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Seja a evolução das espécies, seja a perfeição do Criador, seja a explicação que você acredite mais ou aceite melhor, o fato é que o cérebro humano é um equipamento inigualável. Ao mesmo tempo que é limitado e imperfeito, é ilimitado e perfeito.

Muitas vezes ele não consegue dizer quanto é 2452 dividido por 348, mas consegue compor uma música inigualável em beleza e precisão matemática! Não consegue lembrar onde você estava ontem, mas consegue fazer você dirigir a 340km/h!

Mas uma característica que eu acho maravilhosa no cérebro humano é a capacidade que ele tem de equilibrar deficiências e virtudes de cada um. O exemplo mais notável disso é quando uma pessoa perde algum dos sentidos. O cérebro “turbina” os outros sentidos, para que o sentido que falta seja suprido. Como quando um cara fica cego. Ele passa a ouvir melhor, para se situar no mundo. Ele passa a ter o tato mais apurado, para que possa “ver” o que ele não enxerga. Ou quando a pessoa não escuta, e ainda assim consegue ficar de pé (que afinal é uma função do aparelho auditivo, manter o equilíbrio) e consegue “ler” o que os outros estão falando.

Lembro de um programa do Jô Soares em que a Marília Gabriela pergunta para ele sobre o filho dele. E ele respondeu: “É incrível como às vezes ele não consegue abotoar uma camisa, mas senta ao piano e toca uma peça como se ele fosse o próprio compositor”. Estudei com uma menina que era assim. Ela tinha um pequeno (mas notável) atraso mental. Ela tinha uns 18 anos e estava na 6a. série com a gente, que tinha 12. Ela tinha uma dificuldade absurda para aprender. Mas escrevia poemas como se fosse a coisa mais fácil do planeta.

Por isso que a gente sempre ouve falar que os grandes gênios da nossa história alternavam os momentos de imensa genialidade que os consagraram, com momentos de imbecilidade que a gente custa a acreditar. Tipo Van Gogh, que pintou quadros que vale milhões, ao mesmo tempo que cortou uma orelha e mandou como prova de amor para uma mulher.

Eu, o ser humano normal, mediano, nem tão genial e nem tão imbecil, não sei nem dizer quais as qualidades que meu cérebro me deu para suprir as deficiências que eu desconheço. Dizem que a gente usa só 10% do cérebro. Eu imagino o que a gente poderia fazer usando 20%!! Mas nem me atrevo a tentar imaginar o que seria se a gente usasse 100%!

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