Archive for the ‘Pitacos’ Category

Ontem, depois de uma tuitada do Persio, dizendo que tomou uma bronca do chefe porque estava no twitter e no Facebook no trampo, a Eli respondeu com o link para essa matéria da exame. A gente trocou algumas mensagens sobre isso, mas resolvi desenvolver o tema.

Discordo totalmente da reportagem. Basicamente pelo seguinte. Executivos e pseduo-executivos tem uma mania detestável de que tudo nessa vida tem que virar trabalho. Então, minhas considerações:

GET A LIFE! Tem muito mais coisa prá se fazer na sua vida do que simplesmente uma carreira profissional. Se você assistiu O Iluminado, lembre-se da célebre frase: Só trabalho sem diversão, faz de Jack um bobalhão.

Facebook = Curtir! Quando alguém montou uma rede social com um botão CURTIR, status de relacionamento e direcionado para a galera da faculdade, duvido que estava pensando “futuros empregadores vão vir aqui prá ver se vale a pena contratar a galera”. Se fosse para ser profissional o botão seria “OK”.

Linked In, já ouviu falar? Tem uma rede social direcionada para profissionais, onde você fala de seu trabalho e coloca seus contatos de negócios. Eu tenho meu perfil lá e é onde tenho meu currículo online. Essa é a diferença entre as duas redes. Linked In tem os contatos, Facebook tem seus amigos. E com os amigos eu quero falar de futebol, música, contar piadas, mostrar fotos do meu filho e marcar baladas. Coisa que no Linked In, óbvio, não faço.

Referência não é currículo. Claro que se você vai fazer uma entrevista, a empresa pode te procurar no Facebook prá ver que tipo de pessoa você é. Mas se uma empresa desiste de me contratar porque eu toco guitarra, jogo PS3, saio com os meus amigos e brinco com o meu filho, eu é que não quero trabalhar nesse lugar de merda.

Bom senso independe de rede social. Se nego vai procurar emprego na Vivo e tá no Facebook sentando a boca na Vivo porque o sinal é ruim, o 3G não funciona e o iPhone 4 não chegou, aí não pode reclamar da vida.

Tudo depende dos seus objetivos. Se você QUER usar o seu perfil no Facebook para divulgar seu trabalho, claro que é uma puta vitrine. O que eu não acho legal é isso virar regra.

Por fim, nem tudo está perdido. Uma das dicas, de ter o seu perfil e o seu perfil profissional até vale a pena. Mas eu prefiro continuar direcionando quem quer saber da minha carreira para o Linked In, feito para isso e mais adequado.

Sábado eu formatei o meu micro e aproveitei para instalar o Mac OS X novo, o Snow Leopard. A decisão de formatar o bicho foi um tanto quanto radical, mas a verdade é que, independente de Mac ou PC, de vez em quando os micros precisam de uma limpeza geral para voltar a funcionar direitinho. É tipo Virgin Again, só que em zeros e uns.

Desde que tenho meu MacBook, essa é a segunda vez que formato. A primeira vez foi porque instalei o Windows XP usando o Boot Camp e o micro nunca mais foi o mesmo. Bem feito. Dessa vez, não tinha nada muito grave rolando, tirando que o Excel só funfava quando eu tava dentro da Band. Vai entender a doideira. Aí aproveitei que compraram o Snow Leopard, peguei o DVD, meu HD externo e pau no gato.

Verdade seja dita, fazer back up, formatar e instalar o OS num Mac é BEM mais simples que num PC tendo que instalar o Windows. Como tá tudo nas libraries, fica bem sussa de guardar tudo que interessa e depois colocar de volta. E como eu tenho os programas que preciso, porque comprei, também facilita a vida.

Tudo backupeado, micro formatado, Snow Leopard instalado, e aí? Bom, na verdade, ele não é tão diferente assim do Leopard normal. Se ninguém te avisar que é ele que está rodando, é capaz de você nem perceber. Quando eu comprei esse Mac, ele veio com o OS X Tiger. Do Tiger para o Leopard as diferenças eram bem mais “notáveis” que do Leopard para o Snow Leopard, que me pareceu mais um “pack” do que um OS novo. Algumas melhorias na parte de rede, suporte para o Exchange, algumas gracinhas gráficas a mais, mas no geral, é o mesmo Leopard que eu já estava acostumado.

