Archive for the ‘Pedro’ Category
Desde quinta, todo mundo me pergunta: E aí, como foi? Como é ser pai?
A primeira pergunta é fácil de responder: foi tudo bem, tecnicamente. Os médicos são bons, o hospital é de primeira linha, a gente tinha todas as pessoas mais competentes que encontramos para cuidar da gente por perto.
Já a segunda…
É a maior viagem. Eu sempre falava para a Dé que ela já era mãe, mas que o pai só se dá conta a hora que vê a criança e tudo mais. Nem eu imaginava que estava tão certo. A hora que o Pedro colocou a cabeça prá fora da barriga da mãe, virou uma chave, apertou um botão, abriu um vórtice temporal, aconteceu alguma coisa e, 17:13hs do dia 07/08/08, nada mais importava nessa vida, só ele. O mundo inteiro tinha, para mim, 50cm e 3.710Kg. Nessa hora, parecia que eu nunca tinha gostado de nada. Pai, mãe, esposa, tio, tia, irmã, sobrinho, cachorro, video game, time de futebol, nada. São pessoas e coisas que eu sempre “apreciei”. Meu filho é a maior expressão de como é amar uma pessoa. Como disse um amigo: “Se na hora te falassem que prá ele ficar legal tinham que cortar 5 dedos da sua mão?” e eu falei “Ia pedir para cortar das duas, só prá garantir”. E o sentimento é esse mesmo. Nada no mundo é mais importante que ele. Nem eu.
A primeira coisa que eu escrevi, prá avisar a família, ainda dentro da sala de parto, foi para a minha irmã e para a minha cunhada: “3k710g eh a coisa mais linda que eu ja vi”.
É isso.
Mais uma semana se passou e nada do Pedro. Ele está bem, está grande, está pronto para nascer, mas por algum motivo que só ele pode explicar, não nasce. Eu tenho uma teoria: dentro da barriga da mãe está um clima agradável, úmido e ele está gostando de ficar ali. Aqui fora estava muito seco e ele não ia mesmo gostar.
Só que ontem, ahá, choveu. Deu uma melhorada na situação aqui fora, mesmo que ainda não seja nenhum espetáculo. Se eu estava certo e ele estava esperando uma chuvinha, já choveu.
Quarta vamos no médico, de novo. Vamos ver se ele resolve se coçar.
Nova consulta prá vermos o Pedro e ele deu uma desencanada de nascer. Está um pouco mais alto do que deveria, resolveu que vai esperar um pouco mais, mesmo a Dé já tendo as contrações.
Aparentemente, o fato da Dé ter ficado em casa para descansar fez o Pedro também dar uma descansada. É bom, porque ele vai ficando mais forte e tal, mas é ruim, porque a gente só vai ficando mais ansioso.
De qualquer jeito, agora, qualquer hora é hora. O Pedro já está pronto ara nascer, só falta mesmo ele ter vontade. Pelo que o médico falou, se a Dé agora fizer umas caminhadas e tal, ajuda o menino a querer nascer, então, ela já tá saindo para dar umas voltinhas com o Buster. E disse que é começar a andar para as contrações realmente aumentarem. Ou seja, parece que a coisa está próxima, mesmo.
Mas quem segura a ansiedade do cão?
VEM LOGO, FILHO!!!!

Domingão rolou o chá de bebê do Pedro para família e amigos. Um monte de gente foi: Tio Henrique e Tia Lurdinha, Tia Thaís e Tio Edson, minha Vó Lea, bisa do Pedro, o Beto, Denise, Luiza, Lili, Daniel, a turma da Dé que veio de Aguaí, Vô Gegê e Vó Beth, Tia Leila, Hiago, Tati, Maria Eduarda, Giovana, Tio Tom e Lia Lu, fora os amigos que não enfraquecem nunca, Lilica, Fábio e Malu, Lurds e Mamá, China e Tammy, Guará…
Tia Dê e tio Pé compraram metade da Alô Bebê, quase ganharam um franquia do dono da rede. Tio Yabas e Tia Carol, os orgulhosos padrinhos estavam… Estavam… Bem, orgulhosos!
Mais do que o monte de presente que o Pedro ganhou, a turma estar ali reunida foi o mais legal. É uma delícia ver um monte de gente que nós gostamos reunida. O chato só é não ser o multi homem, virar um monte de eus e ficar com todo mundo ao mesmo tempo. Vai ficando um pouquinho com cada um e no fim das contas parece que não ficou direito com ninguém.
Mas agosto tá chegando, o Pedro tá chegando e meu coração está quase saindo pela boca.
Não vejo a hora.
Gordo. Essa é a melhor palavra para definir o pimpolho.
Há 3 semanas o médico disse que agora é normal ganhar 200 gramas por semana. Naquele dia, ele estava com 1.4kg.
Hoje, 33 semanas, 45 centímetros e 2.2kg. O moleque é um toiço.
