Archive for the ‘Brasil-sil-sil’ Category

Infelizmente, essa é uma coisa comum que acontece. Vagabundo liga para algum incauto, imitando uma voz assustada, dizendo que foi assaltado, sequestrado ou qualquer coisa assim. E muita gente cai nessa história, principalmente pessoas mais velhas ou mais simples, que não tem idéia de que aquilo é golpe. Ou mesmo quem tem idéia, mas na hora se assusta de tal maneira que acabada sendo enrolada.

Isso, até os vagabundos ligarem para alguém da minha família. Alguns dos casos que aconteceram.

Caso 1 – O caso do Paul em dois lugares ao mesmo tempo

Estou no MSN com meu pai e ele manda:
Padu (Meu pai): Pera que tocou o telefone.
Paul: Vai lá.
Padu: Pronto. Era o sequestrador. Você acabou de ser sequestrado.
Paul: ahahahahaha, e aí?
Padu: Mandei matar, ué.

Caso 2 – O caso do Sobrinho que não sabe português

Ligaram para a minha tia Thaís na madruga:
Sequestra: Tia? Tiiitaaa???
Tia: Paulinho?
Sequestra: É tia, é o Paulinho. Pegaru eu!!!
Tia: Ah, não, não é o Paulinho. Meu sobrinho sabe falar português, não diria “pegaru eu”…
Adendo do meu pai e da minha mãe ao ouvirem a história: É, pegaru eu ele não diria. Provavelmente seria alguma coisa tipo: “Ow, FUDEU!”
Adendo meu: ahahahahah, claro que seria ow fudeu! :D

Caso 3 – O caso da minha filha sequestrada

Toca o meu telefone.
Alguém: Pai, paaaai?
Eu: Ju? (eu sou um cretino)
Alguém: É, pai, é a Ju. Fala aqui com o moço.
Passa para o sequestra: Ae, tamo com a tua filha.
Eu: Beleza.
Sequestra: Como beleza? Tem que pagar.
Eu: Ah, não. Nem gosto muito dela. Pode matar.

Ainda tem as incontáveis vezes que ligam para o meu pai e ele pergunta: “Qual filho, o Juninho?”. E quando o cara responde que é, aí ele manda fazer alguma coisa inusitada porque não gosta do moleque!

Sei que é triste, que é um problema grave de segurança pública e às vezes acho errado a gente se divertir sacaneando os caras que ligam prá gente.

Mas só às vezes.

Fazendo um rápido retrospecto da participação do Brasil em Copas do Mundo, tendo como base apenas as quatro últimas que disputamos. Tento, nesse estudo, identificar padrões. E parece que achei.

Senão, vejamos:

1994 – Leonardo é expulso contra os Estados Unidos. O Brasil ganha o jogo e, mais tarde, garante o Tetra. Vermelho = Caneco.
1998 – Ninguém da seleção toma cartão. Susana Werner, então namorada de Ronaldo, acompanha a Copa lá na França. Brasil perde a final para a França.
2002 – Ronaldinho Gaúcho é expulso contra a Inglaterra. O Brasil ganha o jogo e, mais tarde, garante o Penta. Vermelho = Caneco.
2006 – Ninguém é expulso no Brasil de Parreira. Susana, estava na Alemanha com seu marido, Julio Cesar. E o Brasil foi eliminado, veja só, pela França.

2010 – Kaká é expulso contra a Costa do Marfim. Susana, apesar de casada com Julio Cesar, está no Rio. Mas não anime ainda. Em recentes declarações, ela disse que se o Brasil for para a final, ela vai para a África do Sul.

Longe de mim rotular a moça de pé frio, até porque eu também não sou nenhum amuleto. Mas, tendo em vista a análise fria e criteriosa dos fatos, só me resta fazer um pedido.

#ficasusana

Quando a gente acha que já viu de tudo, que não tem mais como inventarem uma crueldade, que tudo de ruim que nego podia fazer já foi feito, eis que os bandidos conseguem mais uma vez nos surpreender.

Arrastar uma criança, de carro, por 7km, no asfalto quente do Rio de Janeiro, fazendo bandalha com o carro, ultrapassa todas as medidas de maldade que eu já vi na minha vida. E olha que eu moro num país em que o abuso sexual de menores, muitas vezes seguido de morte, chega a ser corriqueiro. E dentro da mesma família.

Quando minha mulher me contou a história (eu ainda não tinha visto) eu quase chorei, mesmo sem nem saber quem era o menino. Eu me imaginei, se é que isso é possível, no lugar do pai desse menino. Pior, no lugar da mãe, que tentou tirar a criança do carro, não conseguiu e agora, além da dor da perda, deve ter a dor da culpa, que, por mais que ela não tenha, deve estar sentindo por não conseguir salvar o filho.

