Archive for the ‘Histórias’ Category

Sempre que meu sogro pede um churrasquinho na barraca de lanches, ele pede assim. Um churrasquinho na frança. Pois é. E lá fui, a trabalho, dar um rolê na França. E pelo relato abaixo, que deve ficar bem grandinho, inclusive, vocês verão que eu achei a França bem mais legal que um churrasquinho.

Dia 1 – A viagem

Domingão, casquei para a casa do meu chefe que a gente tinha combinado ir de lá para o aeroporto. E assim fizemos. Embarcamos 18hs mais ou menos de Air France para Paris. 12 horas depois, desembarcamos no Charles De Gaulle, o maior aeroporto que eu já vi. E saímos correndo para dar tempo de pegar a conexão para Nice. Chegamos em Nice umas duas da tarde, horário local, mas meu organismo ainda entendia como horário de Brasília, ou seja, 10 da manhã. Pegamos um táxi, que era uma BMW, para Cannes. No caminho eu já fui passando mal. Parecia que eu tava em um cenário do Gran Turismo. As ruazinhas estreitas, as casas de sei lá eu quantos anos, e por aí vai. Chegamos em Cannes, tomamos um banho e fui para a feira que era o objetivo da minha viagem para lá, a Mipcom, que é a maior feira de conteúdo e tecnologia de TV no mundo todo.

Chegamos lá e eu parei para tomar fôlego. Cannes é uma cidade linda e o lugar da feira então, nem se fala. Fizemos o credenciamento, falamos com uns caras, mas como já era meio o final do dia, já estavam começando as festas. Primeiro, uma festa mexicana no stand da Televisa, que é a TV mexicana que faz as novelas que passam no SBT. Depois, a noite, uma festa do pessoal de cinema da Índia, que fechou o Hotel Magestic e armou a maior balada. Engraçado prá caceta, não precisa nem falar.

Dia 2 – A feira e Le Petit Enfant

Terça feira, dia de ir para Mipcom com fé e vontade de fazer negócios. E fomos. Conversamos com gente do mundo inteiro e tenho certeza de uma coisa: O jeito que a gente vê TV hoje vai mudar muito em poucos anos. Nesse dia tivemos ainda um convite para um coquetel na quarta feira, com um pessoal do Canadá, em um barco, que estava na Marina de Cannes.

E foi também o dia que conhecemos a nossa terceira mosqueteira, Le Petit Enfant, uma companheira inesperada nessa viagem maluca: a filha de um colega, de 17 anos, que estava fazendo intercâmbio na França. Foi participar conosco da feira e acabou ficando com a gente até o dia da volta.

Trocamos a menina de hotel, já que ela estava em um podre, muito longe de Cannes e saímos para jantar. Rapaz, como se come bem em Cannes. A gente sempre andava para lá e para cá a pé, já que estávamos perto de tudo. Além do mais, é sempre um bom jeito de conhecer lugares batutas.

Dia 3 – Mais feira e a balada no barco

Mais um dia de exploração da mipcom. Paramos no Stand do pessoal do Japão que estava lá para vender o Ultraman. O cara viu que ficamos emocionados com o que a gente tava vendo, afinal, é uma volta no tempo, e deu para a gente a edição comemorativa de 40 anos do chaveiro do Ultraman!!!! Animal. Batemos perna e fizemos várias reuniões, algumas muito boas, outras nem tanto, encontramos o Reinaldo, sócio do Yabu, cheio de boas notícias e fomos para a tal balada no barco com o pessoal do Canadá.

É o que eu sempre digo: existe um mundo melhor. Mas é mais caro. E quanto melhor o mundo, mais caro ele fica. Chamar aquilo de barco é uma ofensa. Aquilo é maior que a minha casa. E mais bonito. E mais tudo. 3 horas de champanhe e muita conversa, saímos com a certeza de que faremos ótimos negócios com esse pessoal, que estão tão empolgados com o negócio quanto a gente. Jantar, hotel, arrumar as coisas porque na quinta era dia de embarcamos. Para Paris.

