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De volta para casa, sempre as coisas boas de estar no meu lugar: ouvir todo mundo conversando comigo na língua que eu não preciso prestar atenção para entender, ver minha mulher, toda grávida do meu filho, meu PS3, minha cama, enfim, coisas que todo mundo sente falta quando está longe de casa.

Aí pego o carro para vir trabalhar, ligo o rádio e tomo o tal tapa na cara, o tal choque de realidade. Parece que as notícias pioram depois de um tempo de descanso. Ou a gente desacostuma com elas. Sei lá, mas o fato é que as notícias parecem ter piorado na minha volta.

Uma das coisas que em deixou mais puto foi o papo de um juiz proibir de mostrar os caras que bateram na puta no Rio de Janeiro cumprindo a pena alternativa deles. O que é errado pode mostrar. Agora, quando finalmente alguém resolve dar um corretivo que é realmente um exemplo, é proibido de mostrar. É impressionante. A impressão que eu tenho, de vez em quando, é que todo mundo acha que é legal a gente ter essa sensação de impunidade o tempo todo. Porque assim a gente vai ter a sensação de que a gente pode fazer coisas erradas e se safar. Porque se a gente pode fazer coisa errada, todo mundo pode. E se todo mundo pode, todo mundo é igual, prá que punir exemplarmente quem fez alguma coisa errada. Afinal, a gente só não faz a mesma coisa porque não tem a oportunidade. E se começam a punir, mais hora, menos hora, vão punir você! Ou eu. Por isso, viva a impunidade. Viva quem rouba milhões impunemente, porque são eles que garantem que eu posso dar os meus migués sem acontecer nada.

É uma merda isso. O pior é que quem tenta ser certinho, honesto e tal, ainda é taxado de otário. Ser certo é errado no Brasil.

E se a gente reclama, que nem eu agora, nego vira na maior calma e te fala: aqui é assim mesmo. Não gostou, vai embora. Seu paga pau de gringo e coisas afins. Ou seja, vamos ser sempre um povinho de merda.

Ou como diria o Millor, melhor na palavra que no desenho: ô povinho bunda!

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