A mudança que eu reparei mais rápido, para falar a verdade, é que agora o lay out US International para o teclado já vem na instalação. Não tem que procurar na internet e fazer o gato para funcionar. O que é um alívio, porque até hoje eu não sei como funfam os esquemas de maçã isso para acento tal, maçã aquilo para acento sei lá o quê.

Me parece, honestamente, que o Mac está mais rápido, também. Mas isso não sei se é do Snow Leopard ou se é da formatação. Porque todo micro formatado fica mais rapidinho.

No geral, para quem não tem o disco de instalação do OS, como eu, vale a pena ter o Snow Leopard à mão, para o caso de dar um pau qualquer e ter que reinstalar tudo. Para quem tem os discos do Leopard normal, não faz tanta falta assim. Nos comunicados da Apple sobre o Snow Leopard eles falam muito que é o mesmo bom e velho OS que todos nós gostamos, redefinido. Por enquanto, só confirmei que é o bom e velho OS que gostamos. O que para mim está ótimo, diga-se de passagem.

O esporte favorito do brasileiro não é futebol, nem vôley e nem F1.O esporte favorito do brasileiro é cornetar o próximo. Seja porque o time dele perdeu, porque o pneu furou ou simplesmente porque tem inveja do que está sendo cornetado.

O cara mais cornetado do Brasil, faz tempo, é o Rubinho Barrichello. Injustamente, diga-se de passagem. Pense uma infinidade de brasileiros que passaram pela F1 e não fizeram metade do que ele fez. Há quem dirá que é porque não tiveram tempo, que é porque o Barrichello tá lá há dez anos e por aí vai. Bom, então, primeiro ponto favorável a ele. Ninguém fica mais de 1o anos numa categoria como a F1, e vivo, sendo ruim. Se ele está lá esse tempo todo, tem méritos. Não foi campeão, é verdade, mas pode ser um baita acertador de carros, se entenda com os engenheiros do time, enfim, sabe o que fazer para a equipe ter um carro legal. E que eu me lembre, só três brasileiros foram campeões do mundo e, sem demérito nenhum ao Barrichello, os três eram pontos fora da curva mesmo.

E não adianta falar que ele cagou tudo ontem e tudo mais, porque ele não perdeu o campeonato ontem. Lembremos que nas 7 primeiras corridas, o Button ganhou 6. E ele, no resto da temporada, ganhou duas. Das duas uma: ou ele tinha que ter ganho também 6 corridas, ou o Button não ter mais feito ponto nenhum o resto da temporada.

Agora, o mais engraçado, é que muito dos corneteiros gostaria de estar no lugar dele. Ou será que ganhar a vida viajando o mundo dirigindo um F1 é um trabalho tão ruim que mais ninguém quer. Sei que muita gente toparia e ainda faria uma ressalva, que é “ah, mas eu seria campeão”. Rá! Então tá, porque será que ele está lá e você não?

Outro cornetado, o Joel Santana, foi demitido do cargo de treinador da Seleção da África do Sul. Esse é outro que foi cornetado por conta da entrevista em “inglês” na copa das confederações. Aposto que metade (para ser modesto) da galera que riu do inglês dele, não entendeu a piada. Ou será que a população brasileira resolveu aprender inglês e eu nem percebi?

Cornetar é legal? Até é. Sempre saem piadas boas. O que não é legal é ser injusto. E nesse final de semana, que São Paulo, Corinthians e Santos, todos perderam, pelo menos não tem muito corneteiro à solta por aqui…

Esse final de semana tava vendo um filme na TV daqueles em que o mundo está acabando, todo mundo vai morrer, aí mandam (literalmente) meia dúzia de pessoas para o espaço para salvar a humanidade toda. Tipo Armaggedon, manja?

A história, pelo que entendi, era a seguinte: o Sol tava começando a pipocar e apagar, aí mandaram um bando de gente prá tentar “acender” o bichão de novo. Essa primeira equipe sumiu e o Sol continou com poblemas. Aí mandaram outra equipe, prá descobrir o que aconteceu com a primeira e dar um jeito no Astro Rei.

Muita gente fica imaginando o que vai acontecer quando acabar o petróleo, a água, a comida, a carne, as baleias, os golfinhos e quando o Sol começar a apagar. Eu, honestamente, não me preocupo com isso.

