Nada na vida prepara a gente para a paternidade. Nem para a parte boa e nem para as poucas coisas que são ruins.
No segundo ano de vida do Pedro, algumas coisas foram ruins. Ele teve gripe suína, a alergia é um pé e ele pegou um pneumonia.
Mas foi pouco, perto do tanto de coisa boa que ele proporciona. Ele é extremamente bem humorado, disposto, engraçado, carinhoso, é o maior barato. E uma coisa que eu sentia muita falta era de me comunicar com ele e saber se ele estava entendendo, além de, claro, entender o que ele queria. Mas esse ano ele desandou a falar. E está um barato.
Desde o começo, quando falava só papai, mamãe, Bã (que é o Buster), papá, mamá e coisas que tais, até agora, que ele já começa formular algumas sentenças, eu me divirto que só com ele. Qualquer coisa que ele fala eu adoro. Coisas óbvias, como “esse é o carro do papai” ganham uma nova dimensão quando é ele que fala. E as sacadas, coisas que ninguém nunca ensinou e ele fala, que me fazem rolar de rir. Como o dia que liguei o rádio porque ele estava pedindo para ouvir música e ele me sai com “que música chata, papai!”, todo cheio de razão.
Às vezes, humano e errado (pleonasmo, ja que todo humano é errado), reclamo de coisas que sou um privilegiado em ter. Hoje, no dia do aniversário dele, estava olhando para a decoração da festinha dele, pensando em quanto dinheiro eu gastei hoje, que não devia ter gasto, coisas mundanas desse tipo. Ele tava dormindo, o soninho da tarde. Acordou, a Dé trocou a roupa dele e ele saiu de dentro de casa para o quintal, onde eu estava com os pensamentos errados. Ele olhou para a decoração, apontou para as coisas que via, virou para mim e, cheio de surpresa e com uma felicidade tão pura e legítima que só uma criança de dois anos pode ter no dia do seu aniversário, falou:
Olha, papai! Óoooooolha… A Festa!
Perguntei prá ele se ele sabia de quem era a festa. E ele falou: “Do Pepê”.
Foda-se o dinheiro. É só um número em algum computador do planeta. Para ver a carinha dele, admirado com a decoração, feliz e sabendo que era para ele, vale qualquer sacrifício.
Se eu soubesse que ser pai era tão bom, não teria demorado tanto. E se eu soubesse que seria o Pedro, então…
São dois anos de duas pessoas. O Pedro e eu. O que tinha antes dele não existe e não importa mais.
Feliz aniversário, filho. Seu pai te ama demais.
Domingo de emoção na Maison du Paul.
Eu estava arrumando algumas coisas em casa, coisas típicas de se fazer domingão. Colocando uma lâmpado no corredor do quintal, trocando uma torneira na cozinha, essas coisas. E como sempre, para esses momentos de lazer, chamo alguém com capacidade manual para tais afazeres maior que a minha. Que pode ser qualquer um, na verdade, já que sou um zero à esquerda para essas coisas, mas meu alvo predileto é o meu pai.
Depois de sofrer por mais de hora para descobrirmos como está funfando a instalação elétrica de casa para conseguir ligar a tal da lâmpada, ele (o pai) estava parafusando os fios no interruptor e eu sentei na rede para observar. Sentei, não deitei. Ainda bem. Senti alguma coisa cair na rede. Era pesado demais para ser uma folha, mas ainda não tem nenhuma fruta nas árvores de casa. Olhei para o lado e lá estava ele. Um rato. Olhando prá mim. Se eu estivesse deitado, teria caído na minha cabeça. Levantei da rede tão rápido que nem eu sabia que era possível.
Enquanto o rato voava, fruto do tranco que dei na rede para levantar, corri prá pegar uma vassoura. A Dé, de dentro de casa, correu para fechar as portar. Voltei com a vassoura procurando o danado e meu pai me avisou que ele estava escondido atrás de uns enfeites do jardim. Cutucou os enfeites e o rato saiu. Primeira tentativa de vassourada e ele desviou. Correu para o corredor que vai para a rua, onde estávamos instalando a lâmpada.
E eu, vassoura em punho, correndo atrás dele. A hora que ele viu, lá na frente, os dois cachorros, mudou de rumo e voltou correndo para cima de mim. Errei outra vassourada, pulei o rato que vinha em minha direção. Esquema Matrix, Jet Lee, Kung Fu Panda. Virei e pimba, outra vassourada. Essa foi certeira. E o rato, tadinho, morreu.
