Eu era adolescente quando a MTV começou a transmitir em São Paulo. E era uma MTV diferente, que passava coisa com música o dia inteiro, não ficava inventando moda e tentando ser uma “lançadora de tendências”, como é hoje. E acho que foi na MTV desse tempo a primeira vez que eu vi o ZZ Top. Gimme All Your Lovin. Clipe bacana, carrão do ZZ, mulherão, gracinhas, historinha. E rock’n'roll prá caralho!
Quando fui para a faculdade, tinha uma locadora de CDs lá dentro. Lembrando da MTV, aluguei um monte de CDs do ZZTop. Ouvi todos, gostei de todos, comprei todos. Ganhei um DiscMan (vai vendo a velharia) e ia viajar para Aguaí geralmente ouvindo o Eliminator, até hoje, um dos meus preferidos deles. Era eu no ônibus, pegando a estrada e ouvindo ZZ no volume estoura-tímpano até lá. Rotina repetida por anos, quase sempre com eles, quase sempre com um dos quatro CDs que eu mais gostava: Eliminator, Afterburner, The Best of e One Foot in the Blues.
O tempo passa, o tempo voa, o DiscMan virou iPod, de um CD no aparelho passaram a ser todos os que eles lançaram na carreira, e vamos que vamos. Da primeira vez que ouvi até ontem, pelo menos 20 anos.
Fiquei sabendo que eles vinham tocar no Brasil. Eu vou! Tenho que ir. É o ZZ Top, cacete. Quando vi um dos jornalistas que trabalham comigo na Band conversando com o Hudson, que ia abrir o show deles aqui, fui conversar com os caras. Resultado: o Hudson, gente fina prá cacete, me convidou para ir no show. E eu fui. Como convidado dele, com credencial All Access.
Era mais ou menos oito da noite quando eu cheguei no Via Funchal. Depois de um pequeno perrengue para entrar, lá vou eu, devidamente credenciado, para dentro da casa. Dei umas voltas, chequei o backstage, fui para a pista e assisti o show do Hudson. Confesso que estava com medo do show dele. O cara era de uma dupla sertaneja, abrindo o show de uma lenda do rock… Mas o cara mandou muito! Toca muita guitarra, arrepiou nos covers de Dio, Purple, Guns, Beatles e o show dele conquistou a galera que tava lá. Tomara que a carreira roqueira dele vá bem, porque o cara é gente boa e merece, porque gosta mesmo da parada! Acabou o show dele e corri para o backstage. Queria ver de perto.
Fecharam com umas grades, tipo aquelas de fila do playcenter, o caminho entre os camarins e o palco. Ali, só passava de fosse da produção dos barbudos. Logo chega Dusty Hill. Baixinho, meio gordinho, já dando os sinais que a idade está chegando. Frank Beard. Sério, tem pinta de caminhoneiro americano, daqueles de filme. Mr. Billy Gibbons, bem mais magro do que eu imaginava que ele fosse. Os roadies colocam os transmissores sem fio para o retorno. Alguém grita de perto do palco: “ALL SET”. Frank está sentado em uma caixa de equipamentos. Billy e Dusty chegam perto. Os três fecham as mãos e as juntam. Não falam. Não precisa. O jeito que um olha para o outro diz tudo.
A meio metro deles, eu tremia como se estivesse na neve. Era parte da história da minha vida, ali, no dia a dia deles, sem sequer imaginar como era importante para mim. Mas eu vi.
Desci correndo e fui para frente do palco. E pelas próximas duas horas eu estava de novo na estrada, ZZ Top estourando meus tímpanos e a vida era de novo só rock’n'roll.
Não vou escrever como foi o show. Já fiz isso, aqui, mas foi difícil. Uma coisa é fazer uma crítica de um show. Outra é falar como músicas que fazem parte da sua vida foram tocadas ao vivo, a alguns metros de você.
Foi perfeito. Foi para mim.
Presentaço antecipado de aniversário!


