Os tempos estão complicados. Na verdade, desde que tomei um pé na bunda na Taho, nunca consegui voltar ao nível de vida que eu tinha quando fui para lá. E mesmo um pouco antes. Mas estou conseguindo provar, na prática, algumas máximas que todo mundo fala e a gente acha que é balela.
Mas a verdade é que de todo lugar que eu trabalhei, a melhor relação empregado-empregador que eu tive foi com o UOL. A empresa me pagava um salário justo para o que eu fazia e eu fazia jus ao salário que eu recebia. Simples assim. Meu salário era alto e eu trabalhava prá cacete. Era tudo muito justo. Quando saí do UOL, porque quis, fui para uma empresa que eu acho que eu podia ter feito muito mais. Ganhava muito para o que eu fazia lá, e é triste saber disso. Porque nesse caso, eu era caro. A mesma coisa com a Taho. Eu era caro, pois a empresa me dava um ótimo salário, mas eu fazia muito menos do que a empresa esperava de mim. Nos dois casos, eu tinha disposição e vontade de trabalhar. Mas hoje, olhando para trás, acho que faltava um componente importante na minha carreira, além de organização: eu queria fazer tudo. Não delegava nada, não pedia nada, achava que eu tinha que ser o One Man Show. Até quando alguém me oferecia ajuda eu ficava puto, achando que tinha gente pensando que eu não dava conta do recado. E isso, infelizmente, acho que também me atrapalhou na Level Up. Essa minha mania de tentar resolver com o que tem à mão, e não com o que precisa, pode ter me levado a não fazer tudo o que eu gostaria por lá.
Não foi uma, nem duas vezes, eu reclamei de falta de estrutura e ouvi da minha ex-chefe que se eu não peço, não tem como me falar se vai fazer ou não. É verdade que eu não pedia porque partia do princípio que ela ia negar mesmo, mas não pedir era um erro. Um erro que eu tento não repetir, mas certos vícios são complicados de se perder.
Quando saí da Level Up para a CTBC, para ganhar menos, por opção, para ter uma certa estabilidade e a chance de voltar a trabalhar em uma grande empresa, pensei em vários momentos ter feito uma bobagem. Mas, a verdade é que aqui a relação voltou a ser honesta: eu estava trabalhando pouco e ganhando pouco. Parte disso mudou, quando eu decidi que esse ano ia dar o rumo que eu quero na minha vida. Estou trabalhando como há muito tempo eu não fazia. Os resultados que poderiam aparecer de imediato já começaram a aparecer. Tenho uma equipe que me respeita, que em março, primeiro mês “inteiro” depois das minhas férias, já vendeu 150% da meta e que em abril, ainda no começo, já vendeu mais de 200% da meta. E vamos fazer 400%. 500%. O que precisar, para que a segunda parte da relação também volte a ser compensadora: que eu trabalhe muito, as que também seja bem pago por isso.
Hoje, não tenho a menor vergonha de entrar na sala do meu chefe e pedir mais gente, mais dinheiro, mais recursos. Sei que a minha meta é um absurdo, que a empresa espera mais de mim do que eu espero da empresa, mas se eu fizer o que se espera, pode ser que eu tenha mais da empresa do que eu espero hoje.
Olhando para alguns anos atrás, parece que deixei minha vida profissional meio ao relento, esperando a hora que eu voltaria a ter um baita emprego, com um ótimo salário, para aí voltar a trabalhar como um louco. Parece que a velocidade com que minha carreira profissional decolou me fez esquecer que não é assim que as coisas acontecem. Então, nem que seja para que eu leia isso um dia e me lembre: Primeiro eu trabalho, depois eu ganho. Nunca é o contrário, não comigo.
Mas a mensagem, que é mais para mim do que para qualquer outra pessoa está clara: As coisas começaram a mudar, porque EU comecei a mudar.
Que eu mude sempre. Quem fica parado, já disse o filósofo Simão, é poste.

