Sempre que meu sogro pede um churrasquinho na barraca de lanches, ele pede assim. Um churrasquinho na frança. Pois é. E lá fui, a trabalho, dar um rolê na França. E pelo relato abaixo, que deve ficar bem grandinho, inclusive, vocês verão que eu achei a França bem mais legal que um churrasquinho.
Dia 1 – A viagem
Domingão, casquei para a casa do meu chefe que a gente tinha combinado ir de lá para o aeroporto. E assim fizemos. Embarcamos 18hs mais ou menos de Air France para Paris. 12 horas depois, desembarcamos no Charles De Gaulle, o maior aeroporto que eu já vi. E saímos correndo para dar tempo de pegar a conexão para Nice. Chegamos em Nice umas duas da tarde, horário local, mas meu organismo ainda entendia como horário de Brasília, ou seja, 10 da manhã. Pegamos um táxi, que era uma BMW, para Cannes. No caminho eu já fui passando mal. Parecia que eu tava em um cenário do Gran Turismo. As ruazinhas estreitas, as casas de sei lá eu quantos anos, e por aí vai. Chegamos em Cannes, tomamos um banho e fui para a feira que era o objetivo da minha viagem para lá, a Mipcom, que é a maior feira de conteúdo e tecnologia de TV no mundo todo.
Chegamos lá e eu parei para tomar fôlego. Cannes é uma cidade linda e o lugar da feira então, nem se fala. Fizemos o credenciamento, falamos com uns caras, mas como já era meio o final do dia, já estavam começando as festas. Primeiro, uma festa mexicana no stand da Televisa, que é a TV mexicana que faz as novelas que passam no SBT. Depois, a noite, uma festa do pessoal de cinema da Índia, que fechou o Hotel Magestic e armou a maior balada. Engraçado prá caceta, não precisa nem falar.
Dia 2 – A feira e Le Petit Enfant
Terça feira, dia de ir para Mipcom com fé e vontade de fazer negócios. E fomos. Conversamos com gente do mundo inteiro e tenho certeza de uma coisa: O jeito que a gente vê TV hoje vai mudar muito em poucos anos. Nesse dia tivemos ainda um convite para um coquetel na quarta feira, com um pessoal do Canadá, em um barco, que estava na Marina de Cannes.
E foi também o dia que conhecemos a nossa terceira mosqueteira, Le Petit Enfant, uma companheira inesperada nessa viagem maluca: a filha de um colega, de 17 anos, que estava fazendo intercâmbio na França. Foi participar conosco da feira e acabou ficando com a gente até o dia da volta.
Trocamos a menina de hotel, já que ela estava em um podre, muito longe de Cannes e saímos para jantar. Rapaz, como se come bem em Cannes. A gente sempre andava para lá e para cá a pé, já que estávamos perto de tudo. Além do mais, é sempre um bom jeito de conhecer lugares batutas.
Dia 3 – Mais feira e a balada no barco
Mais um dia de exploração da mipcom. Paramos no Stand do pessoal do Japão que estava lá para vender o Ultraman. O cara viu que ficamos emocionados com o que a gente tava vendo, afinal, é uma volta no tempo, e deu para a gente a edição comemorativa de 40 anos do chaveiro do Ultraman!!!! Animal. Batemos perna e fizemos várias reuniões, algumas muito boas, outras nem tanto, encontramos o Reinaldo, sócio do Yabu, cheio de boas notícias e fomos para a tal balada no barco com o pessoal do Canadá.
É o que eu sempre digo: existe um mundo melhor. Mas é mais caro. E quanto melhor o mundo, mais caro ele fica. Chamar aquilo de barco é uma ofensa. Aquilo é maior que a minha casa. E mais bonito. E mais tudo. 3 horas de champanhe e muita conversa, saímos com a certeza de que faremos ótimos negócios com esse pessoal, que estão tão empolgados com o negócio quanto a gente. Jantar, hotel, arrumar as coisas porque na quinta era dia de embarcamos. Para Paris.
Dia 4 – Paris e o roubo
Tomamos um café da manhã em Cannes, com o pessoal da Blinx, que também está empolgado para fazer negócios com a gente, e picamos a mula para Nice, para pegar o avião para Paris. O caminho de Cannes para Nice é muito lindo, fala sério. Como disse, parece que eu estou no Gran Turismo.
Chegamos em Paris e só aí que eu me liguei que a cidade é sede da Copa do Mundo de Rugby que está rolando. E que os caras na Europa gostam mais de Rugby que de futebol. Para eles, o futebol está mais ou menos como para a gente. Um bando de gente que ganha muito dinheiro pelo pouco esforço que faz. Mas enfim, a cidade estava bombando.
Deixamos as coisas no hotel e saímos, para ver a cidade e jantar. Não conhecia Paris e sempre ouvia falar que a cidade é bonita e tal, mas supera qualquer expectativa que eu pudesse ter. A cidade é maravilhosa. Do lado do nosso hotel era o Arco do Triunfo, que é foda. Pegamos a Champs Elyseés e fomos entrando em tudo quanto era loja. Loja de protótipos da Peugeot, da Mercedez, Fnac, Disney, Virgin Megastore, uma mais bacana que a outra. Fomos até o final da Champs Elyseés e demos um rolê na roda gigante que tem lá, para ter uma panorâmica da cidade ao anoitecer. Muito louco. Jantamos e voltamo para o hotel. Para a nossa surpresa…
Fomos roubados!!!! Entraramo nos nossos quartos e levaram as nossas coisas. Notebooks, PSPs, iPods, telefones, dinheiro… Não levaram as roupas e nem as bagagens, só o que tinha de eletrônico, mesmo. E o pessoal do hotel se recusava a chamar a polícia. No fim, acabamos chamando a polícia que, como cá, não resolveu nada. Só mandaram a gente ir para a delegacia no dia seguinte e prestas queixa. Imagina a noite que a gente não passou nessa merda de hotel. E não era um hotel vagabundo, antes que alguém me pergunte. Era o Mercure, do lado do Arco do Triunfo.