Dia 4 – Paris e o roubo

Tomamos um café da manhã em Cannes, com o pessoal da Blinx, que também está empolgado para fazer negócios com a gente, e picamos a mula para Nice, para pegar o avião para Paris. O caminho de Cannes para Nice é muito lindo, fala sério. Como disse, parece que eu estou no Gran Turismo.

Chegamos em Paris e só aí que eu me liguei que a cidade é sede da Copa do Mundo de Rugby que está rolando. E que os caras na Europa gostam mais de Rugby que de futebol. Para eles, o futebol está mais ou menos como para a gente. Um bando de gente que ganha muito dinheiro pelo pouco esforço que faz. Mas enfim, a cidade estava bombando.

Deixamos as coisas no hotel e saímos, para ver a cidade e jantar. Não conhecia Paris e sempre ouvia falar que a cidade é bonita e tal, mas supera qualquer expectativa que eu pudesse ter. A cidade é maravilhosa. Do lado do nosso hotel era o Arco do Triunfo, que é foda. Pegamos a Champs Elyseés e fomos entrando em tudo quanto era loja. Loja de protótipos da Peugeot, da Mercedez, Fnac, Disney, Virgin Megastore, uma mais bacana que a outra. Fomos até o final da Champs Elyseés e demos um rolê na roda gigante que tem lá, para ter uma panorâmica da cidade ao anoitecer. Muito louco. Jantamos e voltamo para o hotel. Para a nossa surpresa…

Fomos roubados!!!! Entraramo nos nossos quartos e levaram as nossas coisas. Notebooks, PSPs, iPods, telefones, dinheiro… Não levaram as roupas e nem as bagagens, só o que tinha de eletrônico, mesmo. E o pessoal do hotel se recusava a chamar a polícia. No fim, acabamos chamando a polícia que, como cá, não resolveu nada. Só mandaram a gente ir para a delegacia no dia seguinte e prestas queixa. Imagina a noite que a gente não passou nessa merda de hotel. E não era um hotel vagabundo, antes que alguém me pergunte. Era o Mercure, do lado do Arco do Triunfo.

Dia 5 – Polícia e museus

Para nossa sorte, a advogada da Band, que é francesa, estava lá, em uma reunião de família, e foi nos ajudar. Fomos para a polícia, prestamos queixa de tudo e voltamos para o hotel, para sair de lá e ir para outro lugar. Chegando lá, encontramos o gerente do hotel e foi o maior stress. O cara disse que ELE investigou tudo enquanto a gente tava fora e que a gente não foi roubado. Que isso era um golpe que brasileiros estavam tentando dar no hotel. Não vou entrar em detalhes nesse post, mas escrevo um só prá falar dessa parte depois. Mas rolou uma orientação da nossa advogada para a gente repor tudo que roubaram, pra depois a gente cobrar do hotel.

Ou seja, mudamos de hotel e fomos fazer compras. Fazer em compras em Paris, sabendo que depois você vai ser reembolsado é do caralho, fala sério. Entramos na Fnac e mandamos prá dentro dois MacBooks, um iPod, um HD, ou seja, tudo que roubaram da gente, menos os PSPs. Depois de guardar tudo, dessa vez diretamente no cofre do hotel, não dos quartos, fomos para o Louvre.

Impossível descrever o Louvre. É o lugar mais do caralho que eu já vi na minha vida. Sem sacanagem, muda a perspectiva da vida. A gente se sente pequeno vendo aquilo. Primeiro porque o bicho é enorme, mesmo, depois, porque o que os caras que estão lá fizeram, duvido que alguém vá fazer de novo em pouco tempo. Fui ver as coisas de Napoleão, as coisas egípcias e, claro, a parte italiana. Tem coisas que o dinheiro não paga e uma delas é ver a Monalisa original a menos de 3 metros de você. Em uma tarde eu aprendi e passei a gostar de coisas que uma vida inteira não tinha conseguido me fazer gostar. Só isso.

