Archive for the ‘Filosofia de Buteco’ Category

Desde setembro que não escrevo nada no blog. Vergonha total. Mas a anarquia é marca registrada do Esblogo, então está tudo certo. Mas não podia deixar de passar por aqui para a minha tradicional mensagem de final de ano.

Começo dizendo o de sempre: o que mais gosto no Ano Novo, é que tudo que era velho, fica novo! Tudo é a primeira vez. O primeiro banho do ano, o primeiro rango, a primeira coca, a primeira cerveja, o primeiro abraço, o primeiro beijo… Tudo que era comum fica especial de novo, num passe de mágica. Isso tem nome e é RENOVAÇÃO. É a chance que temos a cada 365 dias de pensar na vida, de recomeçar, de melhorar. De ter, de novo, primeiras vezes. E, como sempre me pergunta o Leo, qual foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?

É nossa hora de pensar na vida. E se 2009 foi um ano de muitas perdas, 2010 foi um ano de estabilização. Muito trabalho, também, acho que o ano que mais trabalhei, mas sempre procurando manter as coisas boas. E nesse aspecto, foi um bom ano. Começou e termina igual. Espero que isso seja a indicação de que 201o tenha sido o ano em que a base foi construída, para que 2011 seja um ano de crescimento.

De tudo que aconteceu em 2010, o mais bacana foram as novas amizades. Gente que eu adoro ter por perto, gente do jeito que todo mundo deveria ser. Bem humorados, certos, competentes e companheiros. Gente que espero ter por perto por muito tempo.

De ruim, fica a distância que cresceu entre alguns bons amigos, que amo, mas que estamos em caminhos diferentes. E por mais longe que estejamos, sem bater papo, sem tomar umas e dar risdas, nunca deixei de gostar e desejar o bem.

E claro, a família, que fica cada dia mais bonita. Falo isso sempre, e vou falar de novo: se eu soubesse que era tão bom ter filho, já teria tido antes. E se eu soubesse que o meu filho seria o Pedro, então… Fora os sobrinhos. A alegria da molecada quando está aprontando comigo vale qualquer coisa.

Os também tradicionais comentários nominais de final de ano:

Pedro e Dé – sem vocês, não tenho vida.
Pai e mãe – também, por motivos óbvios! Como diria a poetisa, obrigado por terem me tido! ;o)
Dê, Pelvin, Caio e Theo – como sempre, tudo porco-mamão!
Sogro, sogra, cunhados, agregados e aderentes – a família Buscapé.
Mocorongos, Sip, Alê, Lilica, Lumaria – saudades demais. Que 2011 a gente se veja sempre.
Leozito e Rubones – os irmãos que achei perdidos mundo afora.
Yabu e Gica – Cumpadi e cumádi, que vão me dar uma sobrinha nipo-tedesca de cabelo colorido!
Joanets, Anacris, Tiks, Ana Lentilha, Beto, Claudiones – talvez nem saibam o tanto que eu gosto de vocês. Mas sejam bem vindos à listinha de final de ano. :o )

É isso. Tchau, 2010.

Oi 2011! Daqui a pouco a gente toma uma juntos. Pela memória de quem se foi, pela saúde de quem ficou, pela alegria de quem chega com você.

Feliz Ano Novo, mundo!

Nas grandes cidades, principalmente São Paulo, os habitantes tem comportamentos estranhos. Isso é fato. Um deles, que eu já comentei aqui, é o lance de ter gente que vive se encontrando mas nunca se fala. Outro, menos curioso, mas claro para olhos mais atentos, é o farol de pedestres.

O pedestre das grandes cidades é, por si só, um personagem. Eles está, quase sempre, equipado para o dia. Como tem que sair de casa preparado para qualquer eventualidade, o equipamento do pedestre urbano é maior do que o pedestre que vai fazer uma trilha, por exemplo.

