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Do Pedro e da Dé. E eu vou, como sempre, não perco nem debaixo de porrada. Tudo ótimo, tudo certo, tudo lindo, diz o médico e é sempre muito bom ouvir isso. O Pedro tá com 955 gramas, o que é normal para a idade gestacional, mas pai acha tudo lindo. Semana retrasada, quando a Dé sentiu mal e eu saí correndo com ela, ele tava com 840. 115 gramas em uma semana e meia. Nem eu cresço isso! ;P
E agora entramos na reta final. Seis meses, já. Faltam 3 ou menos, se ele resolver que é apressadinho. Mas o quarto está quase pronto, já tem roupinhas, toda vez que a gente vai no supermercado voltamos com pacotes de fraldas e ele já ganhou um monte de presentes dos avós, dos tios de sangue ou de afinidade e do pai e da mãe então, nem se fala!
Passa rápido, viu? Cara, agosto taí. Por essas e outras que a gente nem vê mais o tempo passar. E o pior, é que por mais que queira curtir, ver o barrigão da Dé, conversar com ele, também quer que agosto chegue logo, para ver a carinha dele, pegar no colo, ouvir chorar, dar banho, até limpar os cocôs!!!
O que não faz um filho, fala sério.
Hoje a gente foi na clínica do Dr. Zébão, prá fazer o exame morfológico de 21 semanas do Pedro. Esses exames são legais, porque a gente vê o bebê em detalhes. A médica mostra as mãozinhas, mede, conta os dedinhos, mostra os pézinhos, as perninhas, bracinhos, mede tudo quanto é osso que ele tem no corpo e vai contando para a gente como está cada coisa e como deveria ser nesse estágio da gravidez.
E a médica que atende a gente nesses exames é toda felizona. Mais do que gostar do que faz, e parece mesmo que ela gosta, acho que tem um pouco o alívio de não ter que dar más notícias. Ela mostrando hoje o coração e o cerebelo, falou prá gente como é, que é como deveria mesmo estar para estar tudo em ordem, e como seria se o bebê tivesse alguma doença ou má formação. Ainda bem que é assim, mas é impossível não pensar como é quando acontece o contrário. Ela mostrando a área do cérebro que deveria estar toda “cinza” na tela, com uns pontinhos pretos, falando para os pais: “Olha, essa parte aqui, com esses pontinhos pretos, não deveria ser assim. Esses pontinhos são os sinais que seu filho tem Síndrome de Down”. Hoje mesmo, depois que mostrou os rins do Pedro para a gente, falou que era um alívio ver que tava tudo bem, porque no último exame que ela tinha feito, os rins do bebê estavam com problema.
Cara, se eu recebesse a notícia, acho que caía no meio do consultório. Numa hora tão batuta como ter um filho, uma notícia dessas deve cair que nem uma bomba. Claro, que eu continuaria amando meu filho, talvez até mais, mas que deve ser um baque, isso deve. Pode falar o que for, mas todo mundo quer mesmo é ter um filho perfeito, lindo, saudável…
E imagino o lado dela, médica também. Deve ter pai que pira, fala que ela que tá vendo errado, que o computador tá com defeito, que tudo no mundo está errado e o filho dele é perfeito. Todas as profissões tem suas partes boas e ruins. Todo mundo tem que enfrentar crises em seus empregos, seja ele qual for. Mas tem dias que eu dou graças a Deus de não ser médico. As más notícias deles tendem a ser muito piores que na maioria das outras.
