Archive for November, 2009
Já escrevi a crítica do show do AC/DC no Brasil para o portal da Band (que está aqui). Mas queria escrever o que senti aqui, não o que vi, simplesmente.
AC/DC foi a segunda banda que ouvi e gostei, depois que comecei a gostar de rock. A primeira foi Iron Maiden. Por anos achei Angus Young o melhor guitarrista do mundo. Se as músicas são relativamente simples, são também muito poderosas. Riffs como os de Hell’s Bells e Back in Black não são compostos todos os dias por aí. Sem contar que é impossível alguém normal cantar qualquer música da banda. Li um dia uma declaração do Angus dizendo que “Brian Johnson canta como se alguém tivesse jogado um tijolo no pé dele”. É uma ótima definição e o mais interessante é que não seria legal em nenhuma banda, só no AC/DC, mesmo.
Outra coisa é que não dá prá imaginar o AC/DC tocando em um lugar pequeno. É o que se convencionou chamar de “banda de arena”. Suas músicas são feitas para multidões, shows com tiros de canhão, sinos e muita correria.
E ontem, tudo o que quem foi no show esperava, estava lá. Uma superprodução que não se espera de um show de rock, mas de um show pop tipo Madonna ou Michael Jackson. No começo do show, o vídeo de introdução mostra uma animação da banda andando num trem, fazendo merda e o trem perdendo o controle. A última imagem é o trem vindo em direção ao palco e aí o telão parte em dois, entra uma locomotiva de verdade e a banda começa tocando Rock’n'Roll Train, que já tem tudo para ser mais um dos clássicos deles.
Eu nunca tinha visto o Morumbi tão cheio na minha vida, e olha que eu já vi muito show lá. Era um mar de gente usando chifres piscantes, hipnotizados pela presença de Angus e de Brian Johnson em todas as partes do palco e da passarela que ia do palco até o meio do campo. Rock’n'Roll Train e Hell ain’t a bad place to be foram ótimos aperitivos, mas a terceira música do show foi só Back in Black. Para ser ter uma idéia de como foi a participação da galera durante a música, a hora que eles acabaram de tocar Brian Johnson dá uma risadinha, vira para a galera e diz: “Wow, that was cool”.
O show todo foi espetacular, com uma produção que não se vê sempre por aqui. Mas os clássicos foram algo de assustador. Dirty Deeds, The Jack, Thunderstruck faziam o estádio balançar. Aí Brian Johnson vai até o meio do campo pela passarela, olha para o palco e o sino começa a descer. Enquanto o povo faz muito barulho, ele dá um pique invejável para quem tem 62 anos, se pendura na corrente do badalo como um tarzan e enquanto ele está lá, tocando o sino, começa Hell’s Bells.
A sensação era a de estar em um DVD dos caras. Era tudo que se esperava do show. Depois de quase duas horas, o final de Let There Be Rock é o solo de Angus Young. Cara, ficar sozinho, tocado guitarra para 70 mil pessoas, a 10 metros de altura no meio do estádio lotado é para quem tem culhão. Ou 36 anos de carreira nas costas. E o cara tem os dois.
Acaba o solo, a música, se despedem, mas tudo mundo sabe que não era prá valer. Ainda tem o bis, com Highway to Hell e For Those About to Rock (We Salute You). As duas são emocionantes, ainda mais com a salva de tiros de canhão na última, mas o ponto alto do show, na minha opinião, foi You Shook Me All Night Long. Foi a música mais cantada e cantada mais alto na noite. Foi um negócio arrepiante, coisa de doido, mesmo. E ainda foi cantada adaptando a letra, já que o verso ficou “knocking me out with her brazilian thighs”.
Depois que a banda sai do palco, ainda tem uma queima de fogos, como se para lembrar a gente que não foi só um show de rock. Foi um evento, e um senhor evento.
Fazendo uma conta besta no fim do show, 70 mil pessoas a uma média de R$ 200 por cabeça, dá R$ 14 milhões por um show. É muito? Claro que é, mas acho que a produção leva tranquilamente metade dessa grana. Imagina quanto custa carregar essa infra toda por aí? Com locomotiva, sino, canhões e tudo mais.
Poucas bandas de hoje se preocupam com a produção de um show como eles. Dos que eu já vi, acho que só Iron Maiden e o Kiss chegaram perto. Mas o fator de diversão do AC/DC eu achei muito melhor. Me atrevo a dizer que é o melhor show que eu já assisti ao vivo na minha vida.
O verdadeiro blues não faz ninguém gingar. Se faz gingar, não é blues. Eles chamam de blues, mas não é. O blues é solitário. O blues é isso: quando você está sozinho e preocupado e não sabe o que fazer.
Son House
Só para constar, Son House foi o cara que inventou a história de Robert Johnson ter vendido a alma para aprender o blues, a história mais contada no mundo dos guitarristas. E ele também fazia coisas desse tipo. Responsa.
Não tinha assistido ainda. Vi esse feriado. Não é o melhor filme da série, porque não é melhor que o Prisioneiro de Askaban, mas depois do Cálice de Fogo e da Ordem da Fênix, é um alívio ver que voltaram a fazer um filme, e não filmar um livro. É também um filme para quem conhece a história do livro e está com a cabeça aberta para aceitar que o filme é uma adaptação do que está escrito para outra linguagem.
Todos os elementos principais do livro estão no filme, menos um, que considero um dos mais importantes: a angústia de Harry, de saber que tem pela frente a maior de todas as obrigações, saber que vai ao menos tentar, mesmo que possa morrer por isso e que esse é o seu destino mais provável, já que seu adversário é mais experiente, mais poderoso e não tem o menor problema em matar quem quer que seja, inimigo ou aliado, para conseguir o que quer.
É o mais sombrio de todos os filmes da série, mas ainda é recheado de “alívios cômicos”, para não perder as crianças que acompanham. Isso quebra o ritmo e tira muito do clima pesado que a série deveria ter no final.
E o pior de tudo, que é uma coisa que eu não consigo entender: por que nos filmes o Dumbledore não usa óculos? A descrição favorita da autora (pelo menos acho que é, pelo tanto que ela repete isso) é “bondosos olhos azuis atrás dos óclinhos de meia-lua”.
Mas a rápida constatação, depois de assistir Twilight é que Harry Potter é muito melhor.
Eu sei que faz tempo que saiu e faz tempo que eu tenho, mas acredite, só agora consegui jogar o Rock Band dos Beatles prá valer. Primeiro por causa da minha TV, que pifou e fiquei uma semana no limbo televisivo e gamístico (gay místico é a mãe), e depois por causa do Pedro. Sim, é impossível jogar perto dele. Ele alucina e vira um pequeno Kurt Kobain, quer pegar a guitarra e sair batendo em tudo que tem por perto. Que continue assim!
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Peripécias à parte, o que importa é o que interessa, já dizia a Lilica, e o que importa é o jogo. Primeiro, a mais óbvias das constatações. Se você não gosta de Beatles, não vai gostar do jogo. É óbvio, mas sabe como é, né? É que nem tentar ver aquele filme com o cara que você odeia, prá ver se dessa vez ele acertou, mas ele nunca acerta. Então, se não gosta de Beatles, vá de Rock Band 1, 2, ACDC, qualquer coisa, menos esse.
Como eu gosto de Beatles, o jogo é uma delícia. É a melhor direção de arte que já vi em um vídeo game, e isso vale para qualquer título ou gênero. O jogo é lindo visualmente. Não foram poucas as vezes que eu errei notas nas músicas porque estava distraído com o que acontecia no background. As partes em que o cenário é Abbey Road e começam as viagens são estonteantes. Multicoloridas, psicodélicas, anos 60 e LSD total. As representações digitais dos Beatles e seus diferentes visuais também são ótimas. Ainda moleques tocando no Cavern, nas TVs em preto e branco, bigodudos, barbudos, cabeludos, devem dar orgulho aos que se vêem e aos descendentes dos que já se foram.
O jogo é mais bonito que o Rock Band normal. Claro, tem a evolução natural de quem está programando e aprendendo a usar o poder dos consoles, mas o cuidado com os detalhes é mais aparente. Entre as evoluções, para o PS3, estão os troféus, que no meu primeiro RB não tem, extras como fotos e vídeos históricos dos Beatles e, o mais importante, a harmonização dos vocais. Tem algumas coisas a menos, também, já que você não customiza um personagem para ser um Beatle, mas essa realmente não é a proposta do jogo.
Uma das críticas que eu ouvi sobre o jogo que é faltam muitas músicas dos Beatles. Sim, faltam. Mas isso é o de menos, porque é claro que vai rolar DLC a dar com pau. Aliás, o próprio jogo já tem a Music Store. Totalmente previsível. Mas as originais do jogo já dão bem para o gasto. Cobrem todas as fases da banda, além de serem alguns dos maiores hits deles. Senti falta de Help!, Let it Be e Yesterday, algumas das minhas preferidas, mas Ticket To Ride, Revolution e Twist and Shout estão lá.
E não vai achando que porque é Beatles é fácil, não. Nos níveis de dificuldade Hard e Expert tem música que dá nó nos dedos. Aqui, rola uma característica igual à do Rock Band original. Nem sempre as músicas mais fáceis de tocar de verdade são as mais fáceis no jogo. E me parece que o pessoal deixou o baixo e os vocais mais difíceis que a guitarra na maioria das músicas. E falando em vocais, tocar e cantar ao mesmo tempo é uma das evoluções mais legais que o jogo trouxe para a série. Não que antes você não pudesse, mas nesse jogo é mais ou menos obrigado a fazer isso. A menos que tenha uma big band de amigos, para tocarem baixo, guitarra, bateria e três pessoas pelo menos para cantar!
Sobre o primeiro Rock Band lembro de ter escrito que é o multiplayer local mais divertido já lançado. E se brincar de ser uma banda de rock é divertido, brincar de ser os Beatles é uma diversão histórica. Dá prá ver que o jogo foi desenvolvido com muito carinho por fãs da banda, e isso faz muita diferença no produto final.
A única coisa que eu não tenho do jogo são os instrumentos imitando os da banda. Como já tinha o outro RB, fiquei com meus instrumentos “originais”. Mas se aparecer uma barganha no baixo do Paul, tamos aí!
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Como veredicto, fica o que escrevi no começo. Se é fã dos Beatles, é jogo para ter. Se não gosta, passe longe.
Esses dias eu estava pensando nas minhas guitarras. Taí uma coisa que eu gosto muito. Não só das que eu tenho, mas das que já tive e das que sei que ainda terei.
A minha primeira guitarra foi uma Gianinni vermelhinha, com uma alavanca tipo das strato da Fender. Bonitinha, mas ordinária. Adorava a danada. Desafinava a cada tocada, mas ganhei de presente do véio, sem esperar, lá em Aguaí. Veio do nada, até hoje não sei porque, mas acho que essa chegada “inesperada” fez com que eu gostasse tanto dela. A segunda também foi uma Gianinni, que não me lembro bem como veio parar na minha mão. Se não me engano, troquei com uma mina. Dei um baixo (também Gianinni) e fiquei com a guita. Também era safada de ruim, mas foi legal porque eu dei uma reformada nela, pintei de branco e sei lá como eu acabei vendendo aquele traste. A minha Gianinni vermelhinha eu até hoje não sei que fim levou.
Aí ganhei um Dolphin Trash, vinho metalizado, ponte floyd rose, coisa fina. Essa era bacana. Levei até no luthier da Dolphin para regular, era o bicho. Gostosa de tocar, bonita, adorava aquela guitarra. Antes de contar o fim que ela levou, um interlúdio para contar da guitarra que eu tenho até hoje.
Lá pelos idos de 92, resolvi começar uma poupança para comprar a guitarra que eu quisesse. Na época, era uma Jackson, provavelmente uma Flying V. E comecei mesmo. Fiz um plano de capitalização qualquer no banco e vamos que vamos. Lá para junho ou julho de 1994, consultei o saldo e ACHEI que dava para comprar. Tudo isso foi pré-real. A moeda corrente na época era o Cruzeiro Real, com uma unidade de conversão, a URV. Tá vendo, minhas guitarras fazem parte da história econômica do país. Fui para a Teodoro Sampaio, tradicional ponto de compras musicais de SP e peguei a Flying V da Jackson. Na hora, decidi que não era o melhor modelo para ser ter. Que era melhor uma mais tradicional. E comprei um modelo strato, mesmo, azul metálico escuro. Linda. Minha cara. Tenho até hoje. Depois ela foi para luthieria, blindou captadores, ajustou altura de cordas, é uma delícia de guitarra, para tocar qualquer coisa.
Voltemos à Dolphin: depois que comprei a Jackson, sei lá porque, minha mãe deu a minha Dolphin para o meu primo, que estava aprendendo a tocar. Deve ter achado que ter duas guitarras é muito. Em algum momento, me lembro de ter concordado com essa doação. Mas daquele jeito que os filhos concordam com os pais, sabe? Você está comunicado, logo você concordou! Aliás, Bruno, seu viadão, se não levou a danada para a Austrália e ela está jogada por aí, manda alguém me devolver! ;o)
Mas a guita que eu acho a mais bonita eu ainda não tinha. Só no ano passado que eu comprei a Les Paul. Aí mais uma história batuta: Eu tava pensando em comprar uma Custom, preta, coisa linda. Fui para a loja e pedi a Custom, toquei, olhei, fucei, mas a mágica não rolou. Aí olha Les Paul daqui, dali, peguei uma Gold Top. Pronto, rolou a mágica. Qualquer guitarra pode ser preta, mas dourada e ainda assim linda, só a Gold Top. Essa é outra para a vida toda.
Ainda faltam algumas: a Stratocaster que ainda tem que rolar, a Ernie Ball Musicman EVH, que é sonho de moleque, e uma outra Les Paul, provavelmente a Standart. Mas acho que só depois que eu montar meu estúdiozinho em casa para isso tudo…
Um dia falo dos baixos e dos violões e afins.
Sábado eu formatei o meu micro e aproveitei para instalar o Mac OS X novo, o Snow Leopard. A decisão de formatar o bicho foi um tanto quanto radical, mas a verdade é que, independente de Mac ou PC, de vez em quando os micros precisam de uma limpeza geral para voltar a funcionar direitinho. É tipo Virgin Again, só que em zeros e uns.
Desde que tenho meu MacBook, essa é a segunda vez que formato. A primeira vez foi porque instalei o Windows XP usando o Boot Camp e o micro nunca mais foi o mesmo. Bem feito. Dessa vez, não tinha nada muito grave rolando, tirando que o Excel só funfava quando eu tava dentro da Band. Vai entender a doideira. Aí aproveitei que compraram o Snow Leopard, peguei o DVD, meu HD externo e pau no gato.
Verdade seja dita, fazer back up, formatar e instalar o OS num Mac é BEM mais simples que num PC tendo que instalar o Windows. Como tá tudo nas libraries, fica bem sussa de guardar tudo que interessa e depois colocar de volta. E como eu tenho os programas que preciso, porque comprei, também facilita a vida.
Tudo backupeado, micro formatado, Snow Leopard instalado, e aí? Bom, na verdade, ele não é tão diferente assim do Leopard normal. Se ninguém te avisar que é ele que está rodando, é capaz de você nem perceber. Quando eu comprei esse Mac, ele veio com o OS X Tiger. Do Tiger para o Leopard as diferenças eram bem mais “notáveis” que do Leopard para o Snow Leopard, que me pareceu mais um “pack” do que um OS novo. Algumas melhorias na parte de rede, suporte para o Exchange, algumas gracinhas gráficas a mais, mas no geral, é o mesmo Leopard que eu já estava acostumado.
A mudança que eu reparei mais rápido, para falar a verdade, é que agora o lay out US International para o teclado já vem na instalação. Não tem que procurar na internet e fazer o gato para funcionar. O que é um alívio, porque até hoje eu não sei como funfam os esquemas de maçã isso para acento tal, maçã aquilo para acento sei lá o quê.
Me parece, honestamente, que o Mac está mais rápido, também. Mas isso não sei se é do Snow Leopard ou se é da formatação. Porque todo micro formatado fica mais rapidinho.
No geral, para quem não tem o disco de instalação do OS, como eu, vale a pena ter o Snow Leopard à mão, para o caso de dar um pau qualquer e ter que reinstalar tudo. Para quem tem os discos do Leopard normal, não faz tanta falta assim. Nos comunicados da Apple sobre o Snow Leopard eles falam muito que é o mesmo bom e velho OS que todos nós gostamos, redefinido. Por enquanto, só confirmei que é o bom e velho OS que gostamos. O que para mim está ótimo, diga-se de passagem.
Tava eu reclamando que a minha TV foi para o conserto (sim, minha LCD pifou) e tava vivendo dos filmes e séries no micro, quando a Anacris que trabalha comigo falou: “Tu já viste Flash Forward?” Já tinha ouvido falar, lido uns tweets a respeito, mas não estava curioso de ver. Já ela falou e eu estou mesmo precisando de conteúdo, bora lá.
Puta que pariu, é muito bom. Vi o primeiro episódio e é um espetáculo. Claro que para o resto da temporada eu já baixei a expectativa, por um motivo muito simples: série nenhuma, nem Lost, nem Bg Bang Theory nem nenhuma, tem todos os episódios espetaculares. É estranho falar isso, mas não tinha como melhorar esse primeiro episódio. Ficou na cara que os episódios depois iam dar uma caída.
Pois é. Hoje assisti o segundo episódio e, mesmo com a queda, já esperada, é bom demais. É uma série que promete, daquelas para gerar teorias e discussões, mas ainda acho que não dá prá comparar com Lost. Claro que é esperada uma comparação, porque se não me engano, o próprio termo “Flash Forward” nasceu no Lost, para dar uma dinâmica narrativa diferente do que a série tinha até então, baseada em flash backs. Mas felizmente a história não tem absolutamente nada a ver e, o único ponto em comum nas duas séries, além do termo, é que uma das protagonistas do Flash Forward, a Olivia (mesmo nome da mina do Fringe, do JJ Abrams, do Lost) é interpretada pela mesma atriz que faz a Penny Widmore, do Desmond, do Lost.
Pois é. Mais uma série para o caderninho de vícios. Depois de ter desistido de algumas, tipo Heroes e Prison Break, Flash Forward veio em boa hora. Juntou com The Big Bang Theory, Two and a Half Men, Fringe e Lost, minha preferidas.
Aliás, no meu Flash Forward, eu tava com uma camiseta vermelha, preta e branca, que trazia uma inscrição misteriosa: 7-3-3 ;o)