O ser humano é um bicho tão besta, que antes de qualquer uma dessas coisas acontecer, daqui a sei lá quantos bilhões de anos, já vamos ter dado um jeito de não existirmos mais. Alguma guerra, praga, peste, holocausto, alguma coisa nego vai inventar e o mundo será habitado somente por baratas e restos de civilizações.

Vai ser tipo Wall-e, mas acho que nem os gordões no espaço vai ter. Só baratas e restos.

Estou total otimista, hoje.

Todo mundo adora dar pitaco. Eu inclusive. Mas quem frequenta esse buraco da internet sabe que eu odeio o hype. Então espero passar o hype que eu odeio, para dar pitaco que eu adoro. Então, passado o hype, vamos aos pitacos:

Michael Jackson: todo mundo sabia que não ia morrer velhinho, branquinho, com cabelo de algodão. Ninguém mexe tanto com a própria saúde impunemente. Falem o que falar, mas MJ era, sim, um gênio. Goste você dele ou não. Eu mesmo, nem gosto muito. Mas, como todo gênio, variava entre picos da mais pura genialidade, tipo composições como Beat it, Black Or White e Thriller, e picos da mais pura imbecilidade, como plásticas sucessivas na tentativa de montar uma pessoa que ele aparentemente gostaria de ser. Tem quem diga que ele foi mais importante para a música que o Elvis. Bullshit. Sem o Elvis, que tirou a música feita por pretos do underground, MJ talvez nem aparecesse para as massas, só para os pretos.

Falando nisso: o pior tipo de racismo é o reverso, em que chamar um preto de preto é crime, mesmo ele sendo preto. Negro, afro, ou seja lá o nome que se queira chamar, a PESSOA é sempre mais importante que a cor. Um dos meus melhores amigos era preto, eu chamava ele de Negão e ele me chamava de Neguinho, um de meus apelidos em casa é Preto, já que meu pai e minha irmão são branquelos e eu sou marrom. Para a minha avó, pelo jeito que ela falava, chamar de Negro era mais ofensivo do que chamar de Preto. Um show do Cris Rock no Brasil seria proibido, porque metade das piadas ele chama os negros de Preto, ele mesmo, negão da cor. Repito: a pessoa é mais importante que a cor. Isso posto, essa palhaçada com o Danilo Gentili é só marola de quem quer aparecer de carona no prestígio alheio. Até porque, se ler o que ele escreveu, é uma piada totalmente anti-racismo, mas que aparentemente teve gente que não teve inteligência o suficiente para entender o sarcasmo que caracteriza o humor do cara.

E antes que venham me espezinhar: tenho amigos pretos, brancos, japas, chinas, judeus, árabes, marrons… Devo ter até algum amigo normal, mas não saberia dizer qual deles.

Fretados: outra atitude, digamos, de pouca inteligência. Com o transporte público ridículo que temos em São Paulo, tirar os fretados é tipo colocar 50 carros a mais na rua. Restringir, beleza, até faz sentido, mas tem que dar alternativas no mínimo com a mesma qualidade. Tirar um fretado e falar para o cara pegar um ônibus de linhas, que “é a mesma coisa”, é uma mentira deslavada. Queria ver qualquer político de São Paulo andando regularmente, sem o bando de segurança ou de puxa-saco em volta, num ônibus de linha, sendo esmagado, encoxado, roubado e tudo ado todo santo dia. Talvez eles até resolvessem melhorar o transporte.

Por último, o Sarney: Bem feito. O Brasil merece gente desse tipo. Foi a gente que elegeu o Sarney. Opa, peraí, eu não, não votei nele e nem voto no Amapá. Sim, eu sei disso. Nem eu. Mas você voltou no Suplicy e no Mercadante, né? Senadores por São Paulo. Que são do PT. Que depois de séculos espezinhando o Sarney, botou ele lá de presidente do Senado, e diz que sem ele não tem “governabilidade”. De novo, bem feito! Enquanto a gente não MUDAR essa corja que tá lá desde os tempos do império, não vai mudar absolutamente nada. Se não é o Sarney é o Renan, o Severino, o Collor e por aí vai…

Mais um post enorme. Ainda bem que a Barbara Gancia não lê o Esblogo, senão ia brigar comigo de novo! :P

O presidente do Afeganistão deu uma entrevista falando que tem certeza que Osama Bin Laden está morto. Não sabe dizer como morreu, nem onde está o corpo, mas tem certeza que ele já não anda mais no mundo dos vivos.

