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The surfer lizard
Ou: A lagartixa surfista

São Paulo. 8 da matina. Está frio e a garoa é intermitente. Tiro meu carro da garagem e rumo à rua Funchal, onde começarei mais uma semana de trabalho.

2 minutos depois de iniciar o trajeto algo chama minha atenção pelo espelho retorvisor. É uma lagartixa, que sem a menor cerimônia, escala lentamente o vidro traseiro do meu carro. Pensei em ligar o limpador de para-brisas para tirá-la de lá. Afinal, ela não tinha me pedido a carona. Mas achei que era melhor não fazer isso. Simplesmente resolvi deixá-la subir para ver o que ia dar. Onde ela iria parar.

Dirigi por algumas ruas, meio que olhando o trânsito, meio que vigiando a lagartixa. Alguns bairros depois do início do trajeto, eu só via parte do rabo da lagartixa. Pouco depois, mais nada. Ela estava no teto do carro. Era oficialmente a primeira lagartixa surfista urbana de que eu tinha notícias.

Em uma área livre (milagre!), acelerei um pouco mais. Diminui. Fiquei com medo de derrubar a lagartixa de seu passeio. A garoa deu uma engrossada! Agora ela devia estar se sentindo a própria surfista, molhada e tudo. O trânsito volta a apertar. Paro em algumas avenidas e dentro do túnel Sebastião Camargo, onde, percedo, outros motoristas olham com interesse para o meu carro. Ela devia estar dando um show, a lagartixa. Saí do túnel, contornei as poucas ruas que faltavam e parei no estacionamento do prédio. Procurei por ela na capota do carro.

Me olhou com cumplicidade e, tenho certeza, sorriu e me disse: WAZAAAAAAP????

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