Saímos do Louvre e fomos jantar em outro museu. Sim, isso mesmo.Jantamos no restaurante do Centro Cultural Georges Pompidou, que é um museu de arte moderna. Comi o melhor pato que já experimentei na vida e voltamos para o hotel, agora com tudo lá.

Dia 6 – Dia de fazer compras

Compras em Paris. O sonho de qualquer consumista. E de lá vieram presentes para o pai e para a esposa, além de um belo azeite para minha casa e uma camisa dos All Blacks para mim. Afinal, eu também gosto de Rugby! Comemos na Angelina, onde descobri o que é chocolate. Comprar perfumes para a Dé na Sephora, que é um desaforo o tamanho daquela loja, PQP, mais presentes para a Dé diratemente da GAP e fomos jantar. E bora para o hotel, arrumar as coisas. Que afinal, o dia seguinte era o último dia na França, a gente tinha que aproveitar.

Dia 7 – O último dia é sempre o melhor

Já reparou nisso? Começamos o último dia na Torre Eiffel. Bacana. Mas gostei mais do Arco do Triunfo, prá falar a verdade. Depois, uma igreja que o Boss sempre vai e pegamos o rumo para Notre Dame. Foi entrar lá e desaguar a chorar. Não sei, não me pergunte porque. Eu só queria ficar lá, chorar e rezar. E foi o que eu fiz. Chorei e rezei até, saí de lá leve. Acabado o Tour da Fé, vamos nós tratar da diversão.

Meio dia a gente chegou na Euro Disney! Uhu! Que muito louco. Space Mountain, Montando russa do Indiana Jones, Mansão Mal Assombrada e o recorde mundial de Rock’n'Roller Coaster, as montanha russa do Aerosmith. Para variar, compras, claro. E de lá, mais presentes para a Dé, para a mãe e para o meu sobrinho que chega em breve. E já chega com presentes da EuroDisney. Isso que é tio, fala sério.

Voltamos de trem para Paris, fomos comprar umas malas, já que no roubo destruiram as nossas, sem contar que levaram uma minha para carregar as coisas, arrumar o que faltava e voltar para SP.

O vôo de volta foi melhor que o da ida. O avião era maior, eu tinha companhia para conversar e ainda assisti Harry Potter e as férias do Mr. Bean. Aliás, quase apanhei no avião, porque eu ri tanto que acordei todo mundo!

C’Est le fin?

Nem a pau. Gostei tanto que já avisei a Dé que eu volto para lá, dessa vez só para passear e que ela vai comigo. Paris é uma cidade do caralho, mas é muito melhor se você está com quem gosta. E ainda tinha que entregar os presentes. A Dé e o Caio já ganharam. O pai e a mãe ainda não. Tem que esperar eles aparecerem por aqui para entregar. Senão, o Natal deles já tá garantido.

O meu, na verdade, até já foi. Mas a vontade de voltar mais vezes só começou…

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Estava eu ontem de manhã na minha mesa, quando chega o meu chefe:

- Paul, já tomou café da manhã?
- Não. Vamoae?
- Você tá em jejum?
- Tô, vamos bater um rango ou não?
- Vamos, mas antes… Vamos fazer um teste de glicemia aqui.

Sacou um medidor de glicemia, um treco para furar o dedo e veio. Espeta o dedo e nada de sair sangue.

- Ué, será que deu pau?

Troca agulha, espeta o próprio dedo e pimba. Sangue. Troca de novo a agulha, espeta o meu dedo e nada. Muda a força do furadorzinho, espeta e nada. Começou a ficar puto:

- Porra Paul, você trabalhou na construção civil ou é parente do Wolverine?