Rezo para que isso não aconteça nunca comigo. Além dos motivos óbvios, acho que eu viraria “justiceiro”. Porque não é possível que a impunidade seja só para quem mata de sacanagem. Se podem matar um menino desse jeito e, se bobear, estarem soltos em alguns meses (ou semanas) ou, pior ainda, nem ser preso porque é menor de idade, deve ser possível matar uns bandidos e sair numa boa também.

É o medo que eu tenho do que pode acontecer, não só comigo, mas acho que já está acontecendo, com as tais das milícias nas ruas. Uma hora a tal da “população do bem” vai cansar de se foder e vai tentar tomar uma atitude. E aqueles filmes que a gente via a 10, 15 anos e achava ridículo, em que o mundo era dividido em uma redoma super protegida em que vivem os ricos e bonitos, com a ilusão de uma vida maravilhosa e um imenso deserto escuro sem água, esgoto nem comida, em que os pobres e bandidos se matam pela sobrevivência, cada dia mais começam a parecer um futuro não muito distante.

Não vou começar com a lenga-lenga padrão de que isso é um reflexo de uma sociedade desigual e blábláblá, porque isso não é verdade. A verdade é que isso acontece porque o brasileiro tem a certeza absoluta de que não importa o que ele faça, ele vai sair impune da história. Enquanto os bandidos não começarem a ter punições EXEMPLARES, e sim, isso inclui prisão perpétua sem NENHUM contato com a sociedade e até a pena de morte, a gente não vai mudar. Só prá pior.

Porque para um filho da puta que faz uma coisa dessas, morrer é pouco.

Mas, enfim, o que aconteceu em São Paulo, ontem?
Como eu vi a cidade no dia do caos que parou tudo.

Saí de casa logo de manhã para uma reunião que eu tinha fora da empresa. Trânsito normal, clima normal e, se não fosse uma aglomeação de polícia e viatura perto da favela ali no Getsêmani, eu não vi nada anormal na cidade. De tarde começam a chegar informações que estações de metrô tinham sido metralhadas, escolas atacadas, agências de banco foram alvos de bomba, ônibus queimados e tudo mais que se leu na internet. O MSN piscava doido, com gente falando que não era prá sair depois das 20:00 horas na rua, que a bandidagem ia esculachar tudo.

O trânsito, das 4 da tarde até as 8 da noite era ridículo. Não lembro de ter visto um trânsito desses em São Paulo que não fosse em véspera de viagem de revellion. Às 8 da noite, não sei como, não tinha mais ninguém na rua. Fui com dois amigos no Extra aqui perto, comer alguma coisa. Não tinha uma alma na rua. Nem no Extra! Tudo fechado. Compramos uma pizza, esquentamos no microondas da lanchonete do supermercado e fomos embora (sim sim, a gente pagou!!).

No caminho para casa, que durou exatos 13 minutos, não parei nenhuma vez. Nem porque tinha carro na minha frente, nem porque o semáforo fechou. Cruzei com UM carro no túnel Jânio Quadros. Na Raposo Tavares, o movimento era mais ou menos o mesmo de umas 2 da matina. Tinha gente, mas pouca. Só hoje, a hora que fui levar a Dé para trabalhar, que eu vi a agência do Itaú de Taboão da Serra quebrada, por causa de um ataque.

No mais, ainda não sei o que é verdade e o que é boato. A cidade ainda está em ponto morto. Muitas escolas dispensaram das aulas hoje, o que por si só já tira uma boa quantidade de gente das ruas. Muita gente que sairia para fazer compras ou qualquer outra coisa, deve ter decidido esperar pelo final de semana. Ou decidiu esperar um pouco mais para ver se realmente acontecia alguma coisa hoje ou amanhã antes de voltar à rotina. Para mim, rigorosamente nada mudou! Tirando um povo que tinha que vir de Minas para uma reunião e não veio porque estão com medo.

O que eu senti do povo que vi por aí, mais do que medo, revolta ou qualquer outro sentimento alardeado em tudo quanto é veículo, foi TRISTEZA! Tristeza de ver a nossa cidade chegar a esse ponto, seja pelo motivo que tenha sido. Bandido, boato, whatever. Estávamos tristes de perceber que a sensação de segurança que temos é falsa, que somos tratados com descaso pelas autoridades e que quando a coisa aperta, não temos quem segure a onda e temos que nos virar sozinhos. A mesma tristeza, eu diria, de quem leva um pé na bunda da namorada e se sente sozinho. A tristeza de se sentir e se ver, no meio de uma baderna, realmente sozinho.

