Toda empresa que trabalhei na minha vida me causou uma sensação diferente. No UOL, ainda mais quando era mais embrenhado na Folha, eu me senti importante. Sei lá porquê, acho que é porque eu sempre gostei da Folha, mesmo sem dar muita bola para jornal. Ainda é o jornal que eu leio todos os dias (pela internet) e é o veículo (ao lado da CBN) que eu mais acredito. Isso porque estive lá dentro, comunguei de seus valores e realmente se dá valor para a informação correta e isenta lá dentro.
Claro que eu não era do jornal, mas sempre me senti parte daquilo ali. Isso porque o todo mundo que trabalha lá, ou que trabalhou na mesma época que eu, adorava a empresa. Até hoje falo que foi a melhor empresa que eu já passei, e olha que se trabalha prá valer por lá. Não tem horário, cidade, dia, país… Eu podia estar em qualquer lugar a qualquer hora, tudo porque precisava e era importante para a empresa. Por isso, me sentia importante.
Quase não tive contato com o Seu Frias. Falar com ele, tirando as vezes que nos cumprimentamos (geralmente no restaurante da Folha), acho que só em um almoço da Folha, uma vez. Que ele me mandou fazer alguma coisa e eu saí correndo prá fazer antes que ele lembrasse da minha cara. Lembro de duas histórias dele, que adoro contar.
Uma eu não vi, mas quem estava me contou e eu adoraria estar lá. Na inauguração do CTGF (a gráfica da Folha), com vários convidados importantíssimos, o presidente da república, na época o FHC, fez um pequeno discurso, em que agradeceu o seu Frias, pois a Folha foi o único jornal que deixou que ele escrevesse durante a ditadura e, ainda por cima, a convite do próprio Frias. Depois dele falar, o seu Frias respondeu: Olha Presidente, fico muito feliz, mas confesso que quando eu te chamei prá escrever aqui, estava torcendo prá você dizer não! Vai que fechavam o meu jornal…
A outra, essa sim eu vi, pois estava lá, foi num almoço de final de ano do Grupo Folha, com todos os executivos presentes, pois era quando os presidentes das empresas falavam dos resultados de cada uma delas. No final, Otávio e Luís Frias falavam da Folha e do Grupo como um todo. E agradeciam, solenemente, ao pai, que na época tinha 80 e tantos anos, mas estava sempre pela Folha, cuidando não só da empresa que ele montou, mas do que a gente sabia que era a grande paixão da vida dele. Quando eles agradeceram, olhei para o Seu Frias, pois eu estava na mesa do lado dele, e ele estava sossegadão, meio cochilando depois do almoço, só acordou mesmo para agradecer aos aplausos.
Engraçada a sensação quando li, ontem, que ele tinha morrido. Apesar de nunca ter sentado e conversado com ele, e dele talvez nem saber quem eu era e o que eu fazia lá nas empresas dele, fiquei sentido. Sei o quanto ele era importante para muita gente que eu gosto muito e para a Folha toda. Que os ensinamentos dele continuem norteando a Folha, pois mais que o dono, acho que isso é o que ele sempre foi para a turma de lá: um guia.