Porque tem literalmente de tudo. Roupa de calor, roupa de frio, guarda-chuva (ou capa), apetrechos do trabalho, pertences pessoais, uma festa. Se é homem, tenta socar tudo numa mochila. Se é mulher, tem mais opções. Uma bolsa grande, uma pequena com várias coisas sendo carregadas na mão, uma bolsa e uma mochila, tem configuração de tudo que é jeito. Tem algumas que andam pela rua de tênis e quando chegam no escritório (ou na balada) trocam por um saltinho.

Mas toda essa turma tem um obstáculo pela frente: o farol de pedestres. Pode reparar. O pedestre vem vindo pela calçada. O farol de pedestres está verde. Ele sabe que ainda tem um tempinho com ele verde e mais um tempinho com ele piscando vermelho. Mas o que ele faz? Para e fica olhando para o farol, como se o verde fosse uma pergunta. E agora? Vou ou não vou.

Já se o farol está piscando vermelho, eles não tem dúvida nenhuma. Em vez de parar, saem em disparada para o outro lado da rua, mesmo sabendo que não vai dar tempo de atravessar antes do farol fechar. É impressionante.

Mas tem ainda as variações. Os que chegam com o farol verde e param. Aí quando começa a piscar no vermelho, ele sai correndo para atravessar. E a última, mais divertida e mais perigosa variação da coisa. O que vê que está piscando vermelho, dá um pique no lugar, dois passos e, no meio da faixa de pedestres, resolve que não vai dar e tenta voltar. Essa é a mais perigosa porque o carro por onde ele já passou pensa “ele já passou, posso ir” e não pode. E os carros que estavam esperando o animal acabar de atravessar a rua, assistem de camarote o cara deixar cair tudo na rua, desviar de motoboy, xingar os motoristas e atrasar a vida de todo mundo.

Realmente, farol de pedestres é um mistério. Sei para o que serve, mas não sei se serve.

Nasci, cresci e vivo em São Paulo, o que não é novidade para ninguém que vem aqui. Morei fora da cidade duas vezes, mas ela parece que me chama de volta, sempre. Estou mais do que acostumado com as coisas daqui, sejam elas boas ou ruins. Quem vive aqui aprende que horário marcado é mais uma referência do que uma obrigação, porque sempre acontece alguma coisa prá te atrasar ou adiantar no caminho. Sabe que tem que tomar cuidado sempre, porque sempre tem alguém te vigiando com intenções duvidosas. E sabe que qualquer coisa que você quiser fazer na cidade, você faz, seja correr de kart terça feira de tarde, seja comer cachorro quente na rua às 4 da manhã.

Mas uma coisa que eu não consigo me acostumar é a quantidade de gente que a gente não conhece, mas vê sempre, a ponto de criar um certo relacionamento, mesmo sem nunca trocar uma palavra. As pessoas que a gente não conhece, não sabe o nome, não sabe onde mora e nem o que faz, mas que sempre vê por São Paulo. Uma hora vê no ponto de ônibus, outra passeando no Shopping, outra caminhando no parque, às vezes simplesmente andando pela rua, perto da sua casa.

E não são, essas pessoas, aqueles com quem rotineiramente você tem contato, como o cobrador do ônibus, o porteiro de algum prédio. São pessoas aleatórias, que por algum motivo, a cidade coloca no seu caminho (ou você no dela). Eu tenho alguns exemplos que me lembro sempre.

Uma senhora, que aparenta ter por volta de 50 anos, sempre de tranças como maria-chiquinhas, que sempre vejo andando pelas calçadas, seja perto de casa ou perto de onde trabalho. Quando está frio, além das tranças-maria-chiquinhas, ela coloca um gorro rosa. Uma menina, que deve ter uns 25 anos (prá mim já é menina, rapaz) e que já encontrei em boteco podrão, restaurante mais ou menos e em livrarias. Lembro dela e sei que é sempre a mesma menina por causa de uma tatuagem de gato siamês que ela tem no braço direito. Um cara, mais ou menos da minha idade, que sempre que me vê fica me olhando intrigado. Como eu, deve pensar “eu sempre vejo esse cara e não sei quem é”. Já encontrei na Paulista, no Eldorado, em Pinheiros…