Meu pai, que até o momento só ria, me falou: dá outra, que ele tá só fingindo. Fingindo nada. O bicho tava até com tremilique, já. Recolhemos o corpo do danado e voltamos à vida normal.
Antes de voltar para a rede, me certifiquei que a chuva de ratos tinha acabado.
Alegria e desespero no PS3. Depois que o Persio usurpou o meu FFXIII, eu roubei o GoWIII dele. E vou te falar. É muito foda.
Não acho que seja o melhor jogo do PS3, mas chega perto. Como todos os outros jogos da série, ele esbarra num problema: é muito curto. Um jogador acostumado com a série não leva mais de 6 horas para terminar o jogo. E esse, aqui entre nós, merece mais do que 6 horas.
Começa pela história. GoWIII consegue juntar as duas primeiras partes da trilogia em um final avassalador, totalmente digno da série. Depois de ter a família morta, matar o Deus da Guerra e tomar o lugar dele, ser sacaneado pelos Deuses do Olimpo e tudo mais, Kratos resolveu radicalizar. Quer matar o responsável por tudo que rolou com ele. O chefão. O Rei dos Deuses. Zeus himself.
E para issso, conta com ajudas inusitadas, que deixam a história mais recheada. No começo, um dos aliados é Gaia, líder dos Titans que também tentam matar Zeus, que pelo jeito, adora fazer inimigos. Claro que essa aliança dura pouco e logo os Titans entram na lista de inimigos também de Kratos. E matar os maiores inimigos que já apareceram em um vídeo game é muito divertido. Essa diferença absurda de tamanho entre os Titans e o resto das coisas seria um delírio em qualquer outro jogo, mas em God of War é totalmente aceitável, no contexto da história, do jogo, de tudo, enfim. E torna o jogo visualmente matador.
Como disse, o grande problema do jogo é que, mesmo com tudo que tem para fazer e com todos os inimigos que Kratos encontra em seu caminho, o jogo é bem curto. Se por um lado torna a experiência ainda mais intensa, por outro é um pouco decepcionante, fica aquela sensação de que podia ter durado um pouco mais.
Ah, mas pode durar um pouco mais. Faltam 3 troféus para ganhar todos no jogo, então estou jogando na dificuldade Titan, a mais punk do jogo. E aí, meu amigo, o que levariam 6 horas, está tomando umas 12, já. E foi depois de encalacrar em um lugar e não conseguir sair dali que fiquei com tanta raiva que fiz uma cagada.
Entrei na PSN, Playstation Store e, como tinha uma graninha de crédito lá dando sopa, comprei Marvel x Capcom.
Esse é mais fácil de falar a respeito: É ruim. Não sei o que a Capcom fez, mas o jogo ficou uma bosta. Se tivesse como, devolvia o jogo para a PSN e comprava um clássico de PS1. Muito provavelmente, FFIV.
Ou seja, God of War III = alegria. Marvel x Capcom = desespero.
Com o perdão do trocadilho, o Submarino, a loja virtual que eu mais confiava e usava até hoje, está indo para o buraco.
Nunca, nem em lojinha online de fundo de quintal, Mercado Livre e tudo mais, eu tive TANTO problema. Vamos à história:
Dia 12 comprei um HD externo de 1TB no site. Paguei no cartão de crédito. Recebi um e-mail que a compra estava aprovada e receberia o produto no dia 13. Dia 14 ainda não tinha recebido. Hoje, dia 15, me ligam da recepção do prédio que tinha uma encomenda para mim lá, do Submarino.
Terminei uma ligação e fui lá buscar a encomenda. Cheguei lá e o cara não estava. Perguntei para a menina da recepção e ela me disse que o entregador disse que eu demorei demais para ir buscar o produto, que tinha mais o que fazer E FOI EMBORA, tipo, pau no cu do cliente que paga o meu salário.
Liguei para o Submarino e contei o acontecido. Óbvio, ninguém resolveu nada. Falaram que iam entrar em contato em até 24 horas para TENTAR ENTENDER o que tinha acontecido. Eis que acabo de receber um e-mail falando que como eu RECUSEI o pedido, ele voltou para o estoque e vão entrar em contato comigo para ver como cancelar a compra.
Tentei ligar de novo agora e desligaram na minha cara, antes de me atender.
Acabei de ligar para um diretor de lá que eu conheço, prá ver se resolve. Senão, nunca mais.