Eu acho que para os grandes interessados (ou não) em achar o cara, que são os americanos, o que dá mais angústia é essa incerteza. E agora? Morreu mesmo e a gente pode arrumar outro cara para ser o inimigo público número 1 da América, ou será que é mais um despiste e o cara está em um palácio no meio do deserto, cercado de mulheres de burka e homens bomba em treinamento?

A história dos americanos é cheia de gente que não se sabe como morreu, nem quando, nem onde foi parar, prá falar a verdade. Um dos casos mais comuns, referência constante em tudo que é filme e série americana é o tal do Jimmy Hoffa, que dirigia um poderoso sindicato dos caminhoneiros nos US&A e até hoje nego se pergunta o que aconteceu com o cara.

Pois é. O Bin Laden é assim também, mas em escala global. Se Hoffa é um caso conhecido no norte, o Bin é conhecido no mundo inteiro, principalmente por causa do 11 de setembro. E é tudo cercado de mistério. Eu não consigo imaginar como a maior potência militar do mundo, que achou o Saddam num buraco no meio do deserto, não consegue achar o cara ou confirmar que ele morreu. Tudo bem que o deserto é grande, enganador e traiçoeiro, mas com certeza ele não está sozinho por lá. Deve ter pelo menos um camelo junto, uma pequena comitiva, sei lá, prá quem sobrevoou o desgraçado do deserto que nem os americanos sobrevoaram, já deviam ter achado pelo menos umas comunidades nômades que trocaram uma idéia com o Bin.

Quando o Bush era o presidente da bagaça, eu até acho que ter uma “ameaça” pairando no ar era útil. Para o Bush, claro, que fazia o que bem entendia em nome da segurança nacional e vamos que vamos. Agora, me parece que o tal do Obama é um cara mais esclarecido, e com essa crise do capeta que tá por lá, ele deveria ter outra prioridade que caçar um fantasma barbudo. Se o cara morreu mesmo, se alguém sabe que ele morreu, devia aparecer e falar: Então, meu povo, o Bin já era. Vamos cuidar da vida, tocar o bonde e dar um jeito nas finanças aqui, porque o tempo que o Bushinho caçou o barba, nego aqui deu um jeito de tirar 50 bilhões da galera bem debaixo o nariz dele.

Numa época que a insegurança é outra, e não tem terrorismo maior que passar fome, seria uma boa, fala aí?

Esse devia ser o nome da lei do Serra sobre o cigarro. Que até agora só li gente sentando o cacete. Coincidentemente, as opiniões eram de fumantes.

Claro que se proibissem alguma coisa que eu gosto muito eu também ficaria puto. Lembro, por exemplo, que quando eu era moleque, e skatista, o Jânio quis proibir o skate em São Paulo. É ridículo, o Jânio era um véio gagá, mas apesar de diferença óbvia na categoria de proibidos, tem muitas semelhanças entre as duas proibições.

O Skate, alegava o nada saudoso político, era prejudicial à cidade. Destruía o patrimônio público, punha em risco a população, que podia ser atingida por um skate na cabeça e, principalmente, skatista era tudo marginal. O cidadão de bem poderia ser assaltado por um desses elementos, que fugiria em seu skate em alta velocidade. Sem contar que o barulho dos skates contribuía para a poluição sonora da cidade.

No caso do cigarro, por mais diferente que seja, também tem esse lado de ser prejudicial à cidade. Afinal, todo fumante que eu conheço, não se importa nem um pouco de jogar o cigarro no chão e pisar em cima, como se bituca não fosse lixo. Também coloca em risco o cidadão que está por perto e não quer fumar, mas acaba aspirando a fumaça alheia. E é óbvio que eu não vou dizer que todo fumante é um marginal que pode assaltar o cidadão de bem.