Acho que em qualquer outra cidade do país, em algum momento essas pessoas parariam e diriam “escuta, já reparou que a gente vive se encontrando?”, bateriam um papo e passarariam a ser, se não amigos, pelo menos, conhecidos. Em São Paulo, por algum motivo que ainda não entendo, são apenas rostos sem nomes. Parte do cenário. Aquele figurante que não pode ohar para a câmera. Parece que é mais divertido a gente simplesmente imaginar quem são aquelas pessoas, o que fazem, do que gostam, como vivem, do que efetivamente saber essas coisas.

A fantasia é um alívio, nessa cidade linda e cruel, onde a realidade nos atropela todo dia.

Esse sou eu. Feliz da vida. Aliás, se um dia alguém fosse escrever uma biografia minha, seria a coisa mais fácil do mundo. É só escrever que eu era um feliz. Aque deve ser o que estará escrito na minha lápide o dia que a inevitável vier trocar uma idéia comigo: “Aqui Jaz Paul – Nasceu, cresceu, viveu e morreu feliz”.

E ultimamente, eu ando feliz. Sabe quando parece que tem uma nuvem negra em cima da sua cabeça, que tudo está dando errado, você olha, procura, fuça e não consegue ver nenhuma perspectiva de melhorar? Pois é. Eu tava assim. E nem tem muito tempo, não. Mas agora, parece que as nuvens estão dissipando e eu já começo a ver uma luz indicando os caminhos que eu posso seguir e onde eles vão dar.

Muitas das coisas que eu sempre quis fazer, estão acontecendo. Em doses homeopáticas, por enquanto, o que é ainda melhor. Porque coisas boas tem que acontecer sempre. As ruins, essas sim, devem acontecer é uma vez só e olhe lá.

E a melhor parte das coisas boas é que parece que quando elas começam a acontecer e engrena, não para mais. Bem que dizem que a vida acontece em ciclos. E, thanks God, parece que o meu ciclo de merdas passou!

Semana que vem, por exemplo, vou fazer um negócio que eu sempre quis. Vou fazer uma viagem a trabalho (e um pouco de lazer, claro) que é ótima para a minha vida e, por que não, para o meu currículo. Todo dia ouço alguma coisa boa, um elogio, um agrado, e isso, por frescura que possa parecer, é ótimo para a auto-estima. E quando a auto-estima está alta, a confiança aumenta, a gente fica mais disposto, enfrenta melhor as dificuldades e tudo parece ficar mais fácil. É o famoso círculo virtuoso.

Sei que, assim como a fase ruim acabou, a boa também pode acabar. Mas, assim como a gente trabalha para reverter a ruim, tabalha para manter a boa. E como já sabe como é a ruim, trabalha o triplo para a ruim não voltar. Sai, capeta!

E, como diz meu brother Boss, a gente é nego preto e espanta a zica na bolachada se precisar!

Seja a evolução das espécies, seja a perfeição do Criador, seja a explicação que você acredite mais ou aceite melhor, o fato é que o cérebro humano é um equipamento inigualável. Ao mesmo tempo que é limitado e imperfeito, é ilimitado e perfeito.

Muitas vezes ele não consegue dizer quanto é 2452 dividido por 348, mas consegue compor uma música inigualável em beleza e precisão matemática! Não consegue lembrar onde você estava ontem, mas consegue fazer você dirigir a 340km/h!

Mas uma característica que eu acho maravilhosa no cérebro humano é a capacidade que ele tem de equilibrar deficiências e virtudes de cada um. O exemplo mais notável disso é quando uma pessoa perde algum dos sentidos. O cérebro “turbina” os outros sentidos, para que o sentido que falta seja suprido. Como quando um cara fica cego. Ele passa a ouvir melhor, para se situar no mundo. Ele passa a ter o tato mais apurado, para que possa “ver” o que ele não enxerga. Ou quando a pessoa não escuta, e ainda assim consegue ficar de pé (que afinal é uma função do aparelho auditivo, manter o equilíbrio) e consegue “ler” o que os outros estão falando.

