Nasci, cresci e vivo em São Paulo, o que não é novidade para ninguém que vem aqui. Morei fora da cidade duas vezes, mas ela parece que me chama de volta, sempre. Estou mais do que acostumado com as coisas daqui, sejam elas boas ou ruins. Quem vive aqui aprende que horário marcado é mais uma referência do que uma obrigação, porque sempre acontece alguma coisa prá te atrasar ou adiantar no caminho. Sabe que tem que tomar cuidado sempre, porque sempre tem alguém te vigiando com intenções duvidosas. E sabe que qualquer coisa que você quiser fazer na cidade, você faz, seja correr de kart terça feira de tarde, seja comer cachorro quente na rua às 4 da manhã.
Mas uma coisa que eu não consigo me acostumar é a quantidade de gente que a gente não conhece, mas vê sempre, a ponto de criar um certo relacionamento, mesmo sem nunca trocar uma palavra. As pessoas que a gente não conhece, não sabe o nome, não sabe onde mora e nem o que faz, mas que sempre vê por São Paulo. Uma hora vê no ponto de ônibus, outra passeando no Shopping, outra caminhando no parque, às vezes simplesmente andando pela rua, perto da sua casa.
E não são, essas pessoas, aqueles com quem rotineiramente você tem contato, como o cobrador do ônibus, o porteiro de algum prédio. São pessoas aleatórias, que por algum motivo, a cidade coloca no seu caminho (ou você no dela). Eu tenho alguns exemplos que me lembro sempre.
Uma senhora, que aparenta ter por volta de 50 anos, sempre de tranças como maria-chiquinhas, que sempre vejo andando pelas calçadas, seja perto de casa ou perto de onde trabalho. Quando está frio, além das tranças-maria-chiquinhas, ela coloca um gorro rosa. Uma menina, que deve ter uns 25 anos (prá mim já é menina, rapaz) e que já encontrei em boteco podrão, restaurante mais ou menos e em livrarias. Lembro dela e sei que é sempre a mesma menina por causa de uma tatuagem de gato siamês que ela tem no braço direito. Um cara, mais ou menos da minha idade, que sempre que me vê fica me olhando intrigado. Como eu, deve pensar “eu sempre vejo esse cara e não sei quem é”. Já encontrei na Paulista, no Eldorado, em Pinheiros…
Acho que em qualquer outra cidade do país, em algum momento essas pessoas parariam e diriam “escuta, já reparou que a gente vive se encontrando?”, bateriam um papo e passarariam a ser, se não amigos, pelo menos, conhecidos. Em São Paulo, por algum motivo que ainda não entendo, são apenas rostos sem nomes. Parte do cenário. Aquele figurante que não pode ohar para a câmera. Parece que é mais divertido a gente simplesmente imaginar quem são aquelas pessoas, o que fazem, do que gostam, como vivem, do que efetivamente saber essas coisas.
A fantasia é um alívio, nessa cidade linda e cruel, onde a realidade nos atropela todo dia.



Sou sua fã de carteirinha!!!!!!!!!!! beijos
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Meu dileto amigo Paul.
Isso tem explicação em várias esferas.
Até mesmo nas esotéricas (E não eXotéricas).
Vale saber que, independente do que EU ou você acredita, somos parte da MESMA “coisa” e só por este fato, estamos interligados de alguma maneira.
A faceta-mór é encontrar o nó que nos une e desatá-lo para descobrirmos qual é o próximo na corda da vida.
Parabéns pela reflexão. Com certeza não é sentimento exclusivo seu.
Abraços fraternais.
VaLEO
Leo Cinezi
http://cinezi.blogspot.com
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