Infelizmente não é possível fazer uma lei implementando o bom senso. Ou proibindo a chatice. Falta bom senso dos dois lados, tanto de fumantes quanto de não fumantes. Dos fumantes de fumar exageradamente em ambientes fechados, mesmo quando permitido. Em restaurantes, várias vezes o limite entre a área para fumantes é um corredor entre as mesas. Mas ainda não ensinaram a fumaça a respeitar. E dos não fumantes em entender que cigarro é um vício e não é fácil (pelo menos é o que me dizem) largar de uma hora para outra. Se não quer ir num lugar e sair cheirando a cigarro, vá onde as áreas de fumantes são fisicamente separadas. Quer sair com amigos que fumam? Então não reclame do fumacê. Ou os convença a não fumar enquanto estiveram com você.

O ponto principal do problema, aqui, não é quem fuma e quem não fuma, nem onde e nem quando. O negócio é que está ficando cada vez mais difícil a convivência entre pessoas que pensam de forma diferente. A intolerância a idéias diferentes da sua própria está se tornando comum a ponto de aceitarmos qualquer medida, ditatorial que seja, para só estarmos perto de nossos iguais.

Meus pais e minha irmã fumam. Na minha casa, não fumam. Me faz mal, eu não quero, ponto. Conversamos civilizadamente e eles vão fumar na rua quando estão em casa. Do mesmo jeito, na casa deles, as regras são deles. Se querem fumar, fumam, eu saio de perto e acabou o drama. Tenho poucos amigos mais próximos que fumam. Não me lembro de ter ido a um restaurante com fumo liberado ou áreas próximas e ter ficado nele. Azar do dono, que perdeu um cliente. Compensa em fumantes, talvez.

Sei que cada dia mais, confunde-se segmentação com segregação. Encontrar pessoas com interesses parecidos com o seu é ótimo, mas desprezar e até mesmo hostilizar quem tem pontos de vista e hábitos diferentes não é segmentação. É preconceito. Burrice.

Dizem que o ser humano evolui. Eu acho que é mentira. Acho que o ser humano é uma espécie que “involui”, anda para trás, esquece o que aprendeu de bom e volta a fazer merda. A maior prova disso, ultimamente, é o trânsito.

Cara, eu acho que o povo tá esquecendo como dirigir. Isso se algum dia souberam. Todo dia eu saio de casa e levo a Dé para o trabalho, em Taboão da Serra. Cara, é impressionante o tanto de cagada. Gente que entra sem sinalizar, nego correndo (mesmo) na contramão (contra mão? contra-mão?), pedestre passando em tudo que é lugar sem olhar se vem carro ou não, tá uma beleza. Isso sem contar o tanto de gente que para, olha, vê que vem vindo um carro e entra na frente do mesmo jeito.

Esse feriado eu fui viajar. As estradas estavam cheias. E o pior, cheia de gente fazendo cagada. O terror das motos continua. Você está lá, a 100, 110 km/h e passa uma moto do teu lado que parece que teu carro tá parado. Quantos policiais os caras tem que matar até alguém fazer alguma coisa? Na ida um cara tentou mudar de faixa com o meu carro do lado do dele. O susto foi tão grande que a minha cunhada saiu até batucando prá tentar fazer barulho para o cara se ligar e parar. Depois de conseguir desviar (nem eu sei como), o cara encosta, vai devagarinho, parece que nem tava na estrada. Na volta, a mesma coisa. Esse nem deu tempo de tentar fazer nada. Só meti a mão na buzina e rezei para o cara parar. Depois o cara emparelha comigo para pedir desculpas. A Dé mostrou o Pedro prá ele, tipo “se liga o tamanho da merda que você podia ter feito, animal”.

Te falar que nunca tive, mas ultimamente ando até com medo de dirigir. Cada hora inventam uma lei nova, mas parece que as multas só chegam prá mim. E para o antigo dono da minha casa, que toda semana chega uma multa lá prá ele.

Lembro de um pedaço do livro do Seinfeld, O Melhor Livro Sobre Nada, que ele fala sobre o capacete. Não existe nada mais ridículo que o capacete, segundo ele, nessa linha de raciocínio: um dia, o homem percebeu que estava fazendo coisas para quebrar a cabeça. Em vez de parar de fazer essas coisas, ele achou que era mais legal inventar um negócio para proteger a cabeça. E mesmo assim, tivemos que transformar o negócio em obrigatório, porque senão nego continuava abrindo a cabeça em vez de usar o negócio que ele mesmo inventou para que isso não acontecesse mais.

Concordo com ele. O capacete é uma das soluções ridículas que o homem inventa para os mais variados tipos de problema, que ele mesmo cria.