Trocou de agulha umas 3 vezes, mudou a regulagem do treco de furar o dedo até que furou. No dedo de mundo mundo correu um rio de sangue. No meu, fez uma bolinha de sangue só e mais nada.

Só esqueci de avisar que os 20 anos de guitarra, baixo e violão deixam os dedos um pouco menos sensíveis que o normal… ;o)

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Outro que é campeão em contar causos, é meu avô paterno, de quem herdei o nome (até onde sei chamo Paulo por causa dele, assim como meu pai chama Paulo por causa do avô dele!).

O véio tem 91 anos e várias histórias para contar. Uma delas, a da Mula sem Cabeça, é a que eu mais gosto.

Conta o véio que, no idos de 1900 e Dercy Gonçalves, ele morava em São Paulo, em Moema, recém casado com a minha avó e, segundo ele conta, naquele tempo Moema era um baita meio de mato, longe que só do centro da cidade. E, como era normal entre a italianada da época, todos os parentes moravam perto.

E uma bela noite, ele se preparava para dormir quando escuta umas pauladas na janela e a voz do cunhado, desesperado:

- Paulo, Paulo, abre pelo amor de Deus, me ajuda!

E ele, com o coração a mil, abriu, o cunhado branco de medo:

- É a mula, Paulo, me ajuda, a mula!!!!
- Que mula, rapaz, tá doido? A gente não tem nenhuma mula!
- A mula sem cabeça, tá aqui, vamos lá!!!

Meu avô catou a bereta, espingadinha da família, e lá foram os dois atrás da mula, com o cunhado dele explicando:

- Eu acordei com vontade de ir no banheiro. Aí quando estava levantando, ouvi alguém batendo na minha janela, até achei que era você. Quando abri, tava lá ela, a mula sem cabeça, batendo com a pata de trás na minha janela. Quase me borrei, vamos lá, vamos tentar espantar a bicha, ou matar, mesmo!

Chegando lá, viram a mula. Andando tranquilamente perto da janela. Levantaram o lampião:

- Vai Paulo, atira.
- Espera, tem um negócio esquisito.
- Claro que é esquisito, é uma mula sem cabeça, tem que ser esquisito.
- Não, o esquisito é que a mula tem cabeça, olha lá. Aponta o lampião direito ali.

Quando iluminaram a área, tava lá, um cavalinho, sossegado, pastando.

Deram a volta por trás do cavalo e, olhando pela janela, o cavalo com a cabeça abaixada pastando, iluminava só o corpo e a cabeça sumia na escuridão.

- Mula sem cabeça, seu cagão?
- Eheheheheh, mas parecia, quando olhei.
- Parece que você é um covarde, isso sim.
- Ah, olhando daqui olha como parece…

Nisso, o cavalo levanta a cabeça, olha para os dois e sai andando, tranquilo, para um lugar mais afastado. Até hoje, quando conta a história, ele me fala:

- Acho que foi mesmo pastar em outro lugar mais sossegado, que a nossa discussão tava é atrapalhando o coitado…

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Uma das coisas que eu gosto muito no meu bom e velho amigo Sagaz, é a capacidade de escrever bons causos. Mais que isso, de lembrar de tantos e bons causosm daqueles que podem ser contados mil vezes, na mesma roda de amigos, que mesmo todo mundo sabendo da história, quer ouvir de novo.

Outro que é assim é meu sogro, dono de causos espetaculares, deles ou de conhecidos, que sempre que conta, todo mundo para e ouve. E quando ele não conta, a gente pede. Os causos já tem até nome, e a gente se diverte.

Tem 3 desses causos dele que eu vou contar aqui. Quem sabe o Sagaz não amina e atualiza o blog com alguns novos. ;o)

A simpatia

Por vários anos, meu sogro pilotou caminhões pelo Brasil afora, carregando de tudo que você imaginar. Papelão, flor, cavalo… E numa dessas voltando de Brasília, sentou num posto de gasolina, daqueles cheios de caminhoneiros, prestando especial atenção a um negão que ensinava aos demais uma simpatia para não dormir no volante.

