Fiquei interessadíssimo desde que ouvi a chamada. Afinal, sou um aficionado por rock´n´roll.E a chamada, que não dizia nada, dizia muito. Prometia o melhor do Rock´n´Roll da melhor época, ao vivo, de graça, apenas para os melhores ouvintes. Não entendi muito bem quem seriam os melhores ouvintes, até o locutor anunciar: Os melhores ouvintes sabem que o são. Eu sabia. Eu era um deles. Um “melhor ouvinte”.
O dia chegou. Sem dar muita bola para o visual, saí e fui para o local do tal evento para os “melhores ouvintes”. Pensei ter errado o dia. Não tinha trânsito, não tinha confusão, não tinha ninguém por perto. Nem mesmo os vendedores autônomos, os famosos camelôs, que infestam as entradas desses eventos como pragas estavam por lá. Mas quando entrei no lugar, num parque, até que tinha bastante gente. Muita gente pela pouca confusão, pensei de cara. Eram cerca de 15 ou 20 mil pessoas, que não causaram o menor tumulto para entrar. Que coisa estranha. Ninguém me pediu ingresso, ou tampouco perguntou se eu era um “melhor ouvinte”. Apenas me mostraram o caminho para a frente do palco.
O clima era extremamente agradável. Não tão quente a ponto de te fazer suar, nem tão frio a ponto de ter que levar um agasalho. Estava muito confortável de tênis, bermuda e camiseta, que é como eu sempre me sinto confortável, afinal! Um pouco de movimentação no palco, saem uns caras – roadies, pensei – e dá toda a pinta que ia começar. Além de excitado, estava muito curioso.
Entra um cara cabeludo, com uma guitarra e um chapelão. Mais um pensamento: “Parece o Steve Ray Vaughan.” Começa a tocar e reconheci de cara. Pride and Joy. Além de ser parecido com o cara, toca igual! Depois Texas Flood. Love Struck Baby. Give me Back my Wig. Me sentia como assistindo o próprio Steve Ray, ali, a metros de mim. O som não era alto, como de costume em shows. Não precisava ser. Ninguém falava. Ali, todo mundo assistia e só! Acabou, agradeceu e saiu.
O segundo cara que tocou também era muito parecido com um grande guitarrista. Começou tocando Sgt. Peppers, anunciando como uma homenagem à melhor banda de Rock de todos os tempos. Depois Little Wing. Hey Joe, mas no meio parou para começar Sunshine of your Love. To my very friend Eric and his Cream, ele disse. Pensei na hora. Além de parecido, toca muito e age como o próprio Jimi Hendrix. Tocou por apenas 40 minutos. Tacou fogo na guitarra e foi embora. Assim, sem mais.
Light my Fire, Roadhouse Blues, eu não acredito. O fulano é a cara do Morrison! Como os caras arrumaram uns caras tão parecidos para o show. Merecem os parabéns.
Então entrou o tiozinho com o violão. Caras parecidos com o Raul são fáceis de encontrar. Desfilou o repertório, começando com Al Capone. Mosca na Sopa, Sociedade Alternativa, Gitá… Mudou toda a letra de Como Vovó já Dizia, mais atualizada. Ficou legal. Acabou com Trem das Sete, aquele, o último do sertão. Acabou e a turma começou a ir embora. Mas ninguém anunciou que acabou, pensei. Mas tinha acabado mesmo. Não sei como e nem porque, mas eu sabia que tinha acabado. Bom, que seja, vamos embora.
A saída também era calma, apesar do monte de gente. Encostei para esperar um pouco aliviar a saída, quando um senhor parou do meu lado. “Gostou do concerto”, me perguntou. “Muito”, respondi e resolvi fazer uma piada: “Só faltou o Elvis.
- Meu amigo, ele me respondeu, todo mundo sabe que o Elvis não morreu…