Ficamos lá 20 minutos no monitoramento, prá ver frequência cardíaca e contrações. Tudo normal. O exame de toque também mostrou que o colo está fechadinho, todo mundo, bebê, mamãe, corpo da mamãe e até eu, sabe que ainda não está na hora, que tem mais 5 a 7 semanas para ele dar as caras.
Passa rápido. As últimas 33, voaram.
Sábado pendurei uma estante e um varão de cortina, que ficam umas bolsas que a Dé fez, em cima da cômoda. Ontem, com luz natural, coloquei o lustre que compramos. Na sexta a Dé terminou a primeira parte da cortina. Agora, acho que ao terminar a segunda, o quarto do Pedro vai estar pronto para a chegada dele. Também já tirei o carrinho de dentro da caixa e montei, para ir arejando. Imagino que, mesmo bebê, ninguém gosta de cheiro de coisa guardada.
Dia 29 tem o chá de bebê. Aí é só ver o que o pessoal vai dar para gente e comprar o que ficar faltando. De importante, só a banheira, mesmo, que ainda não temos. Berço, cama, cômoda, carrinho, cadeirinha para o carro e para carregar, tudo já tá beleza. Roupinhas também tem bastante. Até tênis do SPFC ele já tem (e nem fui eu quem comprou).
Já fomos na maternidade, já conversamos com o médico sobre como pretendemos que seja o parto e já estudei uns 800 caminhos diferentes para chegar na maternidade em caso de trânsito, guerra, enchente, tufão, terremoto e ataque do Godzilla.
Está chegando a hora. Aquela que eu não consigo mais esperar.
Um dia nego escreveu que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Esse não teve filho!
Do Pedro e da Dé. E eu vou, como sempre, não perco nem debaixo de porrada. Tudo ótimo, tudo certo, tudo lindo, diz o médico e é sempre muito bom ouvir isso. O Pedro tá com 955 gramas, o que é normal para a idade gestacional, mas pai acha tudo lindo. Semana retrasada, quando a Dé sentiu mal e eu saí correndo com ela, ele tava com 840. 115 gramas em uma semana e meia. Nem eu cresço isso! ;P
E agora entramos na reta final. Seis meses, já. Faltam 3 ou menos, se ele resolver que é apressadinho. Mas o quarto está quase pronto, já tem roupinhas, toda vez que a gente vai no supermercado voltamos com pacotes de fraldas e ele já ganhou um monte de presentes dos avós, dos tios de sangue ou de afinidade e do pai e da mãe então, nem se fala!
Passa rápido, viu? Cara, agosto taí. Por essas e outras que a gente nem vê mais o tempo passar. E o pior, é que por mais que queira curtir, ver o barrigão da Dé, conversar com ele, também quer que agosto chegue logo, para ver a carinha dele, pegar no colo, ouvir chorar, dar banho, até limpar os cocôs!!!
O que não faz um filho, fala sério.
Hoje a gente foi na clínica do Dr. Zébão, prá fazer o exame morfológico de 21 semanas do Pedro. Esses exames são legais, porque a gente vê o bebê em detalhes. A médica mostra as mãozinhas, mede, conta os dedinhos, mostra os pézinhos, as perninhas, bracinhos, mede tudo quanto é osso que ele tem no corpo e vai contando para a gente como está cada coisa e como deveria ser nesse estágio da gravidez.
E a médica que atende a gente nesses exames é toda felizona. Mais do que gostar do que faz, e parece mesmo que ela gosta, acho que tem um pouco o alívio de não ter que dar más notícias. Ela mostrando hoje o coração e o cerebelo, falou prá gente como é, que é como deveria mesmo estar para estar tudo em ordem, e como seria se o bebê tivesse alguma doença ou má formação. Ainda bem que é assim, mas é impossível não pensar como é quando acontece o contrário. Ela mostrando a área do cérebro que deveria estar toda “cinza” na tela, com uns pontinhos pretos, falando para os pais: “Olha, essa parte aqui, com esses pontinhos pretos, não deveria ser assim. Esses pontinhos são os sinais que seu filho tem Síndrome de Down”. Hoje mesmo, depois que mostrou os rins do Pedro para a gente, falou que era um alívio ver que tava tudo bem, porque no último exame que ela tinha feito, os rins do bebê estavam com problema.
Cara, se eu recebesse a notícia, acho que caía no meio do consultório. Numa hora tão batuta como ter um filho, uma notícia dessas deve cair que nem uma bomba. Claro, que eu continuaria amando meu filho, talvez até mais, mas que deve ser um baque, isso deve. Pode falar o que for, mas todo mundo quer mesmo é ter um filho perfeito, lindo, saudável…
E imagino o lado dela, médica também. Deve ter pai que pira, fala que ela que tá vendo errado, que o computador tá com defeito, que tudo no mundo está errado e o filho dele é perfeito. Todas as profissões tem suas partes boas e ruins. Todo mundo tem que enfrentar crises em seus empregos, seja ele qual for. Mas tem dias que eu dou graças a Deus de não ser médico. As más notícias deles tendem a ser muito piores que na maioria das outras.