Lembro de um programa do Jô Soares em que a Marília Gabriela pergunta para ele sobre o filho dele. E ele respondeu: “É incrível como às vezes ele não consegue abotoar uma camisa, mas senta ao piano e toca uma peça como se ele fosse o próprio compositor”. Estudei com uma menina que era assim. Ela tinha um pequeno (mas notável) atraso mental. Ela tinha uns 18 anos e estava na 6a. série com a gente, que tinha 12. Ela tinha uma dificuldade absurda para aprender. Mas escrevia poemas como se fosse a coisa mais fácil do planeta.

Por isso que a gente sempre ouve falar que os grandes gênios da nossa história alternavam os momentos de imensa genialidade que os consagraram, com momentos de imbecilidade que a gente custa a acreditar. Tipo Van Gogh, que pintou quadros que vale milhões, ao mesmo tempo que cortou uma orelha e mandou como prova de amor para uma mulher.

Eu, o ser humano normal, mediano, nem tão genial e nem tão imbecil, não sei nem dizer quais as qualidades que meu cérebro me deu para suprir as deficiências que eu desconheço. Dizem que a gente usa só 10% do cérebro. Eu imagino o que a gente poderia fazer usando 20%!! Mas nem me atrevo a tentar imaginar o que seria se a gente usasse 100%!

Engraçado como tem coisas que a gente não consegue entender por anos a fio e um dia entende e racha o bico. Comigo acontece muito com músicas em inglês, que depois de aprender a língua passei a, claro, entender a letra. Com isso, às vezes acho legal e às vezes estraga tudo. Muitas vezes o inglês macarrônico ou a versão que a gente inventou quando moleque sobresai ao conhecimento (recém) adquirido.

Por exemplo, Smooth Operator da Sade. Até hoje, eu e a galera da minha área cantamos Bu-Babuêra! :o ) Ou uma que eu nem lembro o nome, que o cara canta Sooner or Later e a gente canta Chame o bombeiro!

Isso acontece com todo mundo. Eu lembro de uma crônica do Mário Prata falando que por anos ele pensava que o amor falado na Ciranda Cirandinha era de um rapaz, o Tumitinha, que todo mundo gostava dele. Eu também, por anos e anos, pensava que a Dona Chica, de Atirei o Pau no Gato, era de uma cidade chamada Mirocecê. Ué, não falava “Dona Chica-cá, de Mirocecê”?

Depois, já maiorzinho, lembro que tinha algumas músicas dos grupos de rock nacional que a gente ficava intrigado com algumas partes que a gente não entendia muito e acochambrava prá sair mais ou menos parecido quando a gente cantava. Tipo, tinha música da Blitz que o cara queria passar uíquende com você ou o destino do Lulu Santos, algumas vezes, era ser e estar, e não ser Star!

Acho que o caso mais recente e mais famoso foi a menina do Big Brother que passou uma noite cantando iarnuor, iarnestilve. Tudo bem que o caso dela foi exagerado, mas acho que todo mundo cantou We are the World meio zuado, pelo menos uma vez na vida. Sem contar que quando eu era moleque não existia internet, a gente só conseguia as letras das músicas nos encartes dos discos (quando tinha) ou na aula de inglês, que o curso fazia um folhetinho com a música e a tradução.

No fim, tudo dá certo. Eu ainda espero que a Dona Chica, que é de Mirocecê, encontre o amor de Tumitinha, que é um cara legal. Quem sabe eles não cantam Bubabuêra e chamam o bombeiro!

O adesivo na Kombi na minha frente no trânsito, no caminho para casa, ensinava a lição:

Bom não é ser importante.
Importante é ser bom!

E eu, que reluto em aceitar, pensando:

Ser bom e importante é ainda melhor!

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