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Engraçado como tem algumas coisas que você lembra e imediatamente se sente bem. Pode ser uma música, uma voz, um cheiro, uma palavra, uma piada, qualquer coisa.

Tem vezes que eu meio puto da vida e uma lembrança dessas me acalma e muito. Uma das coisas que tem o maior efeito calmante comigo é o mar. Se for em Ilhabela então, nem se fala. Quando estou na balsa, parece que nada mais poderá me estressar, o que estava no continente ficou no continente e nunca fará diferença na minha vida.

Mas o que mais me traz lembranças que estão guardadas em lugares que meu cérebro só acessa quando é estimulado por alguma dessas coisas são as músicas. Pode ser qualquer uma, cada uma me leva para um lugar diferente, com memórias daquelas que a gente sofre para identificar se realmente viveu ou se só imaginou. Outro dia cheguei em casa meio desanimado, meio cansado, meio puto, meio mais ou menos, sabe como é? Fui pegar um CD (sim, isso ainda existe) do Therapy? que já fazia tempo que eu queria ouvir e já no primeiro acorde toda a sensação ruim sumiu. Minha cabeça foi parar em algum outro lugar, lá em 1994, em que eu sabia a ordem das músicas, todas as letras e até como tocar algumas delas.

Eu tinha um CD no carro que eu ganhei do Sandro e do Rogério quando fiz 29 anos (é, eu sei, já tem um tempinho) que só tinha música de criança, do tempo que eu era criança. Bozo, Balão Mágico, Sérgio Malandro, Palhaço Carequinha… Era o CD anti-stress.

Outra coisa que sempre me traz uma boa lembrança é o cheiro de um tipo de plástico que eu nem sei como chama, mas é o mesmo cheiro de quando minha mãe encapava os meus livros e cadernos quando eu ainda estava na primeira ou segunda série do primário, quando minhas maiores preocupações eram meu skate e minha viagem para Aguaí ou São Bernardo nas férias. E sim, naquele tempo, ir para São Bernardo era uma viagem! Ainda é, se pensar bem.

Mas as músicas ainda são mais marcantes. Little Wing, uma das que eu mais me esforcei para aprender a tocar, 5150, que virou até nome da minha empresa, razão de eu ter voltado a estudar guitarra, Butterfly on a wheel, que me lembra invernos calorosos, 500 miles, que me lembra meu pai tocando violão quando eu era moleque e, claro, All my Loving, que eu cantei para a Dé na festa do nosso casamento.

Se trazem lembranças ruins? Nenhuma. Todas as memórias que guardei são as boas, as que me ensinaram alguma coisa. As que não me ensinaram nada podem até estar em algum lugar da minha cabeça, mas felizmente, esqueci o caminho até elas.

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