Mas, enfim, o que aconteceu em São Paulo, ontem?
Como eu vi a cidade no dia do caos que parou tudo.
Saí de casa logo de manhã para uma reunião que eu tinha fora da empresa. Trânsito normal, clima normal e, se não fosse uma aglomeação de polícia e viatura perto da favela ali no Getsêmani, eu não vi nada anormal na cidade. De tarde começam a chegar informações que estações de metrô tinham sido metralhadas, escolas atacadas, agências de banco foram alvos de bomba, ônibus queimados e tudo mais que se leu na internet. O MSN piscava doido, com gente falando que não era prá sair depois das 20:00 horas na rua, que a bandidagem ia esculachar tudo.
O trânsito, das 4 da tarde até as 8 da noite era ridículo. Não lembro de ter visto um trânsito desses em São Paulo que não fosse em véspera de viagem de revellion. Às 8 da noite, não sei como, não tinha mais ninguém na rua. Fui com dois amigos no Extra aqui perto, comer alguma coisa. Não tinha uma alma na rua. Nem no Extra! Tudo fechado. Compramos uma pizza, esquentamos no microondas da lanchonete do supermercado e fomos embora (sim sim, a gente pagou!!).
No caminho para casa, que durou exatos 13 minutos, não parei nenhuma vez. Nem porque tinha carro na minha frente, nem porque o semáforo fechou. Cruzei com UM carro no túnel Jânio Quadros. Na Raposo Tavares, o movimento era mais ou menos o mesmo de umas 2 da matina. Tinha gente, mas pouca. Só hoje, a hora que fui levar a Dé para trabalhar, que eu vi a agência do Itaú de Taboão da Serra quebrada, por causa de um ataque.
No mais, ainda não sei o que é verdade e o que é boato. A cidade ainda está em ponto morto. Muitas escolas dispensaram das aulas hoje, o que por si só já tira uma boa quantidade de gente das ruas. Muita gente que sairia para fazer compras ou qualquer outra coisa, deve ter decidido esperar pelo final de semana. Ou decidiu esperar um pouco mais para ver se realmente acontecia alguma coisa hoje ou amanhã antes de voltar à rotina. Para mim, rigorosamente nada mudou! Tirando um povo que tinha que vir de Minas para uma reunião e não veio porque estão com medo.
O que eu senti do povo que vi por aí, mais do que medo, revolta ou qualquer outro sentimento alardeado em tudo quanto é veículo, foi TRISTEZA! Tristeza de ver a nossa cidade chegar a esse ponto, seja pelo motivo que tenha sido. Bandido, boato, whatever. Estávamos tristes de perceber que a sensação de segurança que temos é falsa, que somos tratados com descaso pelas autoridades e que quando a coisa aperta, não temos quem segure a onda e temos que nos virar sozinhos. A mesma tristeza, eu diria, de quem leva um pé na bunda da namorada e se sente sozinho. A tristeza de se sentir e se ver, no meio de uma baderna, realmente sozinho.
A outra coisa que eu vi é que a imprensa brasileira, acostumada com pautas sazonais (que esse ano contemplava carnaval, big brother, copa do mundo e eleições), não soube lidar com a enxurrada de informações de ontem, não conseguindo distinguir o que era real e o que era boato, publicando de tudo e ajudando a aumentar a sensação de pânico generalizado. O tal do “supostamente” (supostamente uma bomba explodiu, um busão queimou e um cara morreu) que isenta todo mundo da responsabilidade pela notícia (afinal, era tudo suposto, nada afirmado) foi usado a rodo e, até agora, não sei o que supostamente aconteceu e o que realmente aconteceu. Lamentável, digno de um país de gente despreparada.
Claro que morreu gente, o que é sempre ruim (a menos que sejam os bandidos). Que essas mortes sirvam para que a cidade, em todas as esferas envolvidas, se preparem para que isso nunca mais aconteça. E que a tristeza generalizada de ontem não seja esquecida na hora de escolher quem você quer que cuide da gente, em outubro.

