FacebookGoogle BookmarksGoogle ReaderLinkedInShare

Eu tenho um amigo que costuma me falar que eu sou um maloqueiro de terno e gravata, fantasiado de executivo. E ele está certo.

Ontem eu estava indo para uma reunião perto do escritório e, para ajudar a salvar o planeta, fui a pé. São só umas 10 quadras.

Saí daqui, com um consultor que trabalha para mim, peguei a Faria Lima, virei na Jesuíno, entrei na rua do Rócio e ouvi, baixinho, um “por favor”. A gente vinha no pique, mas eu atinei. Parei, olhei para trás, tinha um cara, aparentando uns 50 anos, num carro, parado. Pensei, deve estar perdido. Voltei, abaixei na janela dele e disse: “Me desculpe, o senhor me chamou?”. Não estou sacaneando, foram exatamente essas palavras. E o cara vira prá mim, no maior piti: “Chamei, ia pedir uma informação, mas você saiu andando, mal educado prá caralho, vai se foder!”.

Rapaz… Prá mim! Depois de eu ter, humildemente, parado, voltado para falar com ele em vez de continuar andando. Fiquei puto. Sangue nos olhos. Esqueci onde eu ia, onde eu estava, só pensava em socar o desgraçado. Fui prá cima dele.

“Quer informação, filho da puta? Eu tenho uma, da sua mãe, aquela vadia!”. E o cara atravessou a rua e começou a ir embora, eu atrás: “Volta aqui viado, corno, não é macho prá xingar. Vou encher a sua cara de porrada, filho de uma puta!”. E o consultor que estava comigo, me puxando pelo braço: “Para, cara, vamos embora, larga mão!”. E eu puto: “Vou chutar o carro desse desgraçado…”. E o consultor: “Para, meu, vai que o cara tá armado…”.

Bom, no fim, não chutei nada, nem ninguém, continuei o meu caminho e fui para a reunião. O que me irritou não foi o cara ter me xingado. Se eu tivesse ido embora, sem nem olhar para a cara dele, ele tava mais que certo em ficar puto. Mas eu parei, voltei, pedi desculpas e o cara veio querer tratar mal. Deve ter pensado: “Ih, afinou, agora vou tripudiar.” e se fodeu, porque eu não levo desaforo prá casa.

Essa atitude do cara é típica de brasileiro (isso, nós mesmos), que tem certeza de impunidade. Pode fraudar o imposto que ninguém percebe, pode roubar que ninguém prende, pode matar que o advogado solta e pode xingar os outros na rua que o cara ouve quieto, porque somos os poderosos fodões. Sei que posso até estar exagerando, que o cara pode ser até legal e eu que peguei ele em um dia ruim. Mas eu acho que quem tem uma atitude dessas com uma pessoa que não conhece, é um escroto.

E devia ter apanhado. Prá largar mão de ser.

2 Responses to “Maloqueiro de terno e gravata”

  • says:

    Êêêêêê!!!!!Quebra tudooo! Isso só prova que vc é meu irmão.
    Que bom, não sou adotiva. Chamei a polícia na TNG hoje!

    [Reply]

  • fabioyabu says:

    Caraca, que sem nocinha!!

    E a Dê sempre causando, hahaha!!

    [Reply]

Comente

Esblogoogle
Passado
Eu no Twitter
No trampo