Estou falando isso, porque depois da confusão do jogo entre SPFC e a galinhada, já tem gente falando em se proibir a presença de duas torcidas em campos de futebol. É a mesma coisa. Em vez que prender os vagabundos que brigam, tirar os pontos do time cuja torcida fez merda, responsabilizar os diretores de merda das federações e dos próprios times, ou seja lá qual a medida mais contundente, os caras querem que só vá uma torcida no estádio. Essa é a solução mais ridícula e preguiçosa que teria para esse negócio.

Proíbe logo a torcida toda de ir. É até melhor, porque o clube não tem que gastar com manutenção do estádio, só do campo. E todo mundo pode jogar na rua Bariri, no campo do desafio ao galo.

Melhor ainda!!!! Proíbe o futebol! Se não tem futebol, não tem torcida, aí não tem violência. Não é do caralho? Resolve todos os problemas de uma vez! Acaba com a corrupção dos cartolas, com a violência, com os cambistas, com as torcidas organizadas, com as brigas de marido e mulher domingo de tarde e quarta de noite. Essa é a solução. Nunca mais vamos ouvir falar de Ricardo Teixeira, Dunga, Gaviões, Independente, Mancha, bombas de efeito moral, mortos e feridos!

Quem sabe, com o futebol proibido, o povo não presta atenção no país que a gente vive, tira a neblina da distração da frente dos olhos e as coisas começam a melhorar.

Antes, todo mundo falava, em tom de profecia: “O mundo está ficando chato!” Pois é, cabe a mim o papel de arauto da destruição, portador de más notícias. O mundo JÁ ESTÁ chato. Não sei quem foi o filho da puta que inventou o tal do Politicamente Correto, que nada mais é que o jeito politicamente correto de ser chato, mas esse cara devia ser queimado na fogueira da anarquia enquanto se afogava num oceano inacabável de hipocrisia.

Porque eu quero saber quem é o cara, por mais chato, digo, politicamente correto, que seja, que nunca chamou um negro de “Negão”, nunca fez uma piada sobre uma deficiência de alguém ou que mesmo nunca tenha desejado, no confinamento secreto do lar, que um adversário entrasse em combustão espontânea.

Um dos exemplos é o trote da faculdade. Até os trotes agora são politicamente corretos. Daqui a pouco vão baixar um manual do trote. Eu fugi do trote quando entrei na faculdade porque era cabeludo. Um monte de gente se ferrou, ninguém reclamou. Não participei do trote porque não quis e não me arrependo. Faz parte do caos inerente à tudo que é anárquico essa coisa de não ter script. Quem quer me dar trote que me ache. Eu não quero passar por ele, me escondo. Rola uma interação entre calouros e veteranos no trote? Porra nenhuma? Nego nunca mais se vê e nem se fala. Uns querem mostrar que são “donos”(porra nenhuma) da faculdade e outros querem mostrar para a sociedade que passaram no vestibular. Eu acho uma babaquice, mas se tem quem goste, foda-se.

Hoje é normal, ao se ler a crítica de um show, filme, qualquer coisa, que seja mais forte ou mais engraçado, a expressão-clichê “deliciosamente politicamente incorreto”. Que é o jeito politicamente correto de dizer que o negócio não é chato. Ou seja, até para não ser chato, tem que ser chato, ao menos na explicação. E o pior: mesmo o cara chato, que criticou e achou legal, sabe que está errado.

Prá mim, não existem coisas erradas. Existem situações em que as coisas FICAM erradas. Pode ser uma hora errada, uma entonação errada, uma expressão errada, em que a coisa FICOU ou PARECEU errada. É quando a gente pensa “perdi uma chance de ficar quieto”. Aí não é questão de ser politicamente correto ou não. É questão de educação e inteligência (ou falta das duas coisas).

Eu, por exemplo, chamo meus amigos negão de negão, os gordos de gordo, meus pais de véio, conto piada até em velório, encho o saco de todo mundo e não dou a mínima para quando enchem o meu. Em compensação, detesto falcatrua, não dou grana pro guarda prá escapar da multa, e tem assuntos, como violência contra mulheres e crianças que me deixam doido de ódio só de ouvir. Isso não quer dizer que eu sou politicamente isso ou aquilo.

Quer dizer que eu sou humano.

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