Dia 5 – Polícia e museus
Para nossa sorte, a advogada da Band, que é francesa, estava lá, em uma reunião de família, e foi nos ajudar. Fomos para a polícia, prestamos queixa de tudo e voltamos para o hotel, para sair de lá e ir para outro lugar. Chegando lá, encontramos o gerente do hotel e foi o maior stress. O cara disse que ELE investigou tudo enquanto a gente tava fora e que a gente não foi roubado. Que isso era um golpe que brasileiros estavam tentando dar no hotel. Não vou entrar em detalhes nesse post, mas escrevo um só prá falar dessa parte depois. Mas rolou uma orientação da nossa advogada para a gente repor tudo que roubaram, pra depois a gente cobrar do hotel.
Ou seja, mudamos de hotel e fomos fazer compras. Fazer em compras em Paris, sabendo que depois você vai ser reembolsado é do caralho, fala sério. Entramos na Fnac e mandamos prá dentro dois MacBooks, um iPod, um HD, ou seja, tudo que roubaram da gente, menos os PSPs. Depois de guardar tudo, dessa vez diretamente no cofre do hotel, não dos quartos, fomos para o Louvre.
Impossível descrever o Louvre. É o lugar mais do caralho que eu já vi na minha vida. Sem sacanagem, muda a perspectiva da vida. A gente se sente pequeno vendo aquilo. Primeiro porque o bicho é enorme, mesmo, depois, porque o que os caras que estão lá fizeram, duvido que alguém vá fazer de novo em pouco tempo. Fui ver as coisas de Napoleão, as coisas egípcias e, claro, a parte italiana. Tem coisas que o dinheiro não paga e uma delas é ver a Monalisa original a menos de 3 metros de você. Em uma tarde eu aprendi e passei a gostar de coisas que uma vida inteira não tinha conseguido me fazer gostar. Só isso.
Saímos do Louvre e fomos jantar em outro museu. Sim, isso mesmo.Jantamos no restaurante do Centro Cultural Georges Pompidou, que é um museu de arte moderna. Comi o melhor pato que já experimentei na vida e voltamos para o hotel, agora com tudo lá.
Dia 6 – Dia de fazer compras
Compras em Paris. O sonho de qualquer consumista. E de lá vieram presentes para o pai e para a esposa, além de um belo azeite para minha casa e uma camisa dos All Blacks para mim. Afinal, eu também gosto de Rugby! Comemos na Angelina, onde descobri o que é chocolate. Comprar perfumes para a Dé na Sephora, que é um desaforo o tamanho daquela loja, PQP, mais presentes para a Dé diratemente da GAP e fomos jantar. E bora para o hotel, arrumar as coisas. Que afinal, o dia seguinte era o último dia na França, a gente tinha que aproveitar.
Dia 7 – O último dia é sempre o melhor
Já reparou nisso? Começamos o último dia na Torre Eiffel. Bacana. Mas gostei mais do Arco do Triunfo, prá falar a verdade. Depois, uma igreja que o Boss sempre vai e pegamos o rumo para Notre Dame. Foi entrar lá e desaguar a chorar. Não sei, não me pergunte porque. Eu só queria ficar lá, chorar e rezar. E foi o que eu fiz. Chorei e rezei até, saí de lá leve. Acabado o Tour da Fé, vamos nós tratar da diversão.
Meio dia a gente chegou na Euro Disney! Uhu! Que muito louco. Space Mountain, Montando russa do Indiana Jones, Mansão Mal Assombrada e o recorde mundial de Rock’n'Roller Coaster, as montanha russa do Aerosmith. Para variar, compras, claro. E de lá, mais presentes para a Dé, para a mãe e para o meu sobrinho que chega em breve. E já chega com presentes da EuroDisney. Isso que é tio, fala sério.
Voltamos de trem para Paris, fomos comprar umas malas, já que no roubo destruiram as nossas, sem contar que levaram uma minha para carregar as coisas, arrumar o que faltava e voltar para SP.
O vôo de volta foi melhor que o da ida. O avião era maior, eu tinha companhia para conversar e ainda assisti Harry Potter e as férias do Mr. Bean. Aliás, quase apanhei no avião, porque eu ri tanto que acordei todo mundo!
C’Est le fin?
Nem a pau. Gostei tanto que já avisei a Dé que eu volto para lá, dessa vez só para passear e que ela vai comigo. Paris é uma cidade do caralho, mas é muito melhor se você está com quem gosta. E ainda tinha que entregar os presentes. A Dé e o Caio já ganharam. O pai e a mãe ainda não. Tem que esperar eles aparecerem por aqui para entregar. Senão, o Natal deles já tá garantido.
O meu, na verdade, até já foi. Mas a vontade de voltar mais vezes só começou…

Muito bom!! Pena que teve essa merda do roubo…
Est que vous voudrais etudie la langue francophone avec moi?? J’ai le cours tout la vendredi!
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