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A vida é uma coisa doida, que não vale nada, mesmo…

Um dia de tristeza imensa é seguido por outro com motivo para grandes comemorações e assim vamos tocando o barco, até que um dia tudo acaba. Podemos contar várias histórias da vida e de como ela começa, mas ainda acho que ninguém vai poder contar como é quando ela termina. E acho que é justamente por isso que é tão doloroso quando alguém morre.

Ontem enterramos um dos melhores seres humanos que eu conheci. Amigo, alto astral, inteligente e com um coração que, de tanto caber gente, parece ter ficado sem espaço para ele mesmo. Um cara que tinha tudo para ser errado. Órfão, negro, gordo, vindo da periferia, mas que mostrou como se deve encarar a vida. Engenheiro, pós graduado, MBado, adorado por todos que o conheciam, resolveu cuidar da saúde e operar para reduzir o estômago. Alguma coisa deu errado, teve que fazer uma segunda cirurgia. No meio dessa segunda, enfartou. Os rins pararam. O pulmão encheu de sangue. 5 dias na UTI até que domingo não aguentou e deixou a gente aqui, com saudades dele.

Saudades de tomar cerveja falando bobagem, de ouvir as histórias, de contar com os conselhos, de ouvir até as recusas para uma balada porque era o dia dele entregar a sopa para os desabrigados.

Tchau, Negão. Fica com Deus. Vai fazer falta aqui.

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