Eu queria ter achado esse texto durante a Copa. Escrevi como introdução para um site de Futebol que faria com alguns amigos. Até hoje não sei bem porque a idéia não foi para frente. Como não foi, o texto nunca foi publicado. Fuçando atrás de uma outra coisa, achei o texto no meu iDisk. E resolvi publicar. Se não pode ser por conta da Copa, fica por conta do Campeonato Brasileiro, que volta hoje.
O texto, escrito para explicar o porque do nome do site, leva o nome que seria dele: Regra 10.
Ninguém sabe ao certo quem o criou. Os ingleses clamam o mérito, apesar de alguns chineses afirmarem que mesmo antes dos ingleses saberem o que era uma bola, já existia algo semelhante a ele nos mais remotos tempos do império chinês. Dizem que tem até gravuras que comprovam, mas nós nunca vimos. Mas quem criou é apenas um dos mistérios que envolvem o futebol, um esporte apaixonante como poucos e praticado por muitos. A FIFA, você já deve ter ouvido falar, tem mais países associados que a ONU.
Aliás, é no livro da FIFA que estão as 17 regras do jogo. De todas elas, somente uma é eterna. Imutável. Todas as outras são descartáveis. Quer ver? A regra 1, fala sobre o campo de jogo. Dimensões, superfície, marcações de área… Para nós, qualquer lugar é lugar! Pode ser a rua, o quintal de casa, o terreno baldio. Se tem espaço para alguns amigos e uma bola, é um campo. Bola, esta, que está na regra 2. Mas, quem liga se ela é de couro, de plástico ou de borracha? Se pesa 50 gramas ou 5 kilos? Se roda, é bola. Pode ser até de meia. Se tem uns meninos chutando, está valendo. Quantos meninos? Isso está na regra 3, mas quem se importa? Dois na linha, um no gol, 5 de cada lado, 12, porque é sacanagem deixar 2 amigos de fora quando juntamos 22 para jogar. Desses 22, ou 24, quantos estarão cumprindo a regra 4, sobre os equipamentos de jogo? E daí que tem um ou dois descalços, ninguém está de caneleira e um dos times joga em camisa? Quem vai reclamar? Os alvos das regras 5 e 6, o árbitro e os auxiliares? Quem disse que pelada tem juiz? Bandeirinha, então, nem se fala. Se alguém estiver afim de apitar, ótimo, senão, a gente vai sem, mesmo. E se diverte do mesmo jeito. Por 90 minutos, 10 minutos, 4 horas, vira 5, acaba 10. E a regra 7 que se dane. A gente começa e termina quando quiser, do jeito que der, sem nem ligar para a regra 8.
Na verdade, não ligamos para a regra 9, que diz se a bola está ou não em jogo, ou para a 11, afinal, impedido de jogar é quem não está nos times. Se teve falta, quem diz são os amigos, não a regra 12. E se foi falta ou penalty, das regras 13 e 14, depende se o cara tava perto ou longe do goleiro. Lateral, da regra 15 é com o pé ou com a mão? E o tiro de meta, da 16? Só o goleiro bate? E o escanteio, da regra 17? Cobra de onde?
Na hora que a bola, aquela, da regra 2, rola, em qualquer campo, da regra 1, só uma coisa interessa. Só uma regra vale. A regra 10. O Gol! É só por isso que jogamos. É só por isso que assistimos, que discutimos, que escrevemos, que brigamos. Futebol só é futebol por causa do Gol.
Por causa da Regra 10.
13 de julho é um dia especial para muita gente. Para o Paris, porque é aniversário do filho dele. Aqui para o eBand, onde eu trabalho, porque também é aniversário dele. Para a Kiss FM, porque também é aniversário dela. E para milhões de pessoas mundo afora, que gostam de Rock’n'Roll, porque o dia 13 de julho é o Dia Mundial do Rock.
Tudo começou no final dos anos 1940 e começo de 50, mas a origem do Rock é controversa. Pesquisadores musicais já acharam músicas do século XIX com elementos do estilo. A história mais aceita mundialmente da origem do que conhecemos como Rock é de 1951, quando o DJ Alan Freed, para descrever a música que estava tocando na rádio, usou pela primeira vez na história a expressão Rock’n'Roll.