- Então, faz o seguinte. Quando estiver com muito sono, para, pega o martelinho de bater pneu, sai do caminhão e faz no sentido anti-horário a volta no bichão, batendo os pneus. Dá três voltas batendo os pneus, o último vai estar já na porta da boléia, monta e vai embora, que o sono passou!

Chegando perto de Uberaba, de madrugada, eis que o danado começa a piscar no volante. Lembrou da simpatia do Negão e pensou: Mal não há de fazer. Desceu do caminhão com o martelinho e começou a bater os pneus. No meio da segunda volta, parou perto dos pneus traseiros porque deu uma vontade doida de fazer um xixi.Mal começou a tirar a água do joelho, do meio do nada surge uma voz que diz, bem alto:

- Ô, me dá um cigarro aí!

No susto, montou no caminhão, não sabe até hoje dizer que marcha colocou e foi, esperto até chegar em casa. No final, perguntei: “Mas e aí? Fez a tal simpatia de novo?” E ele?

- Eu não, vai que a vontade de mijar e a voz são por causa dela!

As éguas e as onças

Dessa vez, estava ele com um companheiro de viagem, lá pelo meio do Mato Grosso, com uma carga de éguas. Quando saíram para a cidade que iam, um Matogrossense ainda avisou que a estrada era de terra e que, se chovesse, eles teriam problemas e poderiam atolar. Quando o amigo disse que desatolava, o gaiato respondeu: “Só toma cuidado com as onças!”

Dito e feito! Choveu, o caminhão atolou e a noite chegou. As éguas começaram a ficar agitadas e os dois começam a discutir:

- Vai lá ver, Gê! (Gê é meu sogro)
- Eu não, vai você.
- Eu hein! Vai que é onça.
- Ah, e eu posso ir ver a onça.
- E se comer as éguas???
- Antes elas do que eu.

E as éguas ficando agitadas, os dois se borrando de medo dentro do caminhão, não saíam nem para fazer as necessidades. Olhavam para fora, um breu só, não se via nada. Nem abriam o vidro, vai que a onça entra. Uma hora, acordaram, já de manhã, com uma pancada no vidro do caminhão. Era o motorista de um ônibus de bóia fria. Os bóia frias ajudaram a desatolar o caminhão, mas perguntaram se os dois passaram a noite ali. Meio sem jeito, com um pouco de vergonha, responderam que sim, que preferiram não tentar desatolar de noite por causa das onças. Até que um respondeu:

- Aqui não tem onça, não. No meio das fazendas elas não entram, o pessoal espanta.

E lá se foram os dois, atrasados, enlameados e com um caminhão de bóia fria, rindo dos dois.

Xixi atrás do armário

Voltando do triângulo mineiro, quase chegando em casa, vinha descendo uma serrinha quando tentou frear e descobriu o desespero: o caminhão estava sem freio!

Pensa, reduz, tenta segurar no motor e nada, em breve passaria pelo meio de uma cidadezinha, poderia machucar alguém, o que fazer????

Ao chegar numa ruazinha um pouco mais reta, viu um baita murão e pensou: “É ali mesmo. Vou jogar o caminhão no muro, de lado, prá tentar parar no atrito”. Das palavras, à ação. Mirou, pensou, se segurou do jeito que dava e pimba, com o caminhão no muro. Diminuir, até que diminuiu, mas não parou. Até que perdeu um pouco o controle e foi de encontro a uma casa. Acabou com o caminhão dentro de um quarto.

Desceu do caminhão, mas as pernas estavam moles, sem contar a vontade incontrolável de fazer um xixizinho de desespero. Sem saber onde ir, encostou atrás do guarda roupas semi destruído do dono da casa e foi ali mesmo.

No final das contas, quando chega a polícia, circo armado, eis que fala o dono da casa:

- A única coisa que eu não entendo é esse cheiro de urina na minha casa!