A outra coisa que eu vi é que a imprensa brasileira, acostumada com pautas sazonais (que esse ano contemplava carnaval, big brother, copa do mundo e eleições), não soube lidar com a enxurrada de informações de ontem, não conseguindo distinguir o que era real e o que era boato, publicando de tudo e ajudando a aumentar a sensação de pânico generalizado. O tal do “supostamente” (supostamente uma bomba explodiu, um busão queimou e um cara morreu) que isenta todo mundo da responsabilidade pela notícia (afinal, era tudo suposto, nada afirmado) foi usado a rodo e, até agora, não sei o que supostamente aconteceu e o que realmente aconteceu. Lamentável, digno de um país de gente despreparada.

Claro que morreu gente, o que é sempre ruim (a menos que sejam os bandidos). Que essas mortes sirvam para que a cidade, em todas as esferas envolvidas, se preparem para que isso nunca mais aconteça. E que a tristeza generalizada de ontem não seja esquecida na hora de escolher quem você quer que cuide da gente, em outubro.

Eu nunca achei que viveria para ver isso. São Paulo está em guerra. Os bandidos pararam a cidade.

O pior é que ainda mandaram aviso para a polícia: A gente pode entrar na delegacia e matar todo mundo, mas a polícia não pode entrar nos presídios e matar todo mundo.

Na minha opinião, deveria poder! Queria ver se nego ia ser corajoso desse jeito com as mesma regras valendo para os dois lados.

Bandido é, por definição, covarde (só ataca armado e quem ele sabe que é mais fraco), vagabundo (senão ia trabalhar, em vez de ser bandido) e burro. Lugar de covarde é na vala, de vagabundo na cadeia e de nego burro na escola.

Infelizmente, nossas autoridades não tem culhão para mandar os covardes para a vala, não tem lei nem estrutura para mandar os vagabundos para a cadeia e escola então, acho que os caras não sabem nem o que é.

Não vou ficar admirado se daqui a pouco São Paulo voltar a ter os grupos de extermínio, muito comuns nos tempos de ditadura…

No Brasil tem um negócio interessante. Todo mundo sai das pequenas cidades para as grandes. Seja onde for, todo mundo acaba indo parar numa cidade maior da que nasceu, da que estudou, da que mora… No fim, o destino desse pessoal acaba sendo quase sempre o mesmo: São Paulo.

Exemplos práticos de amigos que nasceram em Aguaí, estudaram em alguma cidade maior (Araras, Campinas, São Carlos) e foram morar em alguma cidade maior ainda da que estudaram, como Campinas ou São Paulo.

Exemplos mais comuns ainda são os milhares de imigrantes que chegam a São Paulo todos os dias, sejam severinos vindo do sertão nordestino, sejam alemães vindo do sul do pais, prá estudar, trabalhar ou, como é praticamente certo no discurso desses caras, tentar a vida na cidade grande.

Eu cada vez mais ouço falar do movimento contrário: gente que sai de São Paulo porque não aguenta mais a cidade grande, para dar certo em cidades menores. E eu, cada dia mais, tenho vontade de fazer isso. Cascar fora de São Paulo para uma cidade menor, com menos trânsito, menos stress, menos violência. A tal da qualidade de vida que todo mundo sempre fala. Eu já tentei isso uma vez, quando eu fui para Petrópolis. Gostei e queria muito que tivesse dado certo.

E agora? Mais uma vez uma chance de eu trocar São Paulo por uma cidade menor bate à minha porta. A vontade, o projeto de vida que eu tracei um dia, me dizem “vai, vai, vai!”. A experiência, aquela vozinha que a gente começa a ouvir conforme vai ficando velho, diz “calma, pensa, vai que dá errado de novo…”.

E eu, humano, errado, imperfeito e indeciso fico assim, sem saber o que fazer, sem saber que voz ouvir.

Tem coisas que só acontecem mesmo com o Brasil. Ou com brasileiros, se preferirem. Por exemplo, esse cara que invadiu a maratona para protestar sabe Deus contra o quê. Nunca tinha acontecido antes em uma olimpíada. Quando acontece, é justamente com um brasileiro. Não sou besta de dizer que o cara ia ganhar se isso não tivesse acontecido, mas, que as chances dele eram maiores até aquele momento, isso ninguém pode negar. E o pior de tudo.O cara já tinha invadido um grande prêmio de formula 1, na Inglaterra, uma vez. E sabe quem ganhou aquela corrida? O RUBINHO!!!!!!!!!!!

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