É muito difícil achar alguém que não goste de rock, uma música que seja. Porque o rock bebe em muitas fontes. Blues, Country, Boogie Woogie, Jazz, e por aí vai. O primeiro grande mito da música mundial nasceu e desapareceu no Rock’n'Roll. Até hoje, Elvis é aclamado por milhões de fãs que duvidam que ele morreu. E é ele o grande responsável pela popularização do gênero pelo mundo afora. Se não fosse Elvis, talvez o rock fosse um gênero segregado, restrito apenas a negros do sul dos Estados Unidos, um tipo de música folclórica.
E é por isso que, para mim, Dia do Rock é sinônimo de Dia do Elvis. Pode não ter sido o inventor da coisa, mas no meu dicionário, do lado da palavra Rock tem uma foto do Elvis. Tudo que veio depois, veio graças a ele.
Agora, por que capeta dia 13 de julho virou o Dia Mundial do Rock? Porque dia 13 de julho de 1985 foi organizado o primeiro Live Aid, um show de Rock beneficente, para ajudar a combater a fome na Etiópia. Já que é prá escolher um dia, esse é bom, a causa foi nobre, o show também.
Só faltou o Elvis.
Um monte de fotos do Pedro na galeria dele.
Sempre tem foto nova dele, mas a preguiça de colocar no ar é grande. Subo tudo no Mobile Me e fica lá, mesmo.
Mas vai lá ver. Das mais de 3 mil fotos dele, escolho algumas legais para colocar no blog. Algumas das que coloquei agora, gosto muito. A que ele está indo guardar a guitarrinha dele, que fica junto com os meus instrumentos, é uma. Outra, é a dele com gorrinho, que mostra como ele é lindo e como eu sou um babão!
Mas que pai não é?
Nas grandes cidades, principalmente São Paulo, os habitantes tem comportamentos estranhos. Isso é fato. Um deles, que eu já comentei aqui, é o lance de ter gente que vive se encontrando mas nunca se fala. Outro, menos curioso, mas claro para olhos mais atentos, é o farol de pedestres.
O pedestre das grandes cidades é, por si só, um personagem. Eles está, quase sempre, equipado para o dia. Como tem que sair de casa preparado para qualquer eventualidade, o equipamento do pedestre urbano é maior do que o pedestre que vai fazer uma trilha, por exemplo.
Porque tem literalmente de tudo. Roupa de calor, roupa de frio, guarda-chuva (ou capa), apetrechos do trabalho, pertences pessoais, uma festa. Se é homem, tenta socar tudo numa mochila. Se é mulher, tem mais opções. Uma bolsa grande, uma pequena com várias coisas sendo carregadas na mão, uma bolsa e uma mochila, tem configuração de tudo que é jeito. Tem algumas que andam pela rua de tênis e quando chegam no escritório (ou na balada) trocam por um saltinho.
Mas toda essa turma tem um obstáculo pela frente: o farol de pedestres. Pode reparar. O pedestre vem vindo pela calçada. O farol de pedestres está verde. Ele sabe que ainda tem um tempinho com ele verde e mais um tempinho com ele piscando vermelho. Mas o que ele faz? Para e fica olhando para o farol, como se o verde fosse uma pergunta. E agora? Vou ou não vou.
Já se o farol está piscando vermelho, eles não tem dúvida nenhuma. Em vez de parar, saem em disparada para o outro lado da rua, mesmo sabendo que não vai dar tempo de atravessar antes do farol fechar. É impressionante.
Mas tem ainda as variações. Os que chegam com o farol verde e param. Aí quando começa a piscar no vermelho, ele sai correndo para atravessar. E a última, mais divertida e mais perigosa variação da coisa. O que vê que está piscando vermelho, dá um pique no lugar, dois passos e, no meio da faixa de pedestres, resolve que não vai dar e tenta voltar. Essa é a mais perigosa porque o carro por onde ele já passou pensa “ele já passou, posso ir” e não pode. E os carros que estavam esperando o animal acabar de atravessar a rua, assistem de camarote o cara deixar cair tudo na rua, desviar de motoboy, xingar os motoristas e atrasar a vida de todo mundo.
Realmente, farol de pedestres é um mistério. Sei para o que serve, mas não sei se serve.
Fazendo um rápido retrospecto da participação do Brasil em Copas do Mundo, tendo como base apenas as quatro últimas que disputamos. Tento, nesse estudo, identificar padrões. E parece que achei.
Senão, vejamos:
1994 – Leonardo é expulso contra os Estados Unidos. O Brasil ganha o jogo e, mais tarde, garante o Tetra. Vermelho = Caneco.
1998 – Ninguém da seleção toma cartão. Susana Werner, então namorada de Ronaldo, acompanha a Copa lá na França. Brasil perde a final para a França.
2002 – Ronaldinho Gaúcho é expulso contra a Inglaterra. O Brasil ganha o jogo e, mais tarde, garante o Penta. Vermelho = Caneco.
2006 – Ninguém é expulso no Brasil de Parreira. Susana, estava na Alemanha com seu marido, Julio Cesar. E o Brasil foi eliminado, veja só, pela França.
2010 – Kaká é expulso contra a Costa do Marfim. Susana, apesar de casada com Julio Cesar, está no Rio. Mas não anime ainda. Em recentes declarações, ela disse que se o Brasil for para a final, ela vai para a África do Sul.
Longe de mim rotular a moça de pé frio, até porque eu também não sou nenhum amuleto. Mas, tendo em vista a análise fria e criteriosa dos fatos, só me resta fazer um pedido.
#ficasusana
Demorei para ver o final de Lost. A expectativa, admito, não era das melhores. Me parecia, sério, que em duas horas não seriam fechadas tantas hitórias, tantos buracos, tanta coisa que tinha prá ser explicada. Mas eu também já não queria explicação nenhuma. Prá ser bem honesto, queria só o fim, mesmo.
Daqui prá frente, atenção. É o Spoiler Festival da Macadâmia!
Avisados que estão, vamos lá. Qualquer um que acompanha Lost com um pouco mais de atenção, procura ler o que tem publicado sobre a série e tudo mais, sabe que os produtores sempre falaram: não é sobre a ilha. É sobre as PESSOAS! E, vendo dessa maneira, o final foi extremamente satisfatório.
As histórias, de todos os principais personagens, foram encerradas. Quem morreu, quem ficou na ilha, quem saiu da ilha, tudo isso. E acho que todos os finais foram muito coerentes com cada personagem. Para mim, alguns foram mais emblemáticos. Jin e Sun, por encerrarem sua jornada juntos. Ben, que depois que apareceu na segunda temporada se tornou o melhor personagem da série, teve um final simples e avassalador. Hurley, que todo mundo gosta, foi o personagem (e o ator) que mais evoluiu na série. Saywer, que sempre foi um sobrevivente e sempre quis sair da ilha. Jack, o cara que, mesmo quando acredita, tem dificuldades em acreditar.
Teve um festival de clichê. Eu te amo, luta na chuva, fuga de caverna com tudo despencando. Faltou uma explosão, mas foram tantas na série que não seria novidade nenhuma. Mas no fim, as histórias foram contadas. Sabemos o que aconteceu com cada um dos personagens. Fim!
Por outro lado, é sobre as pessoas, OK, mas a ilha se tornou um personagem importante, uma entidade, quase uma das pessoas. A ilha de Lost tinha uma personalidade própria. Virou comum ouvir diversos personagens da série dizerem “A ilha quer”, “a ilha não quer”, “a ilha escolheu”, e várias outras referências à ilha como se ela tivesse vontades, como se ela fosse mais uma pessoa.
E por esse lado, o final deixou a desejar. Beleza, as histórias estão contadas, mas e a história da ilha? Por que a Fundação Hanso foi parar lá com a Iniciativa Dharma, por que os outros estavam lá, por que a ilha tinha templos e estátuas gigantes, por que a ilha tinha essas vontades e, o mais importante, porque a ilha, considerando que tinha essas vontades, queria justamente aquele grupo de pessoas lá. E se a ilha quisesse o Costinha, e ele não estava no vôo 815 da Oceanic? Ou a ilha era tão foda que se ela quisesse o Costinha ele estaria voltando da Austrália para o Brasil, por Los Angeles, só para estar no vôo? E se era, por que era tão foda?
Faltou algo que amarrasse as histórias das pessoas com a história da ilha. Seis anos criando uma mitologia que, em seu último ato, não se mostrou útil. Jacob, seus candidatos, o monstro de fumaça e a ilha acabaram apenas como elementos jogados, fumaça de palco. No caso de Lost, a história do cenário era tão importante quanto as histórias das pessoas que estavam lá. Para alguns, a história da ilha era até mais importante.
Apesar de previsível, a útlima cena da série foi perfeita. No mesmo lugar onde, em desespero absoluto, tudo começou, calmamente, terminou.
Discuta-se, critique-se, ame ou odeie, acabou.


