Engraçado como tem coisas que a gente não consegue entender por anos a fio e um dia entende e racha o bico. Comigo acontece muito com músicas em inglês, que depois de aprender a língua passei a, claro, entender a letra. Com isso, às vezes acho legal e às vezes estraga tudo. Muitas vezes o inglês macarrônico ou a versão que a gente inventou quando moleque sobresai ao conhecimento (recém) adquirido.
Por exemplo, Smooth Operator da Sade. Até hoje, eu e a galera da minha área cantamos Bu-Babuêra!
) Ou uma que eu nem lembro o nome, que o cara canta Sooner or Later e a gente canta Chame o bombeiro!
Isso acontece com todo mundo. Eu lembro de uma crônica do Mário Prata falando que por anos ele pensava que o amor falado na Ciranda Cirandinha era de um rapaz, o Tumitinha, que todo mundo gostava dele. Eu também, por anos e anos, pensava que a Dona Chica, de Atirei o Pau no Gato, era de uma cidade chamada Mirocecê. Ué, não falava “Dona Chica-cá, de Mirocecê”?
Depois, já maiorzinho, lembro que tinha algumas músicas dos grupos de rock nacional que a gente ficava intrigado com algumas partes que a gente não entendia muito e acochambrava prá sair mais ou menos parecido quando a gente cantava. Tipo, tinha música da Blitz que o cara queria passar uíquende com você ou o destino do Lulu Santos, algumas vezes, era ser e estar, e não ser Star!
Acho que o caso mais recente e mais famoso foi a menina do Big Brother que passou uma noite cantando iarnuor, iarnestilve. Tudo bem que o caso dela foi exagerado, mas acho que todo mundo cantou We are the World meio zuado, pelo menos uma vez na vida. Sem contar que quando eu era moleque não existia internet, a gente só conseguia as letras das músicas nos encartes dos discos (quando tinha) ou na aula de inglês, que o curso fazia um folhetinho com a música e a tradução.
No fim, tudo dá certo. Eu ainda espero que a Dona Chica, que é de Mirocecê, encontre o amor de Tumitinha, que é um cara legal. Quem sabe eles não cantam Bubabuêra e chamam o bombeiro!

