Eu sei que faz tempo que saiu e faz tempo que eu tenho, mas acredite, só agora consegui jogar o Rock Band dos Beatles prá valer. Primeiro por causa da minha TV, que pifou e fiquei uma semana no limbo televisivo e gamístico (gay místico é a mãe), e depois por causa do Pedro. Sim, é impossível jogar perto dele. Ele alucina e vira um pequeno Kurt Kobain, quer pegar a guitarra e sair batendo em tudo que tem por perto. Que continue assim! :o )

Peripécias à parte, o que importa é o que interessa, já dizia a Lilica, e o que importa é o jogo. Primeiro, a mais óbvias das constatações. Se você não gosta de Beatles, não vai gostar do jogo. É óbvio, mas sabe como é, né? É que nem tentar ver aquele filme com o cara que você odeia, prá ver se dessa vez ele acertou, mas ele nunca acerta. Então, se não gosta de Beatles, vá de Rock Band 1, 2, ACDC, qualquer coisa, menos esse.

Como eu gosto de Beatles, o jogo é uma delícia. É a melhor direção de arte que já vi em um vídeo game, e isso vale para qualquer título ou gênero. O jogo é lindo visualmente. Não foram poucas as vezes que eu errei notas nas músicas porque estava distraído com o que acontecia no background. As partes em que o cenário é Abbey Road e começam as viagens são estonteantes. Multicoloridas, psicodélicas, anos 60 e LSD total. As representações digitais dos Beatles e seus diferentes visuais também são ótimas. Ainda moleques tocando no Cavern, nas TVs em preto e branco, bigodudos, barbudos, cabeludos, devem dar orgulho aos que se vêem e aos descendentes dos que já se foram.

O jogo é mais bonito que o Rock Band normal. Claro, tem a evolução natural de quem está programando e aprendendo a usar o poder dos consoles, mas o cuidado com os detalhes é mais aparente. Entre as evoluções, para o PS3, estão os troféus, que no meu primeiro RB não tem, extras como fotos e vídeos históricos dos Beatles e, o mais importante, a harmonização dos vocais. Tem algumas coisas a menos, também, já que você não customiza um personagem para ser um Beatle, mas essa realmente não é a proposta do jogo.

Uma das críticas que eu ouvi sobre o jogo que é faltam muitas músicas dos Beatles. Sim, faltam. Mas isso é o de menos, porque é claro que vai rolar DLC a dar com pau. Aliás, o próprio jogo já tem a Music Store. Totalmente previsível. Mas as originais do jogo já dão bem para o gasto. Cobrem todas as fases da banda, além de serem alguns dos maiores hits deles. Senti falta de Help!, Let it Be e Yesterday, algumas das minhas preferidas, mas Ticket To Ride, Revolution e Twist and Shout estão lá.

E não vai achando que porque é Beatles é fácil, não. Nos níveis de dificuldade Hard e Expert tem música que dá nó nos dedos. Aqui, rola uma característica igual à do Rock Band original. Nem sempre as músicas mais fáceis de tocar de verdade são as mais fáceis no jogo. E me parece que o pessoal deixou o baixo e os vocais mais difíceis que a guitarra na maioria das músicas. E falando em vocais, tocar e cantar ao mesmo tempo é uma das evoluções mais legais que o jogo trouxe para a série. Não que antes você não pudesse, mas nesse jogo é mais ou menos obrigado a fazer isso. A menos que tenha uma big band de amigos, para tocarem baixo, guitarra, bateria e três pessoas pelo menos para cantar!

Sobre o primeiro Rock Band lembro de ter escrito que é o multiplayer local mais divertido já lançado. E se brincar de ser uma banda de rock é divertido, brincar de ser os Beatles é uma diversão histórica. Dá prá ver que o jogo foi desenvolvido com muito carinho por fãs da banda, e isso faz muita diferença no produto final.

A única coisa que eu não tenho do jogo são os instrumentos imitando os da banda. Como já tinha o outro RB, fiquei com meus instrumentos “originais”. Mas se aparecer uma barganha no baixo do Paul, tamos aí! :o )

Como veredicto, fica o que escrevi no começo. Se é fã dos Beatles, é jogo para ter. Se não gosta, passe longe.

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