A história começa, de verdade, no ano passado. Um belo dia, meu então chefe chega no escritório ostentando um belíssimo Panamá na cabeça. Sabendo que não ia passar impune de chapéu por mim, deu logo a explicação: “Pô, ninguém estranha quando um vagabundo passa a vida inteira de boné, que é ridículo, mas chapéu, que é legal, todo mundo olha”.

Todo mundo olha, palavras perigosas…

Belo dia, tempos depois, comprei eu mesmo um chapéu! Um Fedora Web, lindão. Quando vim trabalhar com ele, ao contrário de mim, meus funcionários me pediram o endereço da loja. E todo mundo da minha equipe estava “enchapelado”. Combinamos, então, de fazer o 1º dia do chapéu na empresa que trabalhamos.

Combinado, cumprido. Sexta passada, eu e mais três malucos de chapéu na empresa. Por aqui, todo mundo achou normal. Todo mundo já me conhece, já sabem que pode acontecer qualquer coisa.

Mas na hora do almoço, cara, foi uma coisa totalmente bizarra. Fomos numa lanchonete aqui perto e literalmente todo mundo estava olhando para nós. Não é difícil imaginar. Quatro caras, de chapéu, sendo que eu sou um dos menos escandalosos, todo mundo queria saber do que se tratava. Um dos caras com a gente, que não estava de chapéu, virou sério para a turma e mandou: Desse jeito eu não agendo mais shows para vocês em São Paulo!

Eu achei que era forçação de barra, mas PIOROU a coisa! Teve gente perguntando “que banda é, mesmo?” Tipo, nego não sabia nem de onde a gente tinha saído, mas a gente já tinha virado uma banda. 40 minutos de pop star, sério. Outro cara almoçando com a gente (também sem chapéu) falou que tava vendo a hora que alguém ou ia perguntar quem era a gente ou ia pedir autógrafo.

Brincadeiras à parte, o que me deixou mais intrigado foi ver o quanto estar perto DE ALGUÉM, mesmo que esse alguém não seja, literalmente, ninguém, é importante para as pessoas. O simples fato de poder chegar em casa de noite e falar “hoje eu estava almoçando e tinha uma banda foda apavorando lá” é mais importante que SABER quem era a tal da banda e, mais ainda, se era mesmo uma banda. No nosso caso, não era.

Mas tinha pinta! Falae!

Hats on Friday

Hats on Friday - Até nome já tem.

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