E ele, que disfarça bem que só:

- Ah eu não sei. A adrenalina está tão alta que não estou sentindo cheiro de nada…

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Eu tenho um amigo que costuma me falar que eu sou um maloqueiro de terno e gravata, fantasiado de executivo. E ele está certo.

Ontem eu estava indo para uma reunião perto do escritório e, para ajudar a salvar o planeta, fui a pé. São só umas 10 quadras.

Saí daqui, com um consultor que trabalha para mim, peguei a Faria Lima, virei na Jesuíno, entrei na rua do Rócio e ouvi, baixinho, um “por favor”. A gente vinha no pique, mas eu atinei. Parei, olhei para trás, tinha um cara, aparentando uns 50 anos, num carro, parado. Pensei, deve estar perdido. Voltei, abaixei na janela dele e disse: “Me desculpe, o senhor me chamou?”. Não estou sacaneando, foram exatamente essas palavras. E o cara vira prá mim, no maior piti: “Chamei, ia pedir uma informação, mas você saiu andando, mal educado prá caralho, vai se foder!”.

Rapaz… Prá mim! Depois de eu ter, humildemente, parado, voltado para falar com ele em vez de continuar andando. Fiquei puto. Sangue nos olhos. Esqueci onde eu ia, onde eu estava, só pensava em socar o desgraçado. Fui prá cima dele.

“Quer informação, filho da puta? Eu tenho uma, da sua mãe, aquela vadia!”. E o cara atravessou a rua e começou a ir embora, eu atrás: “Volta aqui viado, corno, não é macho prá xingar. Vou encher a sua cara de porrada, filho de uma puta!”. E o consultor que estava comigo, me puxando pelo braço: “Para, cara, vamos embora, larga mão!”. E eu puto: “Vou chutar o carro desse desgraçado…”. E o consultor: “Para, meu, vai que o cara tá armado…”.

Bom, no fim, não chutei nada, nem ninguém, continuei o meu caminho e fui para a reunião. O que me irritou não foi o cara ter me xingado. Se eu tivesse ido embora, sem nem olhar para a cara dele, ele tava mais que certo em ficar puto. Mas eu parei, voltei, pedi desculpas e o cara veio querer tratar mal. Deve ter pensado: “Ih, afinou, agora vou tripudiar.” e se fodeu, porque eu não levo desaforo prá casa.

Essa atitude do cara é típica de brasileiro (isso, nós mesmos), que tem certeza de impunidade. Pode fraudar o imposto que ninguém percebe, pode roubar que ninguém prende, pode matar que o advogado solta e pode xingar os outros na rua que o cara ouve quieto, porque somos os poderosos fodões. Sei que posso até estar exagerando, que o cara pode ser até legal e eu que peguei ele em um dia ruim. Mas eu acho que quem tem uma atitude dessas com uma pessoa que não conhece, é um escroto.

E devia ter apanhado. Prá largar mão de ser.

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Toda empresa que trabalhei na minha vida me causou uma sensação diferente. No UOL, ainda mais quando era mais embrenhado na Folha, eu me senti importante. Sei lá porquê, acho que é porque eu sempre gostei da Folha, mesmo sem dar muita bola para jornal. Ainda é o jornal que eu leio todos os dias (pela internet) e é o veículo (ao lado da CBN) que eu mais acredito. Isso porque estive lá dentro, comunguei de seus valores e realmente se dá valor para a informação correta e isenta lá dentro.

Claro que eu não era do jornal, mas sempre me senti parte daquilo ali. Isso porque o todo mundo que trabalha lá, ou que trabalhou na mesma época que eu, adorava a empresa. Até hoje falo que foi a melhor empresa que eu já passei, e olha que se trabalha prá valer por lá. Não tem horário, cidade, dia, país… Eu podia estar em qualquer lugar a qualquer hora, tudo porque precisava e era importante para a empresa. Por isso, me sentia importante.

Quase não tive contato com o Seu Frias. Falar com ele, tirando as vezes que nos cumprimentamos (geralmente no restaurante da Folha), acho que só em um almoço da Folha, uma vez. Que ele me mandou fazer alguma coisa e eu saí correndo prá fazer antes que ele lembrasse da minha cara. Lembro de duas histórias dele, que adoro contar.

Uma eu não vi, mas quem estava me contou e eu adoraria estar lá. Na inauguração do CTGF (a gráfica da Folha), com vários convidados importantíssimos, o presidente da república, na época o FHC, fez um pequeno discurso, em que agradeceu o seu Frias, pois a Folha foi o único jornal que deixou que ele escrevesse durante a ditadura e, ainda por cima, a convite do próprio Frias. Depois dele falar, o seu Frias respondeu: Olha Presidente, fico muito feliz, mas confesso que quando eu te chamei prá escrever aqui, estava torcendo prá você dizer não! Vai que fechavam o meu jornal…

A outra, essa sim eu vi, pois estava lá, foi num almoço de final de ano do Grupo Folha, com todos os executivos presentes, pois era quando os presidentes das empresas falavam dos resultados de cada uma delas. No final, Otávio e Luís Frias falavam da Folha e do Grupo como um todo. E agradeciam, solenemente, ao pai, que na época tinha 80 e tantos anos, mas estava sempre pela Folha, cuidando não só da empresa que ele montou, mas do que a gente sabia que era a grande paixão da vida dele. Quando eles agradeceram, olhei para o Seu Frias, pois eu estava na mesa do lado dele, e ele estava sossegadão, meio cochilando depois do almoço, só acordou mesmo para agradecer aos aplausos.

Engraçada a sensação quando li, ontem, que ele tinha morrido. Apesar de nunca ter sentado e conversado com ele, e dele talvez nem saber quem eu era e o que eu fazia lá nas empresas dele, fiquei sentido. Sei o quanto ele era importante para muita gente que eu gosto muito e para a Folha toda. Que os ensinamentos dele continuem norteando a Folha, pois mais que o dono, acho que isso é o que ele sempre foi para a turma de lá: um guia.

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The surfer lizard
Ou: A lagartixa surfista

São Paulo. 8 da matina. Está frio e a garoa é intermitente. Tiro meu carro da garagem e rumo à rua Funchal, onde começarei mais uma semana de trabalho.

2 minutos depois de iniciar o trajeto algo chama minha atenção pelo espelho retorvisor. É uma lagartixa, que sem a menor cerimônia, escala lentamente o vidro traseiro do meu carro. Pensei em ligar o limpador de para-brisas para tirá-la de lá. Afinal, ela não tinha me pedido a carona. Mas achei que era melhor não fazer isso. Simplesmente resolvi deixá-la subir para ver o que ia dar. Onde ela iria parar.

Dirigi por algumas ruas, meio que olhando o trânsito, meio que vigiando a lagartixa. Alguns bairros depois do início do trajeto, eu só via parte do rabo da lagartixa. Pouco depois, mais nada. Ela estava no teto do carro. Era oficialmente a primeira lagartixa surfista urbana de que eu tinha notícias.

Em uma área livre (milagre!), acelerei um pouco mais. Diminui. Fiquei com medo de derrubar a lagartixa de seu passeio. A garoa deu uma engrossada! Agora ela devia estar se sentindo a própria surfista, molhada e tudo. O trânsito volta a apertar. Paro em algumas avenidas e dentro do túnel Sebastião Camargo, onde, percedo, outros motoristas olham com interesse para o meu carro. Ela devia estar dando um show, a lagartixa. Saí do túnel, contornei as poucas ruas que faltavam e parei no estacionamento do prédio. Procurei por ela na capota do carro.

Me olhou com cumplicidade e, tenho certeza, sorriu e me disse: WAZAAAAAAP????

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Troféus no PS3
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