulo foi dormir ontem com dor de cabeça. E hoje, claro, acordou triste. Por mais que saibamos que a maioria do povo da cidade pode nem conhecer ninguém que estava no avião que acidentou ontem, mas ninguém gosta que um acidente desse tamanho ocorra na cidade onde mora, tão perto da sua vida. Porque isso lembra, por mais besta e egoísta que possa parecer, que podia ter sido com você.

Apesar de achar até meio sem noção, meu cunhado me ligou. Eu falei que não tava em avião nenhum, mas, como ele disse, vai que eu estava do lado do aeroporto. Parado, num posto de gasolina. Pimba. Cai um avião em cima de mim. Pego a Dé que tava num curso, conto para ela, quando falo que o avião vinha de Porto Alegre, o susto: uma colega do trabalho foi para Gramado, voltaria de lá por Porto Alegre essa semana. Agonia.

A cidade amanheceu cinza, triste, silenciosa. Ainda mais triste do que revoltada, mas uma hora a revolta aparece. Já estão dando um jeito de aliviar, mas em dois dias, duas ocorrências na pista recém re-inaugurada, depois de uma “reforma”. Nove meses de brigas falando que os céus do país não são seguros, descobrimos do pior jeito que a pista do aeroporto mais movimentado também não é.

Como sempre, rezo para que os parentes de quem perdeu alguém nesse acidente tenham serenidade e força. Não conheci nenhum deles, mas estou triste.

E, volto a dizer: o maior mentiroso do mundo é aquele que diz que não tem medo de andar de avião. Toda vez que eu entro em um avião, sinto medo, sim. Porque se der uma ziquinha qualquer, pode ser a última da minha vida. Quem diz que não tem medo, não tem é noção. Ou é conformado. E o pior, o medo não é só quando tem acidente, não. É quando fica muito tempo sem ter, também. Estatísticas…

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Uma fábula dos tempos modernos, aplicados à TV:

Era uma vez um país que não tinha nenhuma emissora de TV voltada para o público jovem. E eis que um dia, surge uma, que ia mudar para sempre as nossas vidas. A MTV iniciava sua operações no Brasil, prometendo muita música, história da música, shows, uma revolução.

Não posso dizer que a revolução não ocorreu. Mas, um dia, sem muito aviso, a cara da MTV mudou radicalmente. O M, que em tese é Music, parece que foi esquecido. A emissora colocou o chapéu de lançadora de tendências, líder do pensamento jovem, precursora do comportamento dos adolescentes ou nem tanto brasileiros, e ficou chata. E bota chata nisso. Os VJs, ou sei lá como eles se chamam agora, não podem mais ser arrumadinhos. Tem que ser “alternativos”. Quer coisa mais imbecil que um “alternativo” de massa? Não podem pentear o cabelo (pelo menos eu acho que não). Os intervalos da MTV são imensos e eu não me atrevo a chamar de comerciais, porque a maior parte do tempo são vinhetas ininteligíveis da própria emissora, com desenhos estranhos e sons irritantes, tipo iiiiióóóóóóúúúúúúúúú… Fazer aquilo que a gente gostava na MTV das primeiras horas, assistir video clips, novidades sobre música, programas com a história de sua banda ou cantor (a) favorito (a), ficou impossível. Não fossem as (boas) franquias lançadas pelo canal, como o Acústico e o Ao Vivo, ouvir música seria impossível.

Eis que aparece um dia o VH1. Além de VH me lembrar Van Halen, o canal é legal! Lembra muito essa antiga MTV. Muito mais música que conversa e, quando tem conversa, o papo é música. Não tem essa de programinha prá falar o que meninos e meninas tem que fazer na cama, nem namoro na tv para molecada (ou beijo na TV, que é só pegação, mesmo), nem nada que diga que se você não é do MTV way of life você é um desolado da humanidade.

Os programas são muito bacanas e exploram muito o bom humor e o good vibe que a música trás. When (coloque aqui o nome de uma banda) ruled the world é um ótimo programa de biografias de grandes nomes da música mundial. Bands Reunited é um dos melhores programas que eu já vi na TV. Os caras juntam ex-integrantes de bandas que não existem mais, muitas vezes desfeitas a tapa, fazem uma entrevista com todos sobre como era ter a banda e “tentam” convencê-los a tocar juntos mais uma vez. Vi uma com a Vixen e quase chorei! A idéia é maravilhosa. E elas tocaram juntas no final, claro, para deleite de fãs do bom e velho hard rock feito por mulheres nos anos 80! :o )

O “60 melhores clips” com penteados malucos, animais de circo, pombas brancas, ou qualquer outra categoria esdrúxula também é divertido, porque consegue juntar um monte de músicas que vários estilos diferentes, mas com alguma coisa em comum, mesmo que sejam macaquinhos amestrados.

É, a MTV que se cuide. VH1 e PlayTv estão aí para mostrar uma coisa saudável que dá uma encrenca… Concorrência!

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Realmente, tem coisas bonitas que a gente não vê porque não quer. Tirei essa foto agora a pouco, vendo o dia acabar pela minha janela. O reflexo do Sol de pondo nos prédios, as luzes começando a acender… O triste é reparar a capa cinza da poluição que atinge SP, principalmente no inverno. E se clicar na foto, ela engrandece.

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A 89FM, rádio em que sempre me orgulhei de ter trabalhado e fiz grandes amigos, que se auto-intitulava a Rádio Rock, parece que deixou de ser o que sempre quis ser. Fechou um acordo, ou sei lá que porra, com o pessoal da rede Bandeirantes, mandou um monte de gente boa embora e agora negocia com a turma do Lulinha a gestão de conteúdo da rádio. Já se cogita mudar o nome da rádio para 89Play ou Play FM.

Entre os dispensados pela rádio, 3 caras com quem trabalhei e que eram tipo ícones da rádio: Zé Luiz e Roberto Hais, locutores, e o Pastor, produtor, apresentador, coordenador um dos caras que estava por lá desde que a 89 existia. Prá quem não sabe, o Pastor é o Pepe Gonzalez, o Pica Pau, o Pastor é o cara.

Agora, a programação da rádio está sendo tocada, pelo que ouvi, pelo mesmo pessoal que faz a Metropolitana. Outro dia liguei o rádio e a promoção, em plena 89, era prá ir ver a Maria Carrey! Agora toca Rap e poperô, além dos popzinhos água com açúcar. Os antigos ouvintes estão órfãos de rádio, tenho certeza.

Se um dia eu virasse deputado (que é quem ganha concessão de rádio nesse país), montaria uma rádio e chamaria todos esses caras. Se eles topassem, claro. Esses e muitos outros que passaram pela 89 e que eu gosto muito, como profissas e como pessoas. Eliana, atualmente na Mix, Ana Flá, Pelicano, Forlani, Fernando Tucori… A gente montava uma rádio prá, se não ser líder no nosso target, prá voltar a se divertir como a gente se divertiu naquele tempo!

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Me assusta, e muito, como a gente fala mal o português. Não que eu seja a favor de se falar um portuga rebuscado, cheio de firula e rococó, mas tem coisas que doem no meu ouvido e que não é gente sem instrução que tá falando, não. São pessoas que tem, em tese, curso superior nas mais diversas áreas. Um exemplo é o “para mim fazer”. Porra, isso eu aprendi acho que na quinta ou sexta série. Mim não faz. Fazem para mim. E o pior: como você corrije um cara desses? Por mais que seja para o bem da pessoa, vai achar que você está de sacanagem com ele.

Falando em seja, tem também o “seje” e o “esteje”. Tipo: “espero que não seje nada e você esteje bem logo”. Também, não é de gente sem instrução, não. “Espero que esteje com menas friagem”. Menas. Pior que eu acho que tem gente que me ouve falar menos, seja e para eu fazer e acha que eu estou falando bobagem.

Escrever, então, nem se fala. Um dia eu li em algum lugar que uma das coisas mais legais da internet é que estava fazendo com que o povo lesse mais e isso é sempre bom. Mas o que se escreve errado na internet é uma grandeza. E não é só em MSN e chat, não, com os lances de “ai, ke lindu, se naum vai me ligá aki, naum?”. Vira e mexe você pega portais sérios com erros de português ridículos. Eu não sou o Camões, não sou o gênio do português e o esblogo é só um blog sem noção, mas tem site de jornais e revistas que, em tese, tem jornalistas tocando e deveriam saber escrever. Eu pelo menos tento escrever direitinho e sempre dou uma lida no que escrevi prá ver se não tem nenhum erro daqueles gritantes.

Fico imaginando se nosso país tem futuro, com esse nível de educação que temos. Por essas e outras, mesmo eu que nunca quis sair daqui, já considero a idéia.

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O mais legal do ser humano é que ele é capaz de pensar, certo? Mesmo que seja pensar em coisas absurdas, como é de costume. Ou sacanagem, que é o que a gente pensa a maior parte do tempo! Mas prá mim, o que é mais interessante é a capacidade de inventar coisas. Sim, eu sei, para criar tem que pensar, é uma parte do todo e tal, mas eu acho que é a parte mais legal de todas.

Todo mundo sempre tem uma teoria para tudo. Seja para a extinção dos dinossauros, a criação do universo, porque os aviôes voam ou como vai acabar o Lost! Eu mesmo tenho um monte de teoria sobre um monte de coisas. A mais importante é a que diz que assim como são as pessoas, são os seres humanos e as criaturas, mas não é disso que eu vim escrever.

Com a proximidade do lançamento daquele que pode ser um dos melhores filmes da temporada (e olha que tem X-Men III, Superman Returns…), que é o Código da Vinci, a quantidade de abobrinha (engraçadas, ridículas, pretensamente sérias) que eu tenho lido é fenomenal. Junte a criatividade da turma, com um veículo de alcance mundial, de fácil acesso e sem nenhum controle, que é a internet, e a gente tem o maior festival de teorias conspiratórias que o Filho do Hómi teve que enfrentar desde que seus apóstolos escreveram O Livro!

O mais comum é de gente que acha que a história é uma afronta à igreja Cristã (em qualquer de suas derivações), principalmente ao catolicismo, já que o personagem que tomaríamos por “vilão” da história é um representante de uma instituição católica fervorosa. Mas tem de tudo. Desde caras que defendem que a história é verdade até nego que acha que o cara que escreveu a história tinha que morrer com coceira!

De todas, a mais viajante é uma de um cara que se dizia pesquisador do Vaticano e que, incumbido de desmentir a história, acabava descobrindo que Jesus nunca casou com Maria Madalena nada, mas que a igreja dava corda na história para gerar bafafá, para passar a imagem de um jesus macho, conquistador, pegador e tal. Mas que, na verdade, Jesus teria tido um caso com o Judas Iscariotes, por isso que o cara era massacrado como traidor da igreja e tal. Ainda mais depois de sair o papo que Jesus teria pedido para o cara trair de propósito, com uma beijoca, o cara passaria de vilão a martir! O cara que se sacrificou, ao entrar para história como traíra, para que a igreja pudesse nascer.

Fala sério. Esse, se nego descobrem quem é, tá na vala! Se um nego disse que Jesus era pegador e já tem gente querendo matar, imagina o que obviamente colocou a masculinidade do Salvador em dúvida…

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