Vejam essa declaração, que li hoje na Computer World:

“O Brasil sofre falta de banda larga. O que existe é um sistema discado sofisticado, com 500 Kbps de velocidade, para o qual as operadoras só garantem 10%”.
Luis Cuza (Presidente da TelComp)

Não conheço nem o cara nem a empresa que ele preside, mas já virei fã dele. Finalmente alguém resolveu tratar a bnda larga no Brasil como ela é. Uma enrolação.

Esse papo mesmo dos 10%, ninguém explica. Mas é o seguinte: isso é uma relação de compartilhameto de banda. Para cara 10Mbps que a empresa vende, ela compra 1Mbps. Logo, se você compra 1Mbps e está sozinho, a banda é toda sua. Se mais uma pessoa na mesma central que você conectar, sua banda é dividida por 2 (considerando que os dois estão usando ao mesmo tempo, claro). E assim vai. Quando todas as pessoas que tem comprados os 10Mbps conectam e usam ao mesmo tempo, estarão, na verdade, compartilhando 1Mbps, ou seja, 100Kbps para cada um. Considerando que a velocidade média da banda larga vendida no Brasil é de 500Kpbs, a velocidade garantida é de 50Kbps, sendo que a velocidade de uma conexão discada é de 56Kbps.

Como aumentar a banda que temos no Brasil? Bom, como tudo que tem que ser popularizado, gerando demanda. Quanto maior a demanda de banda do varejo, mais barata ela deve ser no atacado, pelo menos é o que nos diz a teoria econômica. Quando uma pessoa precisa de banda de 50Mbps, as empresas tem que cobrar muito para viabilizar a instalação desse tanto de banda, equipamento e tudo mais. Agora, se 1000 pessoas querem 50Mbps, os custos são diluídos entre as 1000 e o preço para cada um deles tem que ser menor. Com o perdão do trocadilho e da rima zuada, gerar demanda vai gerar mais banda! Certo?

Talvez. Não custa lembrar que em 1999, 2Mbps dedicados custavam cerca de R$24K. Hoje quando custa mais de R$2,2K, a operadora tem dificuldades de vender. É o exemplo factual do que eu falei: quando só UOL, Bradesco, Mandic, Petrobrás e o Banco Central tinham 2Mbps de link, custava R$24K. Hoje, qualquer empresa tem 2Mbps, custa R$2,2K.

Mas entra aí uma relação ovo-galinácea: Não temos aplicações que demandem banda porque não temos banda o suficiente, ou não temos banda porque não temos aplicações que a demandem? Para quem gera o conteúdo, uma aplicação que demande muita banda é um risco, pois tem que contratar mais banda no IDC para suprir a necessidade dos usuários que, sem banda suficiente em casa, deixam de utilizar o serviço pela percepção ruim do mesmo, e não por conta da banda baixa contratada da operadora. Ou seja, é um risco que não é compartilhado com ninguém.

A solução para o problema? Mobilização dos usuários, pedindo mais banda, maior garantia dessa banda para que, no futuro, possam utilizar as aplicações que demandem minimizando o risco dos empreendedores. Mas não sei se essa mobilização é possível. Ainda mais que, dos 32 milhões de internautas que temos no Brasil, apenas 5 milhões tem a banda “pseudo” larga.

Eu já faço isso, infernizando a Telefonica. Se todo mundo fizer o mesmo, quem sabe essa história não muda rápido, e chegamos a, pelo menos, ser como EUA e Europa, em que conexões domésticas de 1,2Mbps e 1,5Mbs são comuns. Olha que eu nem quero ser como uma Coréia, que os caras tem 50Mbps em casa…

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One Response to “A Banda Larga que não é larga”

  • Rafael Seiji says:

    Uia, muito bom ficar atento a essas coisas mesmos! =D

    Primeira vez visitando(conheci o blog por meio do Yablog) e me identifiquei pra caramba! Voltarei mais vezes! Parabéns ae!

    Sorte e sucesso Sempre!

    abçs!

